Em quatro anos de existência a Dixtior já deu cartas seguras das suas soluções. Fomos saber que balanço é possível fazer e que mudanças ocorreram nos países onde operam.

“Estamos desde 2013 em Angola, a crise económica relacionada com o preço do petróleo iniciada em finais de 2015 veio aumentar as dificuldades de expansão, mas não impediu que continuássemos a crescer. Em Moçambique a crise política recente implicou um aumento nos tempos de tomada de decisão e por isso os negócios foram realizados de forma mais demorada. Em Cabo Verde não se verificaram grandes alterações, em São Tomé e Príncipe vamos começar agora, em Timor Leste ainda só realizamos um projeto, e com tal, não é possível fazer uma análise exaustiva, talvez agora com as eleições ocorra alguma mudança positiva e que dinamize a economia local. Em Portugal iniciámos atividade no meio da crise, com muita restrição por parte das empresas e muita contenção de custos. No final de 2016 e neste início de 2017 parece-me que já há mais abertura e movimentação inclusive com a tomada de decisão, algo que antes não existia”, começa Rui Vicente por explicar.

Fora de Portugal há fatores que não podem ficar ao acaso e sobre isso os administradores da Dixtior tecem alguns comentários como: “é preciso estar lá e conhecer a cultura dos sítios onde estamos”, elucida Rui Vicente, ou “a língua é o fator mais vantajoso enquanto empresa portuguesa nos PALOP, a legislação muito semelhante à nossa também é um fator importante, refere Mário Oliveira e “a forma como estes países olham para os portugueses ajuda bastante porque somos bem vistos”, conclui Sónia Silva.

“É preciso recordar que fomos colonizadores destes países e por isso há uma relação profunda. Existem raízes que nos ligam. A nossa presença pode por vezes gerar a ideia do colonizador mas com o tempo vai sendo dissolvida e no fundo continuam a olhar para os portugueses como pessoas que contribuem para o desenvolvimento económico e social dos seus países. Apesar de termos sido colonizadores ficou uma imagem de parceria e colaboração e cabe-nos aproveitar esse voto de confiança e contribuir para manter esse status-quo”, prossegue Rui Vicente.

Sobre Timor Leste, a presença é bastante recente e este é um país muito distinto de todos os outros segundo os sócios. Ao contrário de outros países onde marcam presença, “uma das línguas oficiais do país é o português, mas a grande maioria dos timorenses não o fala ou entende e isso é um entrave claro”. A distância e a falta de infraestruturas são outros fatores apontados. “É uma economia pequena mas que está muito bem posicionada do ponto de vista geoestratégico, com a Indonésia, Singapura e a Austrália ali ao lado. Todas as ligações para Timor Leste passam por estes países. Se queremos estar presentes na Ásia, Timor é uma boa porta de entrada. Não podemos esquecer que estivemos longe de Timor décadas, mas mais uma vez mantem-se uma relação afetuosa como se viu durante o ultimo campeonato europeu. Mas apesar de tudo, continua a ser uma economia complicada”, explica o CEO.

UMA RELAÇÃO EUROPA ÁFRICA, QUE RELAÇÃO?

“A relação Europa- África existe mas a Europa olha sempre para África como um mercado de oportunidades para enriquecer e não para que eles se desenvolvam. Todos os apoios monetários que lhes são dados são prestados numa perspetiva de que eles nunca os consigam pagar. Estamos constantemente a renovar empréstimos que África não terminou de pagar, isto leva a que fiquem constantemente em dívida para connosco, o que se traduz num sentimento de obrigação do lado africano, e que por sua vez garante à Europa algum domínio sobre eles.

Por outro lado temos o gigante China que começa a demonstrar algum interesse no continente africano até como forma de chegar à América Latina e se não começarmos a mudar de atitude, ou seja, se não começarmos a ser parceiros em vez de dominadores, cada vez mais vamos perder influência”, conclui Rui Vicente.

PROGRESSO TECNOLÓGICO EM ANGOLA 

“Neste momento existem técnicos com mais conhecimentos e capacidades do que em 2010, o ano em que comecei a ter contacto com clientes Angolanos. Na minha opinião o principal desafio neste momento é ao nível das infraestruturas tecnológicas e garantir o funcionamento contínuo das mesmas.”, esclarece Mário Oliveira que afirma que “a continuação da aposta em formação e em relações com parceiros capazes de dar bons exemplos nas várias vertentes tecnológicas são essenciais para o futuro. A tecnologia está em constante evolução e nem sempre é fácil acompanhar”.

Enquanto consultores ajudam as empresas de que forma? “Além da consultoria nas nossas áreas de negócio, damos aconselhamento a nível tecnológico, por forma a garantir o correto funcionamento das aplicações que desenvolvemos e disponibilizamos nas infraestruturas nos nossos Clientes, tendo sempre em mente a realidade de cada país”, refere o CTO.

“Uma das nossas grandes preocupações é que falamos de países que não ficam propriamente aqui ao lado e por isso não podemos intervir de imediato em alguma dificuldade que lhes possa surgir, pelo menos presencialmente. Vamos para lá, implementamos os projetos e tentamos estar com eles o máximo de tempo, com o cliente e com as pessoas que vão trabalhar com as tecnologias, de modo a conseguirmos passar o máximo de informação sobre as mesmas e para os tornar mais capazes de resolver alguns problemas. As nossas visitas técnicas vão muito no sentido de os ajudar e formar, nesse sentido, consideramos ser nosso dever transmitir conhecimento para que eles saibam resolver problemas. Como é que podem interagir connosco, o que fazer no caso de avarias, que lá são frequentes…”, explica Sónia Silva.

“Há espaço para ajudar. Tentamos ir buscar os melhores profissionais do mercado e depois fazemos uma coisa péssima que é: se eles forem para esses países temos de desconstruir tudo o que eles sabem, porque tudo o que eles sabem não é viável à realidade das infraestruturas daqueles países. Há espaço e há mercado, é preciso é posicionarmo-nos ao lado dos nossos clientes, eles têm de sentir que somos parceiros”, contrapõe Rui Vicente.

BRASIL…À VOLTA É MAIS INTERESSANTE

A resposta é unânime entre os três sócios quando se fala do Brasil. “Um mercado atrativo porém complicado”.

“Enquanto mercado é aliciante. A nível tecnológico é extremamente avançado” mas há entraves “a instabilidade política e o facto de a história contar que não é comum empresas portuguesas fazerem sucesso no país irmão”.

A legislação do país também não é algo tão apelativo e por isso existem outros países, que envolvem o Brasil e onde é “mais fácil entrar para conseguirmos competir com os brasileiros porque dessa forma já somos concorrentes sul-americanos e não europeus”.

O Brasil não está fora de questão, afirmam, mas “temos de estudar bem como podemos competir”. 

MISSÃO

Apoiar os nossos clientes a definir e concretizar objetivos estratégicos claros e de longo prazo, contribuindo para uma gestão empresarial moderna e integrada com estruturas organizacionais inovadoras.

VISÃO

Sermos reconhecidos como uma empresa de referência nos mercados nacional e PALOP, através da prestação de serviços profissionais de excelência.

VALORES

Profissionalismo

Respeito

Cooperação

Conhecimento

Qualidade