“Na Grünenthal acreditamos no valor das nossas pessoas”

A Grünenthal recebeu recentemente o prémio de Best Workplaces Europe, atribuído pelo instituto Great Place to Work, tornando-se numa das sete empresas portuguesas a receber este prémio em 2018. Isabel Duarte, Head Of Global Financial Services da Grünenthal, fala-nos mais sobre a importância do mesmo e do impacto da cultura da empresa na criação de organizações de sucesso.

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Como é que interpreta este resultado?

Acho que podemos concluir que sete é o número da sorte português! Segundo os números do instituto Great Place to Work, mais de 2.500 organizações participaram na competição para as Best Workplaces Europe, representando cerca de 20 países. De facto, fazer parte do grupo das 25 melhores empresas para trabalhar a nível europeu, enche-nos de um grande orgulho.

Por outro lado, este reconhecimento é também uma grande responsabilidade. Estar na vanguarda das melhores práticas de trabalho europeias coloca-nos a responsabilidade de servir como guia e como exemplo no nosso mercado de trabalho.

Para ser considerado uma Best Workplaces Europe, as organizações têm de obter este reconhecimento em pelo menos três países. Portugal foi um destes três países para a Grünenthal, correto?

Sim. Para atingir este resultado a nível Europeu contribuiu a qualificação das nossas filiais em Espanha, em Itália e, claro, em Portugal.

O Grupo Grünenthal está presente em mais de 30 países, com filiais na Europa e América Latina, bem como presença comercial em mais de 150 países. O Grupo emprega neste momento aproximadamente cinco mil pessoas a nível global.

Somos uma empresa com espírito empreendedor, comprometida com a inovação, através de um investimento sustentado em Investigação e desenvolvimento e a nossa ambição é lançar quatro a cinco novos produtos para doentes com necessidades médicas não satisfeitas até 2022.

Em Portugal somos duas empresas. A filial comercial que já está em Portugal há mais de 20 anos. E mais recentemente a filial financeira criada em 2016. Esta nova organização, em conjunto com a sede na Alemanha, é responsável pelos serviços contabilísticos de todo o grupo. É desde Portugal que procedemos às contabilidades de todas as empresas do grupo, quer estejam sediadas na Europa quer na América Latina, num regime que hoje em dia se designa por Shared Services. Isto significa que temos aqui uma equipa muito jovem e dinâmica, altamente qualificada e que fala as mais diversas línguas numa base diária.

No seu entendimento, o que acha que contribui para este resultado? O que acha que torna uma empresa um lugar de eleição para trabalhar?

Acho que, antes de mais, precisamos compreender o contexto de trabalho atual e ter a coragem de adaptar as nossas práticas às novas tendências. O paradigma de trabalho mudou muito nos últimos anos, e as boas práticas em termos de recursos humanos têm de acompanhar essa mudança.

Para esta nova geração o sucesso mede-se cada vez menos em ter uma casa maior ou um carro maior. Para esta geração, o sucesso está ligado a experiências. Mais do que uma casa grande, ou um carro grande, o trabalhador atual procura experiências gastronómicas, eventos culturais variados ou viagens que possa partilhar com amigos e família, nomeadamente partilhando fotos no social media. E mais importante ainda, a nova geração, procura ambientes de trabalho flexíveis que lhe permitam ter tempo de qualidade para a família. No seu dia a dia profissional, exige experiências profissionais enriquecedoras e dinâmicas, onde sinta que está a contribuir e onde o seu contributo é reconhecido continuamente. Adicionalmente é fundamental para esta geração trabalhar em ambientes profissionais saudáveis e agradáveis.

Mas as organizações de sucesso não têm as respostas todas. Acredito que ninguém consegue ter as respostas todas para perguntas que ainda estamos a formular. Na minha opinião, o que organizações atuais de sucesso têm em comum, é que estão atentas a esta mudança de paradigma e não têm medo de mudar e de se adaptar. Faz parte da sua cultura da empresa.

Falou do tema da cultura da empresa. Como vê o papel da cultura da empresa na criação de organizações de sucesso?

Pessoalmente acho que a cultura da empresa é a soma daquilo em que acreditamos enquanto organização. Por exemplo, na Grünenthal acreditamos no valor das nossas pessoas. Investimos imenso no desenvolvimento dos nossos colaboradores, disponibilizando formações e experiências profissionais numa base continua e pomos ao seu dispor todas as ferramentas possíveis para facilitar a coesão entre a sua vida familiar e profissional.

Por exemplo, não forçamos os nossos colaboradores a trabalhar o máximo de horas possíveis. Pelo contrário, damos flexibilidade a cada colaborador para ajustar, as suas responsabilidades profissionais às suas necessidades pessoais e promovemos o trabalho com orgulho e com qualidade.

Também acreditamos em correr riscos, e consequentemente cometer erros. O bom profissional não tem que saber tudo, mas tem que ser capaz de aprender e de evoluir. Acho fundamental saber reagir corretamente em situações difíceis em que as coisas não correm como planeado.

Uma vez definidos os princípios pelos quais se rege a cultura de uma organização, qual considera ser o papel de um líder na sua aplicação?

Acho que a cultura da empresa é da responsabilidade de todos os colaboradores. E acredito que essa responsabilidade aumenta quanto maior for a visibilidade de cada colaborador. Na minha opinião, isto é verdade em todas as áreas da vida social. Quanto maior visibilidade tem a vida de uma pessoa, maior a sua responsabilidade em servir como exemplo, para os que observam.

Os diferentes líderes dentro de uma organização têm, por defeito, uma grande visibilidade dentro das equipas que gerem, e mesmo dentro de outras equipas. Neste sentido, acredito que cada líder tem uma responsabilidade acrescida em tornar a cultura da empresa uma realidade. Cabe a cada líder, dentro de uma organização, interpretar estes princípios diariamente. Quase como um ator que dá vida a um guião.

E essa responsabilidade não se esgota quando tudo corre bem. Muito pelo contrário, julgo que é nas situações de stress, onde há deadlines para cumprir, onde as situações que fogem ao que estava planeado e quando parece que nada corre bem, que cada um, mas principalmente um líder, deve atuar em conformidade com os valores da empresa e com a cultura que a organização define.

E agora, o futuro? Como vê o futuro?

Atingir este resultado não é como subir ao monte Evereste. Atingimos o objetivo e regressamos à base. Para nós o objetivo está em constante mudança. É como se o monte estivesse constantemente a mudar de sítio.

Este resultado, não significa que o nosso trabalho está concluído. O mundo não pára. Vamos continuar a “ouvir” as pessoas, a estar atentos às novas tendências de mercado, e principalmente vamos continuar a adaptar-nos e a procurar as melhores soluções para que os nossos colaboradores continuem a sentir orgulho em fazer parte desta equipa!