Formada em Engenharia Química, o prelúdio do trajeto profissional da nossa entrevistada foi realizado em ambiente industrial, como engenheira, sendo que ao fim de sete anos “percebi que tinha de mudar. Parei um ano, investi em mim e num MBA e foi assim que dei o salto para a área de gestão e entrei na Janssen. Sinto que o meu percurso foi percorrido de forma natural, dando sempre o meu melhor e desafiando-me constantemente, e as oportunidades foram surgindo”, começa por contar a nossa interlocutora que explica que a carreira profissional deve ser acompanhada por quatro fatores: Objetividade, aprendizagem contínua, abertura a novos desafios e capacidade de adaptação. “Acima de tudo, diria que em toda a minha atividade profissional a palavra evolução foi uma constante, ou seja, aprendizagem, muita abertura e capacidade de adaptação a novos desafios, mantendo o foco no essencial”. Aconselha as pessoas, independentemente de serem mulheres ou homens, a terem uma atitude de abertura, principalmente quando “existe uma chefia que não nos compreende, sendo muito importante saber gerir as expectativas e ter uma atitude de transparência e de partilha”. Explica que há 14 anos não pensava tornar-se diretora geral, até porque esse parecia ser um cargo muito distante. Porém, a maturidade aliou-se à experiência e a progressão foi acontecendo, somando e consolidando experiências diversas, sentindo-se constantemente desafiada, acreditando que “é com as dificuldades que se cresce”. Antes de assumir o cargo na direção da filial portuguesa viveu dois anos em Itália e, sobre o que conheceu, diz ter ficado com a impressão de que Portugal está mais à frente na questão da progressão profissional das mulheres. “Em Itália, daquilo que vi, há um mercado laboral mais tradicional, menos aberto à evolução profissional das mulheres. Neste aspeto, acho que Portugal tem evoluído, mas ainda há um grande caminho para fazermos. Se virmos o exemplo de países do Norte da Europa, podemos apostar mais na vertente da flexibilidade do trabalho (permitir trabalhar a partir de casa, manter horários mais flexíveis, menos horas extra). Com a certeza de que “o lugar onde chegamos depende sobretudo de nós”, Filipa Mota e Costa confia que, neste momento, está “na posição certa” e garante que 14 anos não foram muito nem pouco tempo, mas sim o tempo “ideal” para si.

O desafio de um Líder

Se o repto de ser diretora geral já é por si só um grande desafio, a nossa entrevistada ressalva que há um outro que o supera: “o maior desafio é encontrar e manter o equilíbrio entre a vida pessoal e a vida profissional, algo essencial para conseguir ter o foco e a energia necessários para o desempenho das nossas funções. Depende muito de cada um mas, acima de tudo, temos de ser fiéis a nós próprios e reconhecer os nossos valores, o momento e os limites. Há momentos na vida profissional em que pode ser preciso «esticar essa simetria.» “Olhando para trás, sei que também eu, por vezes, estiquei o meu equilíbrio. Há fases e circunstâncias  de vida e há também fases nas empresas (novas funções, novos produtos ou até crises).  Há que reconhecer esses momentos e tomar decisões conscientes. O trabalho é uma grande parte da vida, há que garantir que é também fonte de satisfação e desenvolvimento pessoal.  Garante que encontrar esta harmonia é um exercício moroso e que requer, além de experiência, maturidade. Estar na linha da frente da Janssen é encarado como uma grande responsabilidade, não só “por todos os fatores inerentes à área de atividade da empresa – a saúde (garantindo que os doentes em Portugal têm acesso aos benefícios dos produtos da Janssen quando necessitam), mas também uma grande responsabilidade para com os 140 colaboradores em Portugal de forma a garantir um ambiente de trabalho saudável, e com oportunidades de desenvolvimento para que cada um se sinta realizado.  Revela nunca se ter sentido discriminada por ser mulher numa empresa em que a diversidade é um valor “dito e vivido”, e onde a nível internacional há várias mulheres em cargos de liderança. Em Portugal, 60% dos colaboradores da Janssen são mulheres, numa proporção equilibrada em cargos seniores de gestão e liderança. “Não escolhemos quem trabalha connosco pelo género, mas pelas competências. Este número reflete talvez o facto de recrutarmos muitos jovens profissionais nas áreas das ciências da vida, onde há mais mulheres nas faculdades. No entanto, reforça que não é o género que faz a diferença e sim as competências e a atitude positiva perante os desafios”. A diversidade é um fator muito valorizado pela Janssen, não só de género, mas a múltiplos níveis, como cultura, idade, formação ou experiência.

“Todos temos um papel na mudança”

Sobre o papel de líder que desempenha todos os dias, a diretora considera que o facto de ser mulher “não faz com que alguém seja melhor ou pior líder, mas sim a forma como encaramos os desafios e como lidamos com os outros”. Chama a atenção para os gestores portugueses, dizendo que há muitos casos de grande sucesso e alerta que, por cá, temos de começar a ver um “copo meio cheio” tendo em conta os excelentes exemplos de gestão. Dito isto, a diretora dirige algumas palavras a jovens profissionais sobre a atitude que, segundo a própria, resultou consigo mesma. “É muito importante, em todas as fases profissionais, mantermos uma atitude de abertura à mudança, que é constante, e capacidade de adaptação. A atitude positiva move montanhas, torna possível o que nos parecia impossível, por isso é preciso acreditar e agir, fazer acontecer. Todos temos um papel na mudança. Devemos encarar os desafios como oportunidades de crescimento porque o são”, afirma a nossa entrevistada. Sobre as características que um bom líder deverá ter Filipa Mota e Costa é assertiva: “é aquele que inspira a sua equipa a dar o seu melhor. Para que isso aconteça, as pessoas têm de compreender o que fazem e porque o fazem. Ser líder é ter a visão para onde queremos ir, estar próximo, ouvir, comunicar e ser parte da equipa”, conclui a nossa entrevistada.