Marcar a diferença na educação e na liderança

O Aqui Há Génio destaca-se pelo seu modelo inovador de proximidade com os alunos que o procuram. Marta do Nascimento, Diretora do centro, em entrevista, fala-nos sobre o modelo de formação e de como o mundo empresarial ainda hoje olha para as mulheres.

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O Aqui Há Génio realiza previamente uma entrevista com alunos e pais e, posteriormente, uma avaliação das dificuldades e necessidades de cada aluno. Que outros fatores têm contribuído para a diferenciação do Centro de Estudos e Formação no mercado? 

De facto, o Aqui Há Génio realiza previamente uma entrevista que culmina com uma avaliação das dificuldades e necessidades de cada aluno, onde conseguimos traçar um plano individual e personalizado à medida de quem nos procura, sejam alunos com dificuldades ou apenas alunos que queiram melhorar o que já têm de bom.

Mas a verdadeira essência e o que nos diferencia é a forma como trabalhamos, é a nossa postura e o que colocamos de cada um de nós no que fazemos.

Costumo dizer que não somos melhores do que outros institutos já existentes, somos apenas diferentes. Somos diferentes porque no que diz respeito ao Centro de Estudos tudo foi pensado por alguém com formação em Psicologia, o que faz com que tenhamos em conta não só o resultado, mas o processo e o caminho que percorremos até o atingir. A nós interessa-nos principalmente o bem-estar emocional dos nossos alunos, sedimentar através de reforço positivo o que é trabalhado, colmatar as lacunas existentes não com o “despejar” de matéria, mas trabalhar com estratégias adaptadas a cada um e, por vezes, estratégias pouco convencionais, dado que surgem da nossa intuição, da nossa experiência.

A nossa diferenciação surge a partir do momento em que estamos sempre disponíveis para os nossos alunos, para ouvir que se chatearam com a amiga ou que terminaram com a namorada; estar junto deles quando uma lesão não os deixa fazer o desporto que tanto amam e como isso os deixa frustrados; ouvir semanas após semanas, meses após meses falar acerca da mesma rapariga; dar-lhes o “colo” que precisam quando o pai está fora em trabalho; dar-lhes o conselho de que deviam enviar determinada SMS aquela rapariga… Desta forma criamos um compromisso com eles, se nós estamos eles também estão e assim fazem a parte deles. Todas estas questões têm a maior das importâncias para nós e ao estarmos disponíveis para eles nesses aspetos da sua vida conseguimos aliviar a tensão causada, fazendo com que surja uma disponibilidade da parte deles. E porque de facto nos importamos.

Passamos isto aos nossos alunos e aos nossos formandos. A disponibilidade, o empenho, o amor pelo que fazemos.

Enquanto Diretora Técnica e Pedagógica do Aqui Há Génio, quais são as suas maiores preocupações? 

As nossas preocupações passam pela fidelidade a nós próprios e ao nosso lema, de forma a manter sempre acesa a chama do interesse que conseguimos que os alunos tenham.

É um desafio constante e diário manter o compromisso e o rumo destes miúdos, dado que hoje vivemos numa sociedade com demasiados estímulos e que facilmente os poderão desviar do seu caminho. 

“Cada aluno é um aluno diferente e com necessidades diferentes”. Este será sempre o lema do Aqui Há Génio?

Esse será sempre o lema deste instituto. Esse lema diz que somos todos diferentes, todos necessitamos de algo diferente e que isso não é mau!

Esse lema diz que na nossa diferença, todos necessitamos de estar sempre disponíveis para trabalhar na diferença e com a diferença de cada um. Costumo dar um exemplo real e prático que acompanhámos, se com dois gémeos que têm a mesma educação, que frequentam a mesma escola e a mesma turma temos de fazer um trabalho diferente, quanto mais com todos os outros. 

É cada vez maior o número de mulheres que ocupam lugares de liderança e de chefia nas empresas e é defendido que as diferenças, vantagens e perspetivas das mulheres têm um forte impacto nas organizações. Concorda? 

Concordo, claro. Neuro biologicamente somos diferentes. Homens e mulheres têm cérebros diferentes. Está comprovado que o cérebro dos homens é maior, mas o das mulheres é mais desenvolvido em certas zonas ligadas à inteligência, zonas estas associadas à memória, aos sentidos, à aprendizagem e à tomada de decisões.

