Há uma clara tendência para definir os termos “compras” e “procurement” como sendo sinónimos – algo que é errado. Por isso, a questão que se impõe é: qual é a grande diferença entre “compras” e “procurement”?

Por compras entendem-se as atividades operacionais e de suporte à função de Procurement: a elaboração de notas de encomendas, a gestão de contratos e respetivas incidências, entre outras. Procurement acrescenta a estas, as atividades estratégicas de gestão que contribuem para a maximização de resultados financeiros das organizações: a segmentação e priorização de volumes de compras, estratégias de negociação, plano anual de compras, definição de objetivos de poupança, entre outras.

A língua portuguesa permite-nos traduzir o Purchasing (em compras), mas já não é tão benevolente com o termo Procurement o que também contribui para uma interpretação dúbia.

Na sua opinião, qual é a situação atual e que tendências regem o mercado do Procurement em Portugal?

Portugal está numa fase de crescimento económico que se reflete, com efeitos imediatos, nas necessidades de compra das empresas. Vivemos um período em que é necessário comprar mais para vender mais. Nesta lógica, as administrações das empresas identificam o procurement como uma das alavancas estratégicas para sustentar este crescimento. “Vendo melhor quanto comprar”. As relações com os fornecedores estão mais eficientes, alicerçadas em parcerias de médio/longo prazo e com foco na sustentabilidade de resultados.

Como pode ser descrito o trabalho que a Quay Procurement Consulting desenvolve para e com as empresas no sentido de as orientar no mercado?

A Quay atua em três áreas identificadas como pontos de melhoria nas estruturas de compras: a consultoria especializada desenvolvida por compradores para compradores; a negociação de bens e serviços de moderada e elevada complexidade e a qualificação de equipas de compras através da formação. É um trabalho personalizado, de muita proximidade que é possível devido à experiência de compras dos consultores em médias e grandes empresas mas, sobretudo, devido ao elevado grau de confiança estabelecido com os clientes que permite uma partilha de processos e dados financeiros de forma transparente.

Apesar de desenvolverem um trabalho independente das organizações onde operam, integram-se dentro das mesmas. Não há duas empresas iguais e com as mesmas necessidades…. Mas será possível definir um padrão sobre as carências mais evidentes?

Podemos dividir as empresas em dois grupos: as grandes empresas (nacionais e multinacionais) que têm estruturas de compras com nível de maturidade elevado, com processos eficientes e com equipas de compras qualificadas; e as PMEs (também algumas empresas de grande dimensão) que estão no caminho dessa mesma eficiência, mas necessitam de apoio quer nos processos operacionais quer nos estratégicos. Chegamos às empresas maioritariamente por dois motivos: para a redefinição e/ou criação de raiz de um departamento/estrutura de compras (desde a reorganização hierárquica e funcional até à identificação de ferramentas para a gestão diária) e para a negociação de categorias core e non-core. Estas exigem frequentemente um sourcing estratégico a nível mundial (ou local) e a análise técnica e quantitativa de volumes de compra mais elevados. Estes processos de negociação são selados com acordos de confidencialidade entre a Quay, cliente e fornecedores o que permite total transparência e maior potencial de ganhos para ambas as partes.

Detêm algumas parcerias internacionais (Procurement Academy Belgium/Germany; Group Demos; Cegoc – Grupo CEGOC-TEA; IFE – International Faculty for Executive). Como funcionam as mesmas?

As parcerias funcionam para a vertente da formação a empresas. As ações estão segmentadas em intraempresa e interempresa. Para as ações de formação a várias empresas no mesmo momento (interempresas) trabalhamos com os parceiros que são organizações especializadas neste serviço. Têm uma abrangência transversal, chegando a todos os setores e indústrias de forma muito eficaz. Por outro lado temos as ações intraempresa que são direcionadas às equipas de compras de uma única organização, com conteúdos construídos de acordo com as necessidades específicas dos colaboradores em sala. Neste caso, as empresas contactam-nos diretamente e inicia-se a fase de diagnóstico de necessidades.

No passado mês de Junho realizou-se, em Lisboa, o Congresso Anual da APCADEC (Associação Nacional de Compras e Aprovisioamento), um evento nacional cujo o tema foi “Futuro do Procurement: desafios e tendências”. Que análise faz sobre o evento e sobre a participação da Quay?

O congresso anual da APCADEC é, cada vez mais, o meio de excelência para o encontro dos profissionais do setor e um palco para o debate de temas atuais sobre procurement. Partilharam-se opiniões, conheceram-se dados estatísticos sobre a atividade e abordaram-se temas novos. Tive oportunidade de, como mulher, responsável por uma empresa de procurement, partilhar a minha opinião no painel sobre a participação das mulheres nas áreas do procurement. A paridade de género é um tema muito atual, discutido mundialmente a nível político e empresarial. Neste campo, também em Portugal e no Procurement, temos (mulheres e homens) um caminho a percorrer. Acredito que se for curto alcançaremos uma harmonia tão necessária na esfera pessoal como nas decisões de gestão das organizações.