Ricardina Andrade

A RA, Pessoas e Organizações propõe-se a contribuir para o desenvolvimento competitivo de Cabo Verde e da Sub-Região Africana. De que forma?

A competitividade de Cabo Verde e dos países da nossa sub-região depende, em larga medida, da competitividade das suas organizações que, por sua vez, depende da qualidade das pessoas que as integram e da forma como se organizam para poderem competir num mercado global, no qual estão em situação de desvantagem, exigindo que sejam mais rápidas nas abordagens e nas ações e mais focados nos resultados. O trabalho que propomos é pragmático e consiste em ajudar as Pessoas e as Organizações a melhorarem os seus desempenhos. Ajudamos as organizações a conquistarem resultados, que, regra geral, exigem mudanças no comportamento humano e a aquisição de novas habilidades. Para isso recorremos a técnicas e metodologias modernas e centradas na pessoa e nos resultados a serem alcançados. 

Para contextualizar o nosso leitor, com que serviços a RA se apresenta no mercado? 

Sendo uma empresa que ajuda a potenciar as pessoas e as organizações nas quais se inserem, disponibilizamos ao mercado um leque variado de ações de formação, nas mais diversas áreas de gestão, da liderança e do comportamento, com recurso a metodologias verdadeiramente inovadoras, que, para além das componentes teóricas, privilegiam a vivência individual e de equipa, a prática empresarial e a interação. Complementamos a nossa oferta com uma alternativa necessária ao alcance dos resultados: uma combinação de consultoria e coaching que produz resultados altamente significativos e a um custo relativamente baixo. O nosso diferencial é a nossa metodologia de intervenção, o perfil dos nossos facilitadores e a rapidez dos nossos resultados.  

Que principais lacunas encontram nas organizações na região de Cabo Verde? 

São basicamente as mesmas que encontramos a nível global, mas numa escala muito maior! Precisamos preencher a lacuna de liderança, e rápido. … A liderança começa no caráter, é um processo de desenvolvimento de dentro para fora e está na base da performance de tudo o que se faz.

Não existe eficácia sem disciplina, e tampouco disciplina sem caráter. É necessário criar uma estratégia para a construção de uma nova cultura organizacional, focada no potencial humano existente em África, promovendo uma África mais Humana, mais Produtiva e mais Justa. E isso requer um trabalho profundo de conscientização dos decisores e de capacitação dos profissionais para a disciplina, para o amor ao próximo e para a excelência. Requer, acima de tudo, uma mudança de paradigma sobre o Poder, sobre a Liderança e sobre o Ser Humano. É impressionante como os nossos Grandes heróis africanos viveram a frente dos seus tempos – o compromisso do Amílcar Cabral parece mais atual do que nunca “… jurei a mim mesmo que tenho que dar a minha vida, toda a minha   energia, toda a minha coragem, toda a capacidade que posso ter como homem, até   ao dia em que morrer, ao serviço do meu povo, na Guiné e Cabo Verde. Ao serviço da causa da humanidade, para dar a minha contribuição, na medida do possível, para a vida do homem se tornar melhor no mundo. Este é que é o meu trabalho”.

E com que desafios se tem deparado nesta sua missão de potencializar pessoas e organizações? 

Temos muitos e grandes desafios – Conquistar o mercado cabo-verdiano e da CDEAO e poder enfrentar o desafio do mercado: de ajudar os gestores a focarem na execução – fazer acontecer e sair da sua zona de conforto para se poder ter resultados extraordinários; da implementação de novas praticas para se poder criar novas culturas organizacionais e novas atitudes; de trabalhar competências de lideranças potenciando performance das equipas e o aumento dos seus resultados; da conscientização, ou seja ensinar as pessoas a desenvolver a sua consciência. A consciência é a chave. Quanto mais as pessoas treinarem a sua consciência, mais sensibilidade terão para a sua própria consciência. E aí podemos provocar a mudança. 

Que importância assume atualmente o capital humano nas empresas? 

Na minha opinião, o capital humano é a dimensão mais valiosa nas organizações e a dimensão mais importante do capital intelectual, e o líder deve reconhecer e manifestar este valor de forma que as pessoas fiquem inspiradas ao vê-lo em si próprias. Para fazer com que as pessoas ajam por si mesmas, elas precisam de afirmação. Vale a pena citar a metáfora de acender um fósforo. Primeiro, é necessário que haja fricção para acendê-lo, mas, uma vez aceso, seu fogo pode acender outros fósforos. No caso dos colaboradores, o bom relacionamento do líder com eles pode fazer com que esse valor se materialize e os  “contamine”. Uma das melhores formas de um líder transmitir tudo isso é ouvir os colaboradores para que estes sintam que sua opinião importa, que suas convicções e sentimentos são respeitados, que eles são verdadeiramente valorizados. Outra maneira é instalar sistemas que tratem os colaboradores como investimento e não como despesa.

Que características considera serem fundamentais para uma boa gestão de pessoas e de empresas? 

Para mim, gostar de pessoas é uma característica fundamental. Ter uma visão ampla do negócio, saber gerir complexidades e mudanças, desenvolver a si mesmo e aos outros, ter alinhamento emocional e focar nos resultados. Ou seja, o caráter e a competência conferem a credibilidade necessária ao profissional que assumir a tão nobre e difícil missão que é desenvolver uma equipa, transformar as pessoas em melhores versões delas mesmas e alcançar grandes resultados. Só desta forma é que podemos afirmar que existiu uma liderança efetiva.