Inteligência artificial já é o presente

O Centro de Investigação ALGORITMI é uma unidade de investigação da FCT e também uma sub-unidade orgânica de investigação da Escola de Engenharia da Universidade do Minho que, no âmbito das Tecnologias da Informação, Comunicações e Eletrónica (TICE), desenvolve atividades de I&D. Em conversa com José Machado, Diretor do ALGORITMI, e com Ricardo J. Machado, Diretor do ALGORITMI até 2017 e Vice-Reitor da UMinho, ficamos a conhecer um pouco mais sobre o centro e os desafios da Inteligência Artificial.

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Eleito recentemente diretor do ALGORITMI, José Machado explica que os objetivos e a estratégia do centro continuam a refletir a importância que o mesmo assume no país no que diz respeito à investigação e desenvolvimento.

O Centro nasceu em 1979 com o nome de Centro de Ciências e de Engenharia de Sistemas. Em 1992, aquando da reformulação dos centros de investigação, surge com a designação. Trata-se, portanto, do centro mais antigo do país na área das tecnologias, da informação, da comunicação e da eletrónica reconhecido pelo Estado Português. Estas quatro áreas da engenharia estiveram sempre presentes no percurso do centro.

Atualmente é o maior centro da Universidade do Minho (UMinho), representando cerca de 40% da Escola de Engenharia e que envolve 115 docentes de carreira da UMinho.

Note-se que o ensino da informática em Portugal nasceu nesta universidade com a introdução da licenciatura em informática em 1976 e do mestrado em 1984.

A UMinho foi, igualmente, pioneira na inclusão do programa doutoral em informática. Fatores que contribuem para a associação natural da UMinho à informática em Portugal.

O Programa Doutoral em Sistemas Avançados de Engenharia para a Indústria (AESI) foi fundado em 2013 pelo professor Ricardo J. Machado. Trata-se de um programa doutoral em parceria com a Bosch Car Multimedia que permite que os estudantes tenham aulas e desenvolvam as suas teses em ambiente industrial ao mesmo tempo que promove a formação de engenheiros de 3º ciclo (doutorados) em temáticas no âmbito da Indústria 4.0 em contexto real e com uma atratividade elevadíssima em termos de empregabilidade. É apoiado pelo Programa PD-F da FCT, tendo recebido, no âmbito deste programa, o maior número de bolsas atribuídas a uma única universidade.

Revendo a história do ensino da informática no país e na UMinho, é impossível desassociar o papel do ALGORITMI ao longo deste percurso e da posição de destaque que assume no país.

Trata-se de um centro com uma dimensão bastante significativa que a nível internacional também tem já a sua posição conquistada, destacando-se o enorme envolvimento do ALGORITMI na parceria do Estado Português com a universidade Norte-Americana MIT, bem como o facto de o Diretor Nacional do Programa MIT | Portugal ser o professor Pedro Arezes (docente da UMinho e investigador do ALGORITMI).

Com ligações internacionais e com investigadores de renome mundialmente presentes no centro, o ALGORITMI publica mais de 700 artigos científicos por ano e tem cerca de 500 pessoas envolvidas, dos quais 206 são doutorados.

PIONEIRO NA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O professor José Maia Neves foi pioneiro na introdução do estudo da Inteligência Artificial na UMinho, criando, inicialmente, um grupo restrito a esta área. Trabalhou em áreas como a representação de conhecimento e raciocínio, a computação lógica e a aprendizagem por computador.

Hoje, existem vários grupos no centro dedicados ao trabalho na área da Inteligência Artificial: Engenharia do Conhecimento, Inteligência Sintética, Sistemas Inteligentes de dados e Controlo, automação e Robótica.

“A Inteligência Artificial sempre esteve presente, no entanto agora há uma maior preocupação e atenção dedicada a esta área. Um pouco devido ao alarmismo que se tem criado com a forte associação que se faz da Inteligência Artificial à robotização”, começa por referir José Machado.

Robotização esta que já se iniciou nas últimas décadas do século XX na produção industrial com o uso de computadores e robôs para a fabricação de vários produtos. Os robôs passaram a executar um grande número de tarefas, reduzindo a possibilidade de erro. “Já usamos sistemas inteligentes e já vivemos com a Inteligência Artificial há muito tempo sem dar por ela. Quer seja nos computadores, nos carros, em casa, na medicina, em contacto com programas de reconhecimento, entre outros. O que acontece agora é que a principal preocupação das pessoas é que os robôs substituam o homem. Mas as máquinas já substituíram o homem há muito tempo”, explica o nosso entrevistado.

