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“Preparo mulheres para a liderança”

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“Preparo mulheres para a liderança”

Priscilla de Sá tem 41 anos e é jornalista, psicóloga, coach, palestrante e mãe. Qual é a característica comum a cada uma destas mulheres?

Todas as mulheres que há em mim se questionam: “por que não pode ser melhor?” E recusam-se a aceitar o “sempre foi assim” em resposta.

Priscilla de Sá “prepara” mulheres para a liderança. De que forma intervém na vida das mulheres?

Como coach, atuo em dois níveis indissociáveis: o emocional e o técnico. Não basta ter um currículo poderoso e não entender de gente. E possuir soft skills sem competência é igualmente catastrófico.

Como mentora, auxilio empreendedoras a posicionarem-se mercadologicamente, estabelecerem sinergia com os sócios e, sobretudo, a substituírem a atitude de “donas de um negociozinho” pela de grandes empresárias.

Como palestrante, ajudo profissionais a identificarem obstáculos e apresento ferramentas para liderarem melhor. As organizações globais procuram-me para implementar comitês femininos, que nas matrizes americanas e europeias já funcionam há algum tempo. Se não forem bem geridos, correm o risco de se tornarem “chá de mulherzinhas”, o que pode ser divertido, mas foge ao propósito.

Como consultora, ajudo marcas a comunicarem com as detentoras de cerca de 85% das decisões de compra, que já não adquirem um produto só porque ele é cor-de-rosa.

“Empoderar uma mulher não é subtrair o poder de um homem. É revelar o poder que há dentro dela, para o bem de todos.” As mulheres podem ser tão boas ou melhor líderes do que os homens? Ou a liderança não depende do género?

Não há limitação biológica para que as mulheres tomem decisões racionais e negociem com os chineses. Nem para que homens sejam empáticos e penteiem os cabelos das filhas. Se possuímos diferentes habilidades é apenas porque temos treinado mais umas do que outras há milénios.

Segundo um estudo da Informa D&B, as mulheres lideravam apenas 28,5 por cento das empresas portuguesas no final do ano passado, sendo elas 42,2 por cento da força geral das empresas. E, em média, as mulheres europeias ganham menos 16 por cento do que os homens. Por onde deve começar a mudança deste paradigma?

Quanto maiores as empresas, mais lentas se movem porque são viciadas nas fórmulas que garantiram vitórias passadas. Entretanto, é a diversidade que vai garantir vitórias futuras.

A mudança é irreversível e tem de ocorrer em três níveis, não importando por onde comece.

Organizações: não apenas empregando mais mulheres e criando um clima suportivo, mas capacitando-as a subirem para além da média gerência.

Indivíduos: Pesquisar a média salarial para a função e negociar no ato da contratação fazem a diferença no acumulado da carreira. As mulheres entre 18 e 24 anos vão às entrevistas de emprego desejosas por saber se naquela empresa os talentos femininos são valorizados. A nova geração de mulheres não vai ficar onde não puder se expressar.

Sociedade: Cabe às famílias e aos educadores ampliarem as possibilidades para meninas e meninos. Segundo um estudo da Universidade de Washington, os homens só são maioria nas carreiras STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) porque acreditam desde cedo que são bons nisso.

É pioneira em Coaching Online tendo, em 2008, criado o primeiro programa brasileiro de coaching de carreira online para mulheres. Como define o conceito de coaching de carreira e de que forma muda a vida profissional das mulheres?

É o processo de retomada do controlo sobre a vida que começa por substituir o “o que você vai ser quando crescer?” que ouvimos na infância, pelo “que tipo de mulher você quer se tornar?”.

Inconformada com o facto de as mulheres representarem menos de 10% de CEOs em todo o mundo (e 5% nas organizações brasileiras), criou, igualmente em 2008, um método para desenvolver a Liderança Feminina, sendo requisitada para palestrar sobre o tema. Que mensagem gostaria de deixar a todas as nossas mulheres leitoras?

“Dar uma forcinha” não é o nome do que você faz todos os dias. O nome disso é liderança. O que falta é ampliá-la aos espaços de poder.

Priscilla de Sá é uma referência em comportamento feminino. Quando é que ganhou consciência da influência que podia exercer na vida de outras mulheres?

Comecei como coach de carreira para jovens, em 2008. As mães viam a paixão, o foco e a disciplina que os filhos adquiriam e pediam “quero que você faça comigo o que fez com meu filho”. Então eu percebi que o meu impacto social seria maior por meio delas porque mulheres são multiplicadoras.

Podemos afirmar que as “as mulheres são o futuro”?

As mulheres são o presente. Em 2016, elas gastaram em e-commerce tanto quanto os homens, usando os cartões de crédito delas.

É uma mulher incansável e multifacetada. Tem alguma surpresa guardada para o futuro ou novos projetos pensados?

Expandir o empoderamento a mais e mais mulheres. Projetos digitais a caminho.

