Completa a frase: Trata os outros como gostarias…

Deambulando pelas minhas leituras de férias, cruzei-me com algumas palavras, escritas há algum tempo, mas com uma inabalável atualidade. Por que motivo se confundem os conceitos de Líder e Liderança com Gestão e Gestor?

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A explicação pode ser encontrada em centenas de livros, artigos, CD, DVD, na internet, em Conferências sobre Liderança, mas acaba por se resumir ao seu objeto: gerem-se coisas e lideram-se pessoas.

Poderia este texto terminar aqui, pela evidência do conteúdo do anterior parágrafo. O problema levanta-se quanto às competências para Gerir e as competências necessárias para Liderar. Aprende-se Gestão, frequenta-se a Academia de onde emanam as mais avançadas técnicas e estratégias de Gestão, que preparam os Gestores para alcançar o sucesso, obtendo uma folha de Profit & Loss fantástica, desde a linha de cima até à linha de baixo.

O que distingue então os Gestores de sucesso dos Líderes (note-se que não há líderes sem sucesso)?  Partindo do princípio de que já ninguém acredita que se nasce Líder, então torna-se evidente que a Liderança resulta de um processo de aprendizagem, mas sobretudo de experimentação, de fazer coisas, com pessoas; nenhum corredor vence corridas lendo livros sobre como correr depressa, nem nenhum nadador vence provas apenas observando incessantemente vídeos sobre as provas de Phelps. É necessário perguntar a quem sabe, e praticar, praticar em busca da perfeição com a humildade de saber que esta nunca se alcança, mas que nessa procura se obterá a Excelência.

Neste ponto, poder-se-á aceitar que a Liderança está ao alcance de todos, sendo que para tal é essencial aprender, ler, perguntar e praticar muito.

Lamento causar algumas desilusões ao dizer que apenas isso não é suficiente para se ser um Líder. Liderança é indissociável de Carácter. E este, apenas alguns o possuem.

Só com um forte carácter se pode assumir colocar-se numa segunda posição, dando relevância e “drive” aos seus colaboradores.

Só com uma enorme humildade é possível alguém colocar-se no lugar de um seu colaborador e avaliar se o que lhe é dito ou a forma como é dito é aquela que gostaria de ouvir.

Só com a segurança de que não precisa de exercer a sua autoridade compulsivamente para que esta lhe seja reconhecida, se tem a garantia que as suas equipas o aceitam como o verdadeiro Decisor.

As pessoas somente se posicionam como potenciais Líderes porque querem: ser Pai, ser o Director do Departamento ou o CEO da empresa, ser o pastor de uma congregação ou chefe de escuteiros, resulta de um processo de decisão que em determinada altura alguém toma. Ir ao restaurante e ser servido por um profissional é um ato voluntário que posiciona o sujeito A como estando ao serviço do sujeito B. Quando, numa relação deste tipo, alguém decide destratar alguém, independentemente da razão que lhe possa assistir, fica evidente que Liderança e Carácter estão dissociados. Quem se senta para ser servido pode ter um cargo de enorme importância, mas dificilmente será um Líder.

É nos pequenos gestos e atitudes que se encontram as diferenças. Ouvir atentamente é uma fonte inesgotável de informação e ideias; tomar pequenas decisões do quotidiano que geram satisfação aos colaboradores; assegurar a compreensão dos pontos difíceis da sua job description e dar-lhes pistas como mais facilmente lidar com elas, no fundo como fariam se estivessem no seu lugar; premiar também as pequenas vitórias, dando-lhes o devido valor, são alguns pequenos “grandes” gestos que asseguram que existe, de facto, uma equipa. E são essas diferenças que distinguem a Gestão da Liderança.

Uma forma de assegurar que se escolheu o caminho certo na direção da Liderança é seguir um ensinamento que todos ouvimos desde tenra idade: “Trata os outros como gostarias de ser tratado”.