“Se é o que vos permite ser e faz feliz, vale a pena”

Acho que uma pessoa não pode tomar a decisão impulsiva de abrir um negócio próprio. Tem de ser algo ponderado que nasce naturalmente em cada um de nós. Tem de ter pés e cabeça. Tem de haver um sentido de oportunidade. Um timing certo e uma certa dose de conhecimento do "terreno onde vamos pisar". E porquê? Porque nem tudo são rosas e temos de estar preparados para os percalços que vamos, inevitavelmente, encontrar.

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Não demorei muito a perceber que queria ser dona do meu tempo. Gerir os meus dias, tarefas e os “quando” e “onde” da minha vida. Sou psicóloga clínica de formação, mas durante todo o meu percurso académico trabalhei em eventos como promotora, hospedeira, babysitter e a fazer alguns trabalhos de coordenação e recrutamento. Sempre em regime freelancer – eu escolhia as datas em que trabalhava e se queria fazer aquele trabalho ou não. Não tinha dias parados e monótonos, nunca. Entusiasmava-me representar diversas marcas, trabalhar com diferentes equipas e ir conhecendo pessoas novas.

Quando terminei o curso em 2012 comecei a trabalhar num centro de saúde como psicóloga clínica (e até tinha funções bastante diversificadas que não me permitiam cair facilmente na monotonia), mas a rotina de trabalhar das 9h às 18h sufocava-me. Ter de pedir férias naqueles dias e esperar para ver se era possível ou não, era uma angústia para mim. Principalmente porque uso grande parte do meu tempo livre para ir em missões humanitárias, sendo que quando não conseguia ter essa disponibilidade para ir ajudar, sentia-me perdida dentro de mim.

Foi então que tudo fez sentido – tinha de mudar de vida! Acredito que para muita gente seja necessário, para o seu bem-estar emocional, ter a segurança de receber um salário-fixo mensal ou ter garantido, à partida, aquela quantia todos os meses para fazer face às despesas fixas. Mas o meu bem-estar emocional está mais ligado ao facto de poder gerir a minha vida à minha maneira: estar com quem quero, onde quero, quando quero sem ter “amarras” que me limitem.

Saí do centro de saúde com a ideia de abrir um consultório privado de psicologia (podia marcar eu as consultas, gerindo a minha agenda), mas depressa comecei a receber convites de trabalho de empresas de marketing e gestão de recursos humanos (das empresas para as quais trabalhava como colaboradora pontualmente mas com regularidade). Foi uma surpresa para mim começar a receber tantos convites de trabalho nessa área, mas de novo – ao aceitar uma dessas oportunidades – iria sentir-me presa com a rotina própria de um trabalhador por conta de outrem. Em todo o caso foi todo este encadear de acontecimentos que deu origem à Make Happiness Events.

“As minhas pessoas” incentivaram-me a abrir um negócio próprio, sim, mas em vez de ser um consultório privado de psicologia seria uma empresa de gestão de recursos humanos e de eventos. Porquê? Já conhecia a área de negócio, tinha staff de confiança em todo o país, já tinha o meu nome neste mercado bem referenciado, iria trabalhar com pessoas e para pessoas – ajudando os seus projetos e marcas a crescer (ou seja, faria o que realmente gosto de fazer – ajudar o outro) e, por fim, o risco e o investimento eram menores (visto que é uma área onde é possível trabalhar muito via online). Estavam então criadas todas as condições para abrir a minha empresa, o meu projeto de vida – a Make Happiness Events.

Agora posso ir viajar ou ir em missões humanitárias e trabalhar à mesma via online, à distância. Ajudo as pessoas pontualmente dando-lhes oportunidades de trabalhos pontuais ou fixos e ajudo as marcas a crescerem no mercado. Ajudo as empresas a criar ativações de marca que fazem crescer o volume de receitas e potenciais clientes. Ajudo qualquer pessoa a fazer uma surpresa a outra ou a organizar um evento especial. Organizo atividades solidárias e apoio associações com cariz social. Agora sou feliz e sinto-me completa!

E desse lado? O que vos faz realmente felizes? Conseguem criar as condições necessárias para fazer disso o vosso negócio? Estão focadas no vosso objetivo? Vale a pena pensar nisto! Nem sempre é fácil, mas vale a pena!“

Patrícia Damas, CEO & FOUNDER da Make Happiness Events