Talvez por causa da sua essência ou porque teve a sorte de ter liderado boas equipas, Rosa Maria Aranha viu o seu percurso profissional tomar o seu rumo sem percalços ou obstáculos pelo facto de ser mulher e, principalmente, pelo facto de ser uma mulher na liderança. Durante largos anos teve a seu cargo a direção de recursos humanos e jurídica numa empresa em que os trabalhadores eram, maioritariamente, homens. “Os homens que dependiam de mim hierarquicamente sempