O teu computador é Feliz?

Gosto de escrever as minhas palavras, ou melhor, gosto de passar a palavras aquilo que penso ou acredito. Nunca tive o hábito de fazer citações ou remeter para outras pessoas, já que isso me parece uma manifestação de erudição misturada com alguma falta de verbo próprio.

602

Tenho, contudo, inúmeras fontes de inspiração, pessoas, textos, pensamentos, empreendimentos, sei lá, tudo o que me faz pensar e contribui para estruturar aquilo em que acredito e que define os meus valores.

Nota introdutória para falar sobre a inspiração em Tim Leberecht para desenvolver ideias estruturadas sobre as organizações, ou em maior rigor, sobre organizações felizes. Do trabalho deste homem do Marketing nasceu a “Business Romantic Society”, que tem como objectivo dar pistas sobre como tornar as empresas mais felizes.

E se me transporta para a magia do tempo “em que os animais falavam”, torna-se um pouco mais simples quando refiro que as organizações são, genericamente, compostas por pessoas e equipamentos. E o objectivo dessas organizações é aumentar a sua eficiência e produzir mais e melhores resultados.

Em termos de desenvolvimento do Pensamento Criativo para gerar resultados, o conceito de Storytelling leva-nos a criar as chamadas lovebrands, com identidade própria e alguma imprevisibilidade nos afectos que transporta aos seus consumidores. E desenvolvemos excelentes projectos, com melhores resultados.

De volta às organizações, ou seja, pessoas e equipamentos, torna-se óbvio que, no que concerne a máquinas, estamos em constante e rápida evolução, entrando pelo mundo da robótica ou até mesmo da Inteligência Artificial. Dito isto, para qualquer pessoa minimamente modesta, é impossível competir com as máquinas em termos de eficiência; as máquinas são mais rápidas, mais eficientes, compilam resultados e cruzam informação muito mais depressa. Recordo-me do orgulho trôpego de um colega, já retirado, que tinha um ágil cálculo mental, leia-se fazia contas de cabeça, negando a existência e o conforto de uma simples calculadora.

Onde o papel das pessoas, elementos essenciais nas organizações, se distingue e torna relevante é nos afectos, na capacidade de socializar, na constante análise crítica ao que fazemos, na Inteligência das Emoções. É aqui, na capacidade de Sentir, que as pessoas se tornam insubstituíveis.

Então, qual a lógica de avaliar as pessoas somente a parir de dados que se pretendem ser objectivos, que alimentam métricas, inserem-se em grelhas de validação e apresentam resultados de desempenho, desde o Excelente ao Mau?

Compete às Pessoas avaliar Pessoas. Para isso, é fundamental torná-las mais humanas, menos data driven, no sentido em que constroem relações entre si, ou desenvolvem organigramas funcionais, com rigorosos planos de acção, desprovidos de Emoções, fora dos quais não é dado espaço ao pensamento crítico. Quem avalia tem que saber amar. Quem é avaliado tem que saber amar também. E ambos têm de se sentir amados. Só assim se constroem empresas onde as pessoas não estão ao nível dos computadores.

Se queremos organizações sólidas, resistentes às tentações da oferta e da procura de novos projectos profissionais, temos que desenvolver relações de paixão com tudo o que fazemos. Se somos hábeis para levar aos consumidores uma mensagem de afecto, tenhamos a arte e o engenho para criar estruturas que, de montante a jusante, sejam organizações felizes, pessoas e máquinas.