Assim como, já se comprovou através de estudos que se atribuirmos uma tarefa a um homem e a uma mulher, que envolva tanto o pensamento lógico, como o intuitivo, a mulher irá cumprir melhor a tarefa, dado que elas são melhores a conetar o lado direito com o lado esquerdo do cérebro.

A biologia já nos dá vantagem para exercermos com sucesso funções de chefia, a natureza já nos prepara para isso mesmo. Contudo, a capacidade de liderança, a meu ver é definida pelas características de cada um e não pelo facto de sermos homens ou mulheres. A realidade é que a capacidade de comunicação ou de empatia das mulheres é maior, sendo um ponto a nosso favor. Assim como a nossa capacidade de assertividade.

No entanto, esta tendência ainda não permite falar de paridade na distribuição dos lugares de chefia e liderança. Ainda temos um longo caminho a percorrer? 

Nasci nos anos 80 e faço parte duma geração que começou a marcar, de alguma forma, a diferença. Pouco antes de entrar na Universidade registou-se um boom na entrada de mulheres no Ensino Superior e, principalmente com acesso a bolsas de investigação nas diversas áreas das Ciências.

Apesar de não se poder falar de paridade na distribuição dos lugares de topo nas empresas o problema não é intrínseco, não vem da educação ou da nossa falta de ambição, mas sim, a meu ver dos obstáculos que nos são colocados para chegarmos a esses ditos lugares de poder.

É normal um homem assumir um lugar de poder, onde as suas decisões são avaliadas de forma muito prática e racional, são vistas se são justas ou injustas, se estão certas ou erradas. No caso de uma mulher esta avaliação é bem diferente. Se tomarmos determinada decisão esta será vista de acordo com algo mais íntimo, somos vistas como uma pessoa má, autoritária ou simpática.

Há dois pesos e duas medidas, não somos avaliados e tidos da mesma forma.

Cultural e socialmente temos um longo caminho a percorrer, estamos mais perto, mas ainda há muito a fazer.

Marta do Nascimento é licenciada em Psicologia, com pós-graduação em Psicoterapias e Aconselhamento. Durante o seu percurso profissional enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher? 

Obstáculos propriamente ditos não posso dizer que sim, até porque estou numa chamada “profissão de mulheres”. Contudo penso que a discriminação que existe é muito subtil. O juízo que se tem sobre a tomada de decisão se se é homem ou mulher é diferente, tal como referi. Sendo homem a decisão é avaliada de acordo com a racionalidade, mas se se é mulher a decisão é avaliada de forma subjetiva e até transportado para a própria pessoa, para o seu caráter.

Para além disso, somos tidas como fracas, vulneráveis, frágeis, quando na realidade não tem de ser assim. Mas se uma mulher se mostra imponente, decidida, forte assusta e somos tidas como autoritárias. É difícil de gerir não a nossa atitude, mas o impacto que tem nas outras pessoas. 

Que desafios enfrentam atualmente as mulheres que estão em cargos de liderança? 

Os desafios têm a ver com situações emocionais ligadas à família. Um cargo de liderança traz necessidade de dedicação à carreira, darmos de nós e tirarmos tempo de algum lado. No entanto do outro lado está a família onde somos esposas, mães, filhas, donas de casa. Esse é um preço a pagar, o tirar tempo e disponibilidade mental de algum lado.

Em casa temos quem precisa do nosso tempo, da nossa disponibilidade mental, que estejamos a 100% para alguém que gatinha até nós ou que pede para lhe contarmos uma história. A nossa natureza fez-nos de uma forma, mas não nos preparou para tudo o que temos de enfrentar. Mas todos os dias temos de provar e provamos que conseguimos ser chefes, líderes de empresas com uma presença e atitude que faz com que uma equipa confie em nós; todos os dias temos de provar e provamos que somos umas Super Mães que sabemos o fim de todas as histórias e fazemos com que o fim de dia seja o melhor momento desde que acordaram; todos os dias temos de provar e provamos que somos as esposas por quem se apaixonaram mesmo com aquele ar cansado; todos os dias temos de provar e provamos que somos as melhores donas de casa e que ao pé de nós a Cinderela não teria hipótese.