Bem feito!

O (não) reconhecimento pelo trabalho feito é um fator decisivo para a satisfação das pessoas numa organização. Por outro lado, os processos ou ferramentas utilizadas para desenvolver e implementar planos de incentivos é sempre um tema de profunda análise.

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Discute-se um mais ou menos complexo plano de prémios por performance, acenam-se ofertas de viagens ou outros presentes agradáveis sempre que se ultrapassar uma meta previamente definida, enfim, as organizações preocupam-se em reconhecer os bons resultados dos seus colaboradores.

Esse reconhecimento é tão reconfortante como motivador; “ganhei o prémio do trimestre, tudo farei para conseguir o mesmo no próximo”, é um pensamento genuíno de motivação, alavancado pelo reconhecimento inerente ao prémio obtido.

Existem também, normalmente nas organizações mais “elásticas”, os planos de retenção, com estratégias esgrimidas pelos Recursos Humanos. Mais complexos, recorrendo a outro tipo de instrumentos, entre eles a formação financiada, existem também os planos de desenvolvimento de carreira, estágios, viagens ao estrangeiro para integrar o grupo de profissionais “que serão os futuros decisores da organização”. Entre outras coisas muito bem elaboradas.

Voltando ao título deste texto, a simples expressão “Bem feito”, é muito menos complexa, resulta de estratégia nenhuma, de qualquer plano, nem tão pouco é a conclusão de uma profunda reflexão sobre planos de motivação, incentivos, prémios, etc.

Trata-se de celebrar as vitórias do dia-a-dia. As celebrações que não se celebram. E resulta do “gut feeling”, da vontade intrínseca de dizer a alguém: “Boa, muito bem, parabéns, conseguiste, obrigado pelo teu esforço, por acreditares que vamos conseguir ter sucesso”.

Recorrentemente cruzamo-nos com os desafios que enfrentamos, ultrapassamos obstáculos, driblamos objeções, criamos valor, todos os dias, procurando fazer mais e melhor, com recurso à nossa capacidade de nos diferenciarmos em ambientes altamente competitivos. E quando chegamos ao final do mês, do trimestre, do ano, alguém se senta connosco para nos dizer que alcançámos os objetivos e vamos receber todos os prémios e incentivos que a empresa tem para nos dar. Ou não temos sucesso e somos convidados a apresentar um plano que identifique os motivos do insucesso e, talvez, uma proposta para melhorar. Num cenário que pode ser muito tranquilo, ou profundamente aniquilador da dignidade. Depende do “chefe”.

E, passado esse momento, voltamos ao dia-a-dia.

Tenho um desafio: vamos integrar o “bem feito” e o “obrigado” na nossa atividade, celebrando as pequenas vitórias que se conquistam, que estão na base do sucesso final e que alimentam o sentimento de ser reconhecido pelo esforço que se faz e que só é valorizado quando se recebe um prémio.

Vamos dizer ao “chefe” que a forma como nos apoiou, ou o ficheiro que nos enviou, ou as palavras que escreveu naquele mail, foram muito úteis.

Tristes aqueles que somente se motivam pelos prémios e outros incentivos que podem ou não receber. Infelizes os que apenas sabem dar valor aos seus colaboradores através do pagamento de um prémio.

A vida tem que ser muito mais interessante e cabe a cada um de nós transmitir aos nossos colegas, colaboradores, superiores, que sabemos o que fazem e que reconhecemos os pequenos sucessos, que tanto engrandecem as nossas vidas.

Miguel Coelho