Equipas de resgate lutam contra o tempo e falta de oxigénio na caverna

As equipas de resgate que estão a tentar retirar 12 rapazes e o seu treinador de uma caverna inundada na Tailândia têm "um tempo limitado" para os salvar, face ao agravamento das condições climatéricas e diminuição do oxigénio.

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“Não podemos continuar à espera de ter condições porque as circunstâncias estão a pressionar-nos”, disse o comandante dos fuzileiros tailandeses Arpakorn Yookongkaew numa conferência de imprensa.

“Pensávamos que os rapazes ficariam seguros dentro da caverna por algum tempo, mas as circunstâncias mudaram. Temos um tempo limitado”, acrescentou.

A operação que estava a ser levada a cabo na gruta de Tham Luang Nang Non, no norte da Tailândia sofreu a primeira baixa quando um antigo fuzileiro tailandês desmaiou debaixo de água sem que fosse possível reanimá-lo.

Os níveis de oxigénio estão a diminuir por causa dos trabalhadores que estão dentro da caverna e que estão a tentar levar mais oxigénio para as câmaras, além das botijas de oxigénio usadas pelos mergulhadores, segundo o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn.

Um comandante do Exército, o major-general Chalongchai Chaiyakam, disse que a missão mais urgente é a instalação de uma linha de oxigénio, ligada a uma linha telefónica que sirva de canal de comunicação com as crianças, que estão presas no complexo, mas estão a ser acompanhadas por quatro fuzileiros, incluindo um médico.

Os rapazes, com idades entre 11 e 16 anos, e o seu treinador de 25 anos foram explorar a caverna depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

As inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, já que a única maneira de chegar até ao local onde se encontram é mergulhando através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

As autoridades têm bombeado a água da caverna antes que as tempestades previstas para os próximos dias aumentem os níveis novamente.

Neste momento, porém, o mergulho é o único método possível de fuga, apesar dos especialistas avisarem que é extremamente perigoso, mesmo para mergulhadores experientes.

A morte do antigo fuzileiro evidencia os riscos. O mergulhador, que estava a trabalhar como voluntário, morreu quando tentava colocar botijas de oxigénio ao longo do percurso que os mergulhadores usam para chegar às crianças, disse Arpakorn.

As botijas estrategicamente posicionadas permitem que os mergulhadores fiquem submersos por mais tempo durante o caminho de cinco horas que levam para chegar até à equipa encurralada.

O governador adiantou que os 13 jovens poderão não ser retirados ao mesmo tempo, dependendo da sua condição física. Estão fracos, mas na maioria são fisicamente saudáveis. Estão a praticar o uso de máscaras de mergulho e respiração, preparando-se para a possibilidade de mergulho.

As autoridades querem retirar as crianças o mais rapidamente possível pois esperam-se chuvas fortes no sábado.

Esperam conseguir baixar o nível de água, para conseguir algum espaço para que os rapazes não dependam do aparelho de mergulho durante muito tempo e possam manter as cabeças acima da água.

Especialistas em resgate de cavernas disseram que poderia ser mais seguro fornecer mantimentos aos rapazes no local e esperar que as inundações diminuam.

No entanto, isto pode levar meses, dado que a estação das chuvas na Tailândia geralmente dura até outubro e sem níveis adequados de oxigénio, ficar parado também pode ser fatal.

LUSA