30 anos de experiência colocam a ULTRA-CONTROLO a anos-luz do resto do mercado

Com sede e fábrica em Sintra, a ULTRA-CONTROLO fabrica e instala centrais de produção de oxigénio medicinal, centrais de vácuo, ar comprimido respirável, equipamentos médicos, compressores de ar isentos de óleo e sistemas completos de vácuo e ar comprimido para uso industrial. 30 anos depois da sua fundação continua a dar cartas em temas como inovação e tecnologia. À conversa com a Revista Pontos de Vista o CEO, Sabino de Pompeia, faz uma análise de como a empresa tem vindo a tornar-se uma referência em Portugal e no mundo.

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A indústria portuguesa começou por ser o primeiro setor a ser servido pela empresa que se dedicava às áreas do vácuo, ar comprimido, filtração de gases e controlo de processos industriais. Mais tarde surgiu a possibilidade de passarem também a trabalhar o sector da saúde na área dos gases medicinais que são utilizados no apoio respiratório, em equipamentos de suporte de vida, anestesia, reanimação e ainda em cirurgias e instrumentação cirúrgica.

A ULTRA-CONTROLO é o primeiro fabricante português de centrais para gases medicinais, certificadas de acordo com a Diretiva Europeia 93/42/CEE e o primeiro fabricante português de compressores de ar totalmente isentos de óleo.

Hoje, com mais de 30 anos de experiência na fabricação de centrais de produção de oxigénio medicinal, centrais de vácuo e centrais de ar comprimido para aplicação hospitalar, a empresa continua a sua trajetória de sucesso desde que se iniciou como representante em Portugal de marcas mundialmente famosas como a Rietschle – uma visão do CEO, Sabino de Pompeia.

Esta é, acima de tudo, uma área sensível, não estivéssemos a falar de equipamentos que produzem gases medicinais considerados medicamentos, e que por isso, deverão cumprir os mais elevados padrões de segurança, qualidade e eficácia.

Sabino de Pompeia iniciou a sua atividade profissional em 1979 na área industrial e hospitalar. em 1981 começou a trabalhar com marcas de renome mundial, fundou a empresa em 1987, e em 1989 as portas para a área médica abriram-se.

Na indústria, a ULTRA-CONTROLO tornou-se especialista em Sistemas Centralizados de Vácuo o que fez com que, em Portugal, se tornassem líderes de mercado durante quase duas décadas.

Com a famosa Rietschle, atual Elmo-Rietschle, que pertence a um dos maiores grupos internacionais de ar comprimido e vácuo, o grupo Gardner Denver, em 1986 concebeu a primeira central de vácuo, que ainda hoje funciona no Hospital dos Capuchos.

Sabino de Pompeia introduziu tecnologias totalmente inovadoras em Portugal com a implementação de sistemas centralizados de vácuo para laboração contínua em todo o tecido industrial português. Indústrias de envelopes e gráficas como a Porto Editora, Gráfica de Coimbra, Editorial do Ministério da Educação, indústria eletrónica como a antiga Ford Elecronica, Grundig e a Delphi ou a vidreira como a Crisal e a Santos Barosa, entre milhares de empresas portuguesas, continuam a ter o suporte técnico da sua empresa.

A empresa foi dividida, a certa altura, devido ao crescimento exponencial que teve em duas vertentes: a dos produtos standard e em desenvolvimento de equipamentos para exportar.

Na área industrial, um dos maiores marcos foi a introdução dos sistemas centralizados de vácuo que trouxe consigo o aumento da produtividade das máquinas, uma redução profunda nos custos energéticos e um melhoramento relevante no ambiente de trabalho das pessoas com a diminuição drástica do ruído das máquinas dos operadores.

Em 1989 começaram a trabalhar com os hospitais e esse tem sido um caminho bem percorrido, não contassem hoje já com cerca de 500 centrais instaladas em Unidades de Saúde, só em Portugal.

