Trabalhou em marketing, em assessoria, como relações públicas e até escreveu um livro, hoje é empresária. Com uma história profissional tão dinâmica a pergunta que se impõe é quem é Carmen Alves?

Carmen Alves é uma mulher muito simples, que teve um percurso pessoal extremamente difícil, e que por isso mesmo desde cedo se habituou a lutar pelos seus objetivos. Apenas isso. Enquanto criança tive uma vida humilde, perdi a mãe cedo, mas fui ensinada a nunca desistir dos objetivos, fossem eles quais fossem. Sempre trabalhei e estudei, desde os 16 anos. Creio que terá sido esse início de vida precoce que me tornou numa mulher determinada, o que veio a refletir-se na minha vida profissional.

A experiência mais significativa da minha vida foi de facto o Grupo Lena, onde me formei profissionalmente e onde tive a oportunidade de criar e desenvolver, durante 17 anos e junto das melhores pessoas, projetos de enorme responsabilidade, tanto como Diretora de Marketing como enquanto Assessora de Administração. Foi lá que tive o privilégio de aprender e de formar-me junto das melhores pessoas e dos melhores profissionais que, reconheço, desde cedo viram em mim a determinação e a ousadia necessárias a assumir algumas posições de destaque na organização. Parte-se-me por isso o coração e entristece-me deveras, conhecendo pessoal e profissionalmente cada um dos seus líderes, ver as injustiças e julgamentos públicos a que o Grupo Lena tem estado exposto nos últimos tempos; algo que só quem não conhece pode alimentar e acreditar…

A Pullover aparece em que fase da sua vida? Era já um sonho antigo?

A PullOver é uma loja multimarca com uma história de 30 anos no mercado de Leiria. Não se tratou de um sonho mas de uma oportunidade para desenvolver um conceito já pré-existente: o de uma imagem irreverente ajustada à realidade profissional. Acredito que há espaço no mercado para esse conceito, porque se diferencia do conceito habitual de vestuário, define um estilo muito próprio baseado na diferença e na exclusividade que as pessoas não têm que ter medo de assumir só porque a maioria “reprime”. Por isso me envolvi pessoalmente, sendo o exemplo disso mesmo e ajudando a incentivar os clientes para sair fora do conceito clássico.

Já escrever… isso sim é um sonho antigo baseado numa espécie de “missão” de partilhar experiências próprias que possam ser úteis a outrem.

Qual é a melhor coisa que retira de se ter tornado empresária?

A possibilidade de criar, de inovar, de ousar. A consciência do risco é importante na nossa vida e é um papel que não é para todos, pois é frequentemente desconfortável e até incerto. É risco, ponto. À dimensão de cada projeto naturalmente, mas é preciso ter uma capacidade de assumir riscos que não são fáceis e que se refletem financeiramente no nosso próprio bolso. Estar dos dois lados do cenário – empregada e empregadora – faz-me compreender ambos os papéis e a ponderar melhor todas as opções. É preciso ter espírito positivo e capacidade de encaixe para lidar com as consequências dos momentos mais difíceis dos negócios. Da mesma forma que é compensador sempre que fazemos bem o nosso trabalho. E a beleza está nisso mesmo, nessa capacidade de equilíbrio.

Na sua opinião, existe desigualdade no tratamento de homens e mulheres por parte das empresas?

Eu sou suspeita para falar nisso, porque nunca o senti. Tive a sorte de trabalhar com pessoas fantásticas e de uma formação excecional, onde a meritocracia era a base da evolução na carreira. No meio de tanta formalidade própria às funções que assumi, a imagem mais ou menos ousada nunca foi um problema. Comparativamente aos homens, nunca senti qualquer tipo de tratamento diferenciado, inclusivamente ao nível salarial. Acredito que quando nos destacamos, sejamos homens ou mulheres somos recompensados de igual forma; mas acredito nisso porque é somente essa a realidade que eu conheço. Agora acho que há profissões onde destacar-se dos homens é de facto muito mais difícil, por exemplo no setor da construção: uma área fundamentalmente de homens e de mão-de-obra masculina e onde uma liderança feminina mais difícil é de assumir. Mas isso é uma coisa natural, faz parte da área e há que saber entender isso. Há profissões onde se enquadram mais os homens e outras onde se enquadram melhor as mulheres, sejamos realistas. Não se trata de desigualdade, trata-se de demorar mais tempo a sobressair, talvez principalmente por questões culturais ou de força bruta, e nesse sentido o papel é mais dificultado às mulheres.

Três coisas que as mulheres empreendedoras precisam de saber…?

Primeira: ser mãe, mulher e profissional ao mesmo tempo é possível. É difícil, mas é possível.

Segunda: a inteligência emocional é um privilégio das mulheres. Uma vantagem que coloca na mulher a responsabilidade maior do equilíbrio dentro das organizações. Terceira: nunca desistir. Nunca!

Uma mensagem de uma mulher empreendedora para outras que vão ler a sua entrevista.

Be yourself, be PullOver !