Os partidos que asseguram o poder na Comunidade Autónoma, Juntos pelo Sim (JxSí, coligação separatista de direita e esquerda) e a Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema esquerda separatista), explicaram ainda que, caso ganhe o “não”, o Governo catalão (Generalitat) convocará eleições para a assembleia regional.

“Se uma maioria dos votos expressos forem a favor da criação de uma república catalã, será evidentemente e imediatamente declarada a independência”, disse Gabriela Serra, deputada regional da CUP, citada pela agência AFP, na apresentação da futura lei para preparar o referendo, que deverá ser aprovada apenas em finais de agosto.

Essa lei “estabelecerá um regime jurídico excecional”, precisou por seu lado Jordi Orobitg, da coligação Juntos pelo Sim.

O texto também prevê a criação de uma autoridade eleitoral independente encarregue de organizar e supervisionar o ato eleitoral.

O presidente do governo regional da Catalunha anunciou a 09 de junho último a realização de um referendo sobre a independência desta região de Espanha em 01 de outubro próximo.

Na altura, Carles Puigdemont também assegurou que o executivo regional “se compromete a aplicar” o resultado do referendo.

O Governo de Madrid considera que é “ilegal e inegociável” a realização de um referendo sobre a independência da Catalunha.

Os partidos separatistas têm uma maioria de deputados no parlamento regional desde setembro de 2015, o que lhes deu a força necessária, em 2016, para declarar que iriam organizar este ano um referendo sobre a independência da Catalunha, mesmo sem o acordo de Madrid.

O conflito entre Madrid e a região mais rica de Espanha, com cerca de 7,5 milhões de habitantes, uma língua e culturas próprias, arrasta-se há várias décadas, mas tem vindo a subir de tom nos últimos anos.