Em 1991 foram a primeira empresa a instalar uma central de ar medicinal totalmente isenta de óleo num hospital privado em Lisboa. A ULTRA-CONTROLO foi ainda a primeira empresa a instalar sistemas de tratamento de ar com secagem por refrigeração e adsorção, bem como cadeias de filtração de alta eficiência nas redes de ar respirável nos hospitais; em 1997 introduziu o conceito de total isenção de óleo nas redes hospitalares e desde esse ano começaram a equipar os hospitais com este tipo de tecnologias. O primeiro a receber o equipamento de topo de gama foi o Hospital Militar Principal de Lisboa, seguiu-lhe o Hospital da Cruz Vermelha, o Hospital da Marinha Portuguesa, os Hospitais da Universidade de Coimbra, e, mais recentemente, o Hospital de Braga e o Hospital de Santo António, no Porto.

O CEO da ULTRA-CONTROLO refere que a sua postura laboral sempre se moldou por tentar satisfazer os pedidos de quem os procura, colocando sempre a máxima qualidade. Sabino de Pompeia conheceu muitas das metodologias de vários países europeus onde visitou as fábricas das suas representadas com o intuito de saber o que de melhor se faz lá fora para depois replicar cá de forma ainda mais perfeita.

Os avanços foram muitos, mas cada passo, garante, “foi sempre a pensar de que forma poderíamos melhorar o trabalho de quem utiliza os nossos equipamentos. Na área hospitalar fomos os primeiros a instalar sistemas de retenção de CO e CO2. Percebemos que as centrais estavam próximas de parques de estacionamento, o que significava que havia uma maior concentração de monóxido e dióxido de carbono, o que afetava em larga escala a qualidade do ar. Daí a necessidade de instalar sistemas de tratamento de ar para baixar o teor para os níveis exigidos pela Farmacopeia Europeia”.

Portugal sempre mostrou dificuldades financeiras e uma das principais preocupações da empresa foi instalar sistemas que reduzissem ao máximo os custos operacionais, mas que ao mesmo tempo fossem de elevada qualidade e fiabilidade.

A ULTRA-CONTROLO desde cedo também apostou na formação dos engenheiros e técnicos das empresas portuguesas, bem como dos engenheiros hospitalares de modo a trabalharem mais eficazmente com os equipamentos e a respeitarem os procedimentos de manutenção adequada para garantir a operacionalidade e a longevidade dos mesmos.

PIONEIRISMO EM COMPRESSORES ISENTOS DE ÓLEO

“A partir de 1997 comecei um trabalho de campo para instalar compressores de ar isentos de óleo em Portugal, que era algo praticado só na Suíça. quando os vi achei que seria o melhor para os hospitais”.

Os compressores isentos de óleo possibilitam a eliminação do risco de contaminação do ar, reduzem os custos com a manutenção operacional no tratamento do ar comprimido e ainda diminui os custos de energia.

“Tenho sido desde então promotor do conceito de total isenção de óleo nas redes hospitalares. O investimento inicial é efetivamente o dobro em comparação com os sistemas tradicionais de compressores lubrificados mas na verdade trata-se de um investimento para um ciclo de vida útil de um equipamento que vai durar 30 a 40 anos. Comparado com os sistemas convencionais que terão de ser substituídos a cada 10-15 anos e com o risco de contaminação da conspurcação da rede  devido à possível contaminação com a presença do óleo, este é o melhor investimento que o Estado ou o privado pode fazer. Mas o mais importante é que com o nosso sistema isento de óleo o paciente começa a receber ar medicinal da melhor qualidade que supera a Farmacopeia Europeia e desde o primeiro minuto em que este equipamento começa a funcionar.

A maioria dos hospitais em Portugal ainda não têm compressores isentos de óleo. A ULTRA-CONTROLO é a única empresa do meio a promover este produto, que garantem a segurança e a qualidade do ar ao paciente.

“Estamos a trabalhar no sentido de introduzir novas tecnologias de produção de gases medicinais que vão não só beneficiar os utilizadores mas irão trazer uma larga redução de custos para os hospitais. Tanto em oxigénio como em ar comprimido e também no vácuo”.

“Existe um trabalho que está a ser feito com o Ministério da Saúde de forma a reforçar a iniciativa nos hospitais”, garante o CEO.

Há um ano e meio conseguiram instalar a primeira central em vácuo no SAMS em Lisboa, uma tecnologia que reduz 40% a energia e uma pequena intervenção de assistência feita apenas a cada 20 mil horas de serviço (a cada três anos).