Como se descreveria a si própria? Quem é Priscilla de Sá?

Uma mulher que prefere o caminho bem pavimentado aos atalhos.

O que a motiva a si enquanto mulher?

Saber que mudo o estado mental das pessoas.

As suas palestras são para “mulheres que sabem aonde querem chegar e que só precisam de uma injeção de ânimo para manter o foco, a disciplina e a paixão em alta”. Onde se inspira para falar às mulheres?

Nas mulheres que abriram as portas para que pudéssemos estudar, votar e escolher nossos maridos. Nas nossas mães e avós, que nos trouxeram até aqui. Nas nossas filhas e noras que vão continuar a história.

Às mulheres são atribuídos múltiplos papéis. Esposa, mãe, dona de casa e profissional, sendo, por vezes, difícil a gestão desta tarefas. Precisam de ser supermulheres para conseguir conciliar tudo e alcançar o sucesso nas várias vertentes?

As campanhas publicitárias enaltecem a mulher que dá conta de tudo e termina o dia linda. Acreditamos que é esse o nosso dever e compramos um batom de longa duração. Assim, caímos na armadilha do multitasking: manter-nos superocupadas e subprodutivas.

O mundo não precisa de supermulheres nem de super-homens, precisa de pessoas inteiras nas suas escolhas. Essa é a essência do sucesso.

Estudos recentes revelam que a diversidade de género na administração de uma empresa impulsiona a performance e aumenta as receitas. Para si mulheres e negócios significa…?

Multiplicar a capacidade de resolver problemas. Parece inteligente desprezar esse potencial?

 

O QUE ELAS DIZEM…

“Em 2016 estabelecemos o WIN (Women Inclusion Network) com forte apoio do nosso chairman Isaac Deutsch. A nossa missão é prover um ambiente de trabalho estimulante às mulheres, favorável ao seu desenvolvimento, viabilizando ferramentas, recursos e oportunidades para a otimização das suas habilidades e competências para o sucesso da carreira profissional.

Encerramos o ano de 2016, com a palestra da Priscilla de Sá, que foi crucial  para solidificar o nosso projeto, pois reforçou a importância da promoção da diversidade e inclusão no ambiente de trabalho. Foi nítida a conscientização dos colaboradores do banco quanto à situação das mulheres e os seus desafios no desenvolvimento da sua carreira. Há ainda muito a fazer, mas temos convicção do sucesso dessa iniciativa em virtude do compromisso global do Sumitomo Mitsui Financial Group na criação de uma cultura de diversidade e inclusão.”

Cristina Shiota – Diretora de Risco, Compliance e Segurança da Informação Banco Sumitomo Mitsui Brasileiro

 

“Conheci a Priscilla de Sá em 2015, num evento para mulheres, organizado pela empresa em que trabalho. Ela fez uma palestra sobre liderança feminina e cada palavra que ela dizia fazia muito sentido para mim. Saí de lá com a certeza de que queria fazer coaching com ela.

O nosso processo e, a cada encontro, eu me descobria como mulher e como profissional. A Priscilla entende os cenários muito rápido e tem uma perceção muito assertiva sobre pessoas e empresas, isso facilitou muito quando eu comentava alguma situação que estava a viver no trabalho – parecia até que ela conhecia as pessoas!

A cada situação difícil que eu enfrentava – e não foram poucas – ela estava disponível para me ouvir, me fazer pensar e me apoiar na ação. Essa presença que ela consegue ter, mesmo quando está no Japão, faz-nos sentir amparadas e apoiadas.

Em pouco tempo, comecei a receber feedbacks positivos do meu gestor e de colegas de trabalho sobre as mudanças de atitude que eu estava a ter por causa do coaching, e eu consegui fazer a mudança de chave de analista para coordenadora.

Fazer coaching com uma mulher poderosa faz a gente se empoderar também!”

Clara Salarinitalent – Management Coordinator Alstom Transportes Brasil

“Em tempos de crise, aqui no Brasil, é muito bom poder contar com o suporte da Priscilla para ampliar novas frentes de trabalho e não ficarmos focados num único produto.

Este ano, estamos a procurar atrair e entender melhor o cliente por meio das novas ferramentas – mais lógicas e rápidas – do Marketing Digital, a fim de gerar novos negócios.

Eu adoro fazer esse trabalho com a Priscilla. Com a assessoria dela, a equipa melhorou muito e sabemos que podemos contar com ela para desenvolver novos negócios.”

Rita Perrela Ceo – Lumitenzi Importação e Exportação

“Priscilla quebra paradigmas desconstruindo crenças. Traz luz ao velho modo de pensar e insere, de forma clara, direta e motivante o conceito de que somos uma versão inacabada de nós mesmos: a versão beta, alinhada ao pensamento exponencial desta nova era. As suas palestras são um convite a ingressarmos neste pensamento transformador e promovermos, com segurança, a nossa metamorfose.”

Simone Caggiano – Head of Human Resources – Audi do Brasil