Ciência e os novos conhecimentos

“A ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos”, afirma Alves de Matos, Diretor Executivo do CiiEM - Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz, que em entrevista à Revista Pontos de Vista abordou um pouco mais desta dinâmica da inovação, tecnologia, investigação e o desenvolvimento.

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Que papel tem vindo a assumir a inovação, tecnologia, investigação e o desenvolvimento, para alcançar novas vantagens, nas organizações, sociedade e economia? 

A ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a cooperativa de ensino superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos. Estes podem responder a grandes problemas sociais, referir-se a desenvolvimentos importantes para a atividade produtiva de uma empresa, ou situar-se no campo da ciência dita “fundamental”, que por vezes é entendida como desligada das realidades, e preterida em favor da ciência dita “aplicada”, uma vez que esta tem visivelmente algo a ver com a solução de problemas concretos. A ironia das coisas faz com que os resultados sejam muitas vezes desconcertantes. Um desenvolvimento na área da ciência pura ou fundamental, abre frequentemente caminho a novas soluções e atividades com grande impacto na sociedade, contra todas as expectativas e impossíveis de prever. Por outro lado, a investigação mais aplicada, pode deparar-se com grandes dificuldades em ver os seus avanços efetivamente aproveitados pelo tecido social e empresarial, levando muito tempo a ter algum impacto significativo.

Mas o valor da atividade de investigação está também na criação de uma elite de profissionais dotados de um conhecimento atualizado e de uma atitude perante os problemas práticos que permite a procura de soluções inovadoras. Mas é preciso ainda progredir muito neste campo.

Qual o papel das unidades e centros de inovação, investigação e desenvolvimento na promoção do conhecimento junto da sociedade e das organizações?

Não tanta quanto desejável. Atualmente esse potencial de conhecimento tende a ser crescentemente reconhecido, sendo os investigadores incentivados a fazer chegar à sociedade os resultados, implicações e potencialidades do seu trabalho. Em sentido por vezes inverso, a sociedade exige cada vez mais, e frequentemente com ceticismo, saber quais os benefícios do seu investimento em ciência, resposta que nem sempre é fácil de equacionar em termos simples. A divulgação da ciência é uma área crítica mas complexa, onde se podem formar polémicas pouco produtivas entre conhecimentos válidos, por verdadeiros (prefiro não usar o termo já distorcido de “científicos”…) e grupos de pressão que apelam ao desconhecido apenas como forma de criar um cenário encantador e envolvente, cheio de conspirações e de mistérios, capaz de mobilizar uma adesão significativa. Veja-se o que se passa nos EUA com os movimentos anti-evolucionistas.

Para as organizações, a existência de centros de investigação institucionalizados como o CiiEM na cooperativa de ensino superior Egas Moniz e capazes de interagir de modo eficaz com a atividade produtiva da organização, é essencial para que esta se possa aperfeiçoar e adaptar ao ambiente social em mutação constante, no qual está inserida.

Qual importância de criação de sinergias entre diferentes entidades ligadas investigação e desenvolvimento do conhecimento e as organizações e que vantagens advêm daí? 

O quebrar o isolamento dos centros de investigação permitindo a sua evolução em colaboração e competição válida com os seus congéneres associados. Este é um dos objetivos centrais do CiiEM – incentivar parcerias entre as estruturas da Egas Moniz empenhadas em investigação e desenvolvimento para a formação de redes quer com parceiros internos quer externos. Hoje em dia, a ciência é em muitos casos um empreendimento complexo e multidisciplinar pelo que há benefícios importantes na complementação em termos de tecnologias e conhecimentos, que dificilmente se podem obter dentro de uma única organização. Por último a obtenção de uma massa crítica capaz de levar a cabo empreendimentos de dimensões significativas. No conjunto, a criação de redes temáticas juntando diversas organizações em torno de objetivos comuns e bem estruturados, é uma enorme força motriz da atividade científica, assumindo em larga medida o papel de outros tipos de organizações como as sociedades científicas, sem no entanto as substituir. Foi no seio destas que muitos de nós beneficiámos do contacto com os pares.

Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM)

O centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM) é uma organização recente em fase de estruturação e desenvolvimento. O centro pertence à Egas Moniz, cooperativa de ensino superior, que tem uma atividade de ensino superior e politécnico extremamente importante através dos Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz (universidade) e Escola Superior de Saúde Egas Moniz (politécnico) em que participam mais de 400 professores. A Egas Moniz desempenha também funções assistenciais na área da saúde, de grande dimensão e impacto. Basta mencionar a clínica dentária com cerca de 60000 consultas anuais, e em crescimento. Outras unidades são a Egas Moniz / Clínica de Almada, a Egas Moniz / Clínica Universitária de Setúbal (em instalação) e a Residência Sénior Egas Moniz em Sesimbra. Estas clínicas cobrem a medicina dentária, fisioterapia, enfermagem, nutrição, terapia da fala e psicologia clínica e forense.

Outras estruturas com funções pedagógicas e assistenciais são o centro de genética médica e nutrição pediátrica, o centro de microscopia eletrónica e histopatologia, o gabinete de informação e assistência às vítimas, o gabinete de psicologia forense, o grupo de ciências sociais aplicadas, o laboratório de ciências forenses e psicologia e o laboratório de microbiologia aplicada.

Neste contexto o CiiEM pretende assegurar a manutenção e crescimento de uma dinâmica de investigação de elevada qualidade, sem esquecer a transferência do conhecimento adquirido e criado por essa atividade para as unidades de ensino e assistenciais mencionadas. Muitas melhorias e inovações introduzidas nalgumas unidades, como a clínica dentária surgem já no contexto dessa dinâmica.

Sabia que?

Considerando especificamente a atividade de investigação, o CiiEM está atento não apenas à investigação interna, mas promove ativamente a participação em redes e a colaboração com outros centros de investigação, no espírito do que se disse nos temas anteriores. É disso exemplo a realização em 11-13 de junho próximo de um congresso “research and innovation in human and health sciences” em que serão apresentadas 200 comunicações, com participação não apenas da Egas Moniz mas de quase todas as grandes universidades do país, diversas universidades dos EUA, UK, Espanha e Brasil e alguns centros hospitalares. O congresso é um evento que congrega as instituições com as quais a Egas Moniz e em particular o CiiEM têm colaborações ativas a nível científico.

A página do congresso está em http://ciiem2017.healthsci.net.