“É o meu trabalho que fala por mim”

“A pior coisa que pode acontecer numa sociedade é a homogeneidade, a diferença é algo magnífico”. Quem o diz é Helena Amaral, COO na Startover e uma mulher cheia de garra. Conheça-a agora.

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Mãe de uma rapariga e de um rapaz, gosta de relaxar ao som de musica e afirma-se como uma apaixonada por tudo o que faz. De forma a proteger-se, aprendeu a distinguir a vida pessoal da profissional mas diz que não existe nada que se faça de um lado que não se reflita no outro.

Estudou Direito, no Porto, casada, esteve nos Açores a dar aulas e há mais de 20 anos que mora em Lisboa. “Fiz todo o meu percurso em empresas do ramo de software até entrar no mundo da consultoria. A Startover foi mais um desafio que abracei”.

Enquanto consultora, Helena conhece inúmeras empresas e revela o que a maioria não gosta: reestruturação. Algo natural, segundo a consultora, uma vez que a humanidade repele a mudança e tudo o que é desconhecido.

Além das mudanças sugeridas pelo serviço de consultoria um dos maiores desafios atuais é o RGPD – Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados – que tem levantado muitas dúvidas por parte dos empresários e que, de acordo com a nossa entrevistada, num primeiro momento, não entendem a importância da sua aplicabilidade, porém “depois de tudo explicado, concordam”.

A par da mudança, “o mais difícil para o empresário português é a capacidade de delegar e de fazer parcerias. Os pequenos vingam quando se associam a parceiros que os complementem”. Outro problema apontado pela especialista é o “olharmos apenas para nós”, problema que com o turismo “talvez” possa ser atenuado se soubermos aproveitar bem a força com que estamos neste momento. “O empresário português tem de querer ir mais longe, tem de querer ir vender pela Europa”.

Cada um de nós tem sempre algo a dar e foi com essa perspetiva que cresci na minha vida pessoal e profissional

“Cada vez menos as empresas olham para as pessoas como sendo números. Sempre tive a sorte de estar em situações de trabalho com equipas, o que me fez estar rodeada de pessoas diferentes e me fez entender que o que é diferente é bom e é possível conjugar”.

Considera-se muito curiosa e diz que isso foi extremamente importante para aprender muito daquilo que hoje sabe. “Ainda hoje continuo a pedir que me ensinem, gosto de ensinar mas também gosto muito de aprender”.

O ser mulher foi em tempos complicado, mas nunca deu importância a tal. Quando entrou no mundo da consultoria era das poucas mulheres em Lisboa que trabalhava na área, diz que combateu o preconceito ao ignorar juízos de valor errados. “Aos poucos as pessoas começavam a lidar comigo de forma profissional”.

“Independentemente do género, todos são necessários nas empresas”, garante. “À minha filha ensinei-a a lutar pela competência e não a pensar na questão de género, ao meu filho ensinei-o a respeitar a diferença. Ambos percebem a importância da celebração do dia Internacional da Mulher”.

“Além de tudo, os portugueses são pouco orgulhosos”

Para se ser bem-sucedido a receita é simples para Helena Amaral: “Não pode ser um desistente, tem de riscar do seu caderno de notas a frase «não consigo», conseguimos sempre! De forma direta ou indireta. Outra coisa importante é a importância da noção de partilha, de conhecimento e de sucesso. Se tivermos isto tornamo-nos empreendedores. A juntar ainda a tudo isto: a responsabilidade social. Qualquer empresário tem de entender que não tem apenas o colaborador como responsabilidade mas também a família daquela pessoa”.