“Há a necessidade de envolver o Estado nisto porque ele é o dono dos equipamentos”, explica o nosso interlocutor.

Os preços costumam ser um problema mas Sabino de Pompeia afirma que “Portugal tem beneficiado muito pela nossa presença como fabricantes pois desta forma, somos um regulador de mercado em relação à concorrência estrangeira, no que toca a preços. Por outro lado, uma vez que fazemos parte da fábrica das marcas que representamos, conseguimos beneficiar especialmente os hospitais portugueses com equipamentos de todo de gama a preços muito  reduzidos. Por isso os hospitais portugueses nesta área dos gases medicinais não estão um milímetro abaixo de qualquer outro país do mundo.”

A ULTRA – CONTROLO formalizou acordos com os quatro maiores gasistas (Linde, Praxair, Gasin e com a Air Liquide) para assistir às máquinas de cada um sob um modelo de subcontratação. “95% das centrais podem ser assistidas por nós em Portugal e somos a única empresa portuguesa com técnicos certificados pelo ISO 13485 nesta área ”, esclarece.

INTERNACIONALIZAÇÃO TEM SIDO SINÓNIMO DE SUPERAÇÃO

Em 2012 a ULTRA-CONTROLO  começou a sua expansão a nível internacional, com o apoio da AICEP e fazendo algumas mudanças necessárias a nível interno como disponibilizar o site em quatro línguas e a criação de departamentos para lidar em mercados distintos.

“A área mais difícil neste momento para nós é a internacionalização. Temos de lidar com marcas de topo em todo o mundo, para conseguirmos mantermos temos de ser imensamente rigorosos. Fazemos parte de um grupo de marcas que lideram qualitativamente o mercado mundial. O mais difícil é passar isto aos nossos colaboradores. Ao competir com grandes marcas a exigência é elevadíssima mas essa é também a nossa sorte, tal nível de exigência é-nos muito familiar porque nunca soubemos funcionar de outra forma”.

Mais do que exigentes, por vezes, os preços são algo a ter de ser posto à prova e comprovado. “Como somos Portugal o resto do mundo está à espera que sejamos baratos. Esquecem-se é que trabalhamos com equipamentos de topo de gama e que isso tem um preço. Depois de provarmos a nossa qualidade em todos os aspetos, torna-se mais fácil”.

Mas nem os preços se podem considerar um verdadeiro obstáculo para a empresa portuguesa uma vez que atualmente, exportam para 48 países e têm em curso projetos em mais de 60.

“Em Marrocos ganhámos o fornecimento integral da rede de gases medicinais para o maior hospital que está em construção, o Centro Hospitalar Universitário de Tânger. Entretanto estamos a trabalhar no sentido de entrarmos na Índia. Os meus pais vieram de Goa em 1958, a convite do Governo português e 60 anos depois, estou trabalhar nos maiores projetos de remodelação e construção de hospitais do Governo indiano.” Sabino de Pompeia já deu formação a engenheiros indianos que trabalham para o Estado e diz que o mais difícil de conquistar é a aprovação técnica no Ministério da Saúde indiano – que já alcançaram – e que agora se preparam para que nos próximos concursos que lá abrir, a ULTRA-CONTROLO seja uma empresa vencedora.

Das muitas provas que a ULTRA-CONTROLO já deu, faz parte o interesse que a gigante japonês Hitachi demonstrou.

“Andei 25 anos a tentar captar o interesse da Hitachi e quando nos viram a fabricar as centrais de produção de oxigénio foram eles que me procuraram”.

Neste momento pretendem consolidar os distribuidores que têm porque “queremos que eles continuem a aumentar a quota de mercado. É preciso dar-lhes uma boa formação e fazê-los crescer como nós. Fizemos um bom trabalho a nível industrial e na área hospitalar e queremos replicar este modelo que criámos fora de Portugal”.

A nível internacional, com a criação de um conceito de sistemas acessíveis para que não deixem de funcionar, mais intuitivos e que seja qual for o problema que qualquer técnico, de qualquer área, consiga resolver é uma das premissas da empresa cujo objetivo é tornar-se líder de mercado nos países onde operam.