Dez Anos de Administração na Luma. Que balanço faz desta década?

Esta última década foi uma época de muitas mudanças não só a nível global como na própria Luma. A Luma existe desde 1989 e a propósito deste tema, nestas quase três décadas, na maioria do tempo foi gerida por mulheres. Em 2003 a Luma entra para o Grupo Promosoft e em 2007 dá-se uma cisão entre as empresas do Grupo. A Luma em conjunto com a SGgapi (antiga Promosoft SG) passam a ter uma nova administração. Embora fizesse parte da nova administração e acompanhasse todos os processos, por inerência passei a exercer a função executiva em 2014 após a morte do CEO Dr. Bilelo Gonçalves.

Em 2008 alguns processos tiveram que ser agilizados e racionalizados. A procura de novas áreas de atividade, sobretudo porque a Luma tinha uma forte implementação no setor bancário, a internacionalização para Espanha e o estreitar de parcerias com empresas em Angola foram projetos fundamentais para a nossa evolução.

Os nossos clientes são uma preocupação constante, nesta ultima década houve um grande esforço e criatividade em ajudá-los a encontrar soluções que se adaptam a nova situação das empresas.

Continuamos à procura de inovar e crescer com novos clientes, serviços ou parcerias porque a saída da crise ainda é muito ténue.

Quais as suas responsabilidades enquanto administradora de uma empresa?

À parte das questões correntes, que tanto tempo nos tomam, o mais importante será mesmo a definição de uma estratégia, a forma de comunicá-la e o planeamento das necessidades para que os objetivos sejam atingidos. A comunicação é um dos pontos fundamentais para o sucesso, é muito importante saber ouvir e permitir a troca de ideias.

Fazer com que toda a equipa esteja motivada, principalmente em fases difíceis. A Luma não é apenas a sua administração e colaboradores. É um conjunto, que engloba também clientes e todas as entidades externas necessárias a sua existência, que deve funcionar em harmonia.

O ser mulher foi, em algum momento, um entrave ao seu crescimento profissional?

Não, nunca senti que fosse um entrave.

Porque será a tecnologia da informação ainda uma área para poucas mulheres? A questão é meramente cultural, qual é a sua opinião?

Actualmente não considero que seja uma questão cultural. Os números revelam que essa tendência está a mudar. A sociedade tem integrado naturalmente o trabalho feminino em qualquer setor nomeadamente o nosso, mas isso não se faz de um dia para o outro. Também é necessário haver interesse, dentro das tecnologias de informação existem áreas que as mulheres consideram mais interessantes do que outras.

Tem o tempo que deseja para fazer aquilo que gosta fora do trabalho?

Estamos sempre a gerir prioridades, quando é necessário e possível a família ou a vida pessoal toma a primazia. Para um bom desempenho a nível profissional é essencial termos tempo para descontrair e recuperar energias.

Que conselho daria a quem sonha em construir uma carreira profissional em alguma das áreas de tecnologias de informação?

O conselho que daria a qualquer pessoa, lutar pelo que quer, acreditar e nunca desistir. A nossa vida é constituída de vitórias e derrotas, o nosso sucesso depende da forma como encaramos ambas as situações. As vitórias servem de estímulo para continuar a desempenhar a nossa função e as derrotas dão-nos sabedoria para o futuro.