Ana Almada é International Business Consultant na Ana Almada Consulting & Investments e tem como foco negócios em países francófonos. Que potencial apresentam estes mercados?

Independentemente do continente onde se encontra o país francófono (Americano, Africano ou Europeu), este apresenta um enorme potencial em vários setores de negócio seja nos sectores agroalimentares ou das energias renováveis, por exemplo.

Além disso, no decorrer do meu trabalho com esses países francófonos contacto diretamente os nativos dos referidos países e, na maioria dos casos, desconhecem os produtos de origem portuguesa e quando têm essa oportunidade, até têm uma agradável surpresa porque a nossa produção tem uma elevada qualidade.

No que diz respeito ao continente norte-americano, temos o caso do Canadá que está a aproveitar as lacunas das políticas externas dos EUA para estabelecer acordos comerciais com outros blocos, como seja a União Europeia. Uma vez mais, Portugal tem aqui mais uma grande oportunidade de crescimento tendo em conta a conjuntura atual.

No que concerne os países francófonos situados no continente Africano, é uma excelente oportunidade de expansão em várias áreas de negócio visto que ainda há muito por fazer em vários setores, desde a construção civil, energias renováveis, agroalimentar, etc., numa ótica de sustentabilidade ambiental.

Tem em mãos vários projetos de índole internacional de forma a ajudar as empresas no processo de internacionalização para outros mercados. Com que serviços e valências se apresenta Ana Almada Consulting & Investments no mercado?

A Ana Almada Consulting & Investments é uma empresa de consultoria que se propõe a desenvolver todo o processo de internacionalização.

Dito isto, a empresa presta auxílio em serviços tão variados como: procura de clientes/parceiros/investidores (como é o caso do projeto Inserra para o desenvolvimento da região do Sotavento Algarvio e Baixo Guadiana com necessidade de investidores); tradução de material promocional (folhetos, websites, etc.); negociação; promoção de eventos no estrangeiro; acompanhamento em missões empresariais individuais no estrangeiro; auxílio no estabelecimento de empresas estrangeiras em Portugal; representação de empresas estrangeiras em Portugal.

Como cada empresa é analisada de forma personalizada, até se pode dar o caso de haver serviços à medida dessa mesma.

Nasceu em França, onde viveu durante a infância (até aos 12 anos), e é formada em Relações Internacionais. Tratam-se de duas mais-valias para os mercados onde atua. Mas que outros fatores contribuem para a diferenciação da empresa?

A empresa diferencia-se desde logo pelo foco nos mercados onde trabalha (Francofonia), não sendo exclusivo. Para além disso, há uma nova forma de abordar as relações económicas internacionais, ou seja, com a Ana Almada Consulting & Investments, primeiro, encontramos e negociamos com o parceiro / cliente a partir de Portugal e só depois, quando necessitamos de visitar esse parceiro, podemos então solicitar um apoio dos fundos comunitários.

É uma abordagem clara, objetiva e personalizada das próprias relações económicas internacionais com a maximização das TIC mais adequada a cada país / produto.

Recentemente também tem tido contactos na Áustria e Nigéria. Qual será o caminho a percorrer pela empresa? Por onde passa o futuro da Ana Almada Consulting & Investments?

No que diz respeito ao futuro da Ana Almada Consulting & Investments, a médio prazo passará pela consolidação das parcerias estabelecidas até agora sob a forma de filiais (Tunísia, Argélia, Áustria, Costa do Marfim, Nigéria e França).

Numa segunda fase, apostar em outros mercados emergentes que também possam ser benéficos para as empresas exportadoras da mesma forma que desenvolvi os mercados anteriores.

Igualmente, está projetado o desenvolvimento da vertente de Responsabilidade Social da empresa, elegendo como causa a problemática das famílias carenciadas e sem-abrigo.

Atualmente está a apostar na promoção da internacionalização de empresas no âmbito da parceria Portugal-Argélia no setor das energias renováveis. Que mais-valias acarreta esta parceria para as empresas portuguesas?

Antes de mais, quero esclarecer que esta parceria não é feita entre Portugal e Argélia mas sim, entre a minha empresa e associações empresariais estabelecidas na Argélia.

Essa mais-valia proporciona desde logo um contacto direto com as autoridades do país e uma visão mais realista do mercado. As associações empresariais argelinas pretendem estabelecer parcerias com associações empresariais portuguesas, simplesmente estas últimas não me têm dado qualquer feedback no sentido de querer aprofundar as relações económicas entre os dois países por essa via.

O setor das energias renováveis é uma das apostas mais importantes por parte do governo argelino nos próximos anos de tal forma que o Governo tem em curso um novo programa para as Energias Renováveis e Eficiência Energética (2015-2030).

Hoje, as empresas procuram cada vez mais a diferenciação, a criatividade, a relação humana e a fluência na comunicação. Por estas razões, diz-se que as competências de liderança que as empresas procuram são mais facilmente encontradas nas mulheres. Concorda?

Acredito que essas competências podem ser encontradas tanto nos homens como nas mulheres. É uma questão de desenvolvimento pessoal e por isso mesmo, podem ser adquiridas com formação ao longo da vida.

Que fatores ou características intrínsecas considera terem sido decisivos para alcançar o patamar onde se encontra?

Paixão pela atividade, honestidade, perseverança, confiança, um pouco de intuição e desenvolvimento de oportunidades quando elas surgem.

O género não pode ser visto, por si só, como uma marca distintiva. No entanto, a desigualdade de género, não só a nível profissional, continua a ser uma realidade. A Ana alguma vez foi vítima de discriminação pelo facto de ser mulher?

Até hoje não senti qualquer discriminação pelo facto de ser mulher.

Para si, onde deveria começar a mudança deste estigma? Ainda há um longo caminho a percorrer?

Como qualquer mudança, ela deve começar por um lado, desde a mais tenra idade e nas escolas e, depois, na sociedade civil.

A situação atual está melhor, mas ainda há um longo caminho a percorrer no que diz respeito à liderança feminina. Deparo-me sobretudo com essa situação quando vou a eventos relacionados com a minha área.

As mulheres são o futuro? Ou como se costuma dizer, o mundo é cada vez mais das mulheres?

As mulheres, de um ponto de vista global, são o futuro e encontram-se, globalmente, cada vez mais associações de mulheres (agrícolas, artesanato). Elas possuem cada vez mais habilitações académicas e são o motor de desenvolvimento da sua região.