Hoje estes processos ganharam outro relevo devido à rapidez com que as tecnologias estão a evoluir. Conceitos como Big Data, Internet of things ou a dimensão e disponibilidade dos sistemas têm contribuído para desenvolver cada vez mais a Inteligência Artificial. Hoje, se as pessoas não têm informação tudo para. Hoje, tudo está praticamente conectado à internet.

“Temos de perceber que a Inteligência Artificial está aqui para ajudar as pessoas e aumentar a sua qualidade de vida. E esse é, sem dúvida, o maior desafio da Inteligência Artificial, melhorar a qualidade de vida da população”, acrescenta, ainda, José Machado.

Para a inteligência artificial prosperar, deve ser explicada e percebida. Não tema a Inteligência Artificial. Ela pode impulsionar o seu negócio, pode simplificar as tarefas em sua casa, pode facilitar a rotina do seu dia-a-dia ou ajudá-lo no trabalho.

DO CAMPUS… PARA AS EMPRESAS

Com diversos projetos de inteligência artificial aplicados na indústria, mas também na medicina, e com projetos europeus significativos, o ALGORITMI tem alguns projetos de bandeira.

Falemos, por exemplo, da sua parceria com a marca Bosch. Existe um forte envolvimento do ALGORITMI com a Bosch Car Multimedia em Braga, nomeadamente na co-promoção do Programa Doutoral da AESI e vários projetos de investigação aplicada co-promovidos desde 1999. Atualmente trabalham, conjuntamente, em projetos para a condução autónoma.

Aqui José Machado reforça a importância de as universidades saírem dos seus campi para aplicar as suas soluções na indústria. “O ALGORITMI já o faz há algum tempo, mas é preciso fazer cada vez mais. As cidades e a sociedade precisam das universidades para aliar a teoria à prática e aplicar o seu conhecimento científico, os seus projetos e soluções para o bem-estar da população e para o desenvolvimento da economia, das empresas e da indústria. A investigação cada vez mais precisa de ser feita nas empresas”, salienta o nosso interlocutor.

Com base no forte envolvimento do ALGORITMI com a Bosch Car Multimedia em Braga, traduzido, nomeadamente, no Programa Doutoral AESI em vários projetos de investigação aplicada co-promovidos desde 1999, o ALGORITMI liderou recentemente (em cooperação com IPC – Institute for Polymers and Composites), a criação do DTx – Digital Transformation CoLab como resposta à chamada da FCT 2017 para Laboratórios colaborativos.

A candidatura do DTx – Laboratório Colaborativo em Transformação Digital à FCT foi co-liderada pelo professor Ricardo J. Machado (ALGORITMI) e pelo professor António M. Cunha (Ex-Reitor da UMinho e Investigador do IPC) e aprovado pela FCT em dezembro de 2017.

É promovido pela UMinho, no entanto envolve outras duas universidades (Évora e Católica), duas estruturas de investigação intermédia (CEIIA e INL), 13 empresas (Bosch Car Multimedia Portugal, Accenture Technology Solutions, Embraer Portugal, IKEA Portugal, Cachapuz Equipamento para Pesagem, Celoplás Plásticos, ebankIT Omnichannel, Neadvance, NOS Inovação, Primavera Software, Simoldes Plásticos, TMG Tecidos Plastificados, WeDo Consulting Sistemas de Informação), duas Unidades de Interface (Instituto CCG/ZGDV e Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros – PIEP) e 11 Unidades de Investigação da FCT (todas associadas às três universidades envolvidas).

O Laboratório Colaborativo em Transformação Digital – DTx tem por missão investigar novos paradigmas de desenvolvimento de tecnologias ciber-físicas (materiais, hardware e software) no âmbito da conceção de produtos, serviços e interfaces entre entidades ciber-físicas e humanos capazes de suportar a desmaterialização de fenómenos/processos físicos, humanos e sociais, bem como estudar as consequentes mudanças na indústria e na sociedade, através da colaboração entre a academia e a indústria e o desenvolvimento tecnológico aplicado.

40% – Atualmente é o maior centro da Universidade do Minho (UMinho), representando cerca de 40% da Escola de Engenharia, envolvendo 115 docentes de carreira da UMinho.