O projeto Photo Ark nasceu pelas mãos de Joel Sartore, materializando o compromisso de fotografar todas as espécies em cativeiro do mundo. O intuito do projeto é levar as pessoas a encantarem-se pela biodiversidade do nosso planeta e a protegê-la. O projeto teve início em 2006 e, desde então, o fotógrafo da National Geographic já documentou 7.000 espécies.

Presente em vários países, como os Estados Unidos e a Austrália, a exposição Photo Ark estreia em Portugal pelas mãos da National Geographic, e vai estar em exibição na recém-inaugurada Galeria de Biodiversidade – Centro Ciência Viva, do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, com a missão muito especial de sensibilizar os portugueses para um desafio à escala mundial: a necessidade de preservação da vida selvagem e da biodiversidade. O tema não poderia ser mais premente: a biodiversidade é fundamental para a alimentação humana, para a qualidade do ar e da água, para a contenção de pragas e doenças; afinal, para a manutenção do equilíbrio do clima e do planeta. Ao protegermos a biodiversidade, estamos de facto a salvar o planeta e a espécie humana.

Para Vera Pinto Pereira, Executive Vice-President da National Geographic Partners em Portugal e Espanha, “O projeto Photo Ark é uma das missões mais importantes da National Geographic. Através do extraordinário trabalho de Joel Sartore, esperamos inspirar e sensibilizar os portugueses para esta missão. Sabemos que até os mais pequenos gestos podem ter um impacto muito positivo no futuro destas espécies e do mundo animal. Por isso é tão importante mobilizar todos, porque todos podemos fazer a diferença.”

Nuno Ferrand de Almeida, Diretor do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, elogia o teor da mensagem do Photo Ark. “O que transmite vai muito além das fantásticas fotografias com que o autor nos presenteia. Ao olharmos para as espécies da exposição é impossível ficarmos indiferentes a este problema, que é de todos nós e para a resolução do qual todos podemos contribuir.

Nos 250 m2 de exposição, vão estar patentes cerca de 40 fotografias, infografias e vídeos de espécies em perigo, através dos quais os visitantes podem ficar a saber mais sobre os animais representados e olhá-los nos olhos, sabendo que estão em vias de extinção.

Recentemente, Joel Sartore fotografou o 7.000.º animal a integrar o Photo Ark. Trata-se de um pequeno marsupial da família Petauridae que vive na Austrália (da espécie Gymnobelideus leadbeateri), também conhecido por “Fada da floresta”. Estima-se que existam menos de 50 espécimes vivos.

O objetivo de Joel Sartore é conseguir reunir no Photo Ark 12 mil fotografias de espécies cativas. Para o fotógrafo este é o momento de agir: “Esta é a melhor altura para salvarmos espécies porque são tantas as que precisam da nossa ajuda”, afirma.

PHOTO ARK

Quando em 2005 a sua mulher Kathy foi diagnosticada com um cancro da mama, entre quimioterapia, tratamentos de radiação e intervenções cirúrgicas, Joel Sartore, fotógrafo da National Geographic, decidiu fazer uma pausa para poder estar junto da família e cuidar dos seus três filhos. Durante um ano ficou em casa, aproveitando para pensar na sua carreira.

Inspirado por John James Audubon, ornitólogo americano do século XIX que pintou várias aves que hoje já estão extintas, por George Catlin, Edward Curtis e outros pintores e fotógrafos, uma questão surgiu na sua mente: como posso levar as pessoas a preocuparem-se com o facto de podermos perder metade de todas as espécies do mundo até ao final do século?

Assim, em 2006, Joel Sartore apresentou a ideia ao seu amigo John Chapo, presidente do Jardim Zoológico Lincoln Children’s, e pediu autorização para fotografar alguns animais. Apesar da doença de Kathy, o zoológico ficava perto de casa e podia trabalhar um pouco. Ao chegar ao zoológico, o fotógrafo pediu apenas um fundo branco e um animal que permanecesse quieto. Randy Scheer, o curador do zoológico, sugeriu um rato-toupeira-pelado e, por incrível que pareça, esta criatura pequena e humilde inspirou Joel Sartore na sua missão de fotografar as espécies cativas do mundo e levar o público a preocupar-se com o seu destino.

Assim nascia o projeto Photo Ark, que, através da comovente documentação de extraordinários animais cativos em todo o mundo, dá voz à biodiversidade, reclamando a sua preservação.

JOEL SARTORE

Joel Sartore é, há mais de 20 anos, um conceituado fotógrafo, porta-voz, autor, professor, conservador, parceiro e colaborador regular da National Geographic.

Desde cedo, Joel Sartore revelou interesse pela natureza e os seus primeiros trabalhos para a National Geographic introduziram-no na fotografia de natureza. Desde então, e muitas cicatrizes e sustos depois teve já oportunidade de fotografar uma vasta variedade de espécies como lobos, ursos, leões elefantes e ursos polares.

Em 2006, abraçou o projeto de criar uma documentação fotográfica de 12 mil espécies de animais cativos e em vias de extinção. O resultado é a maior “arca fotográfica” de animais do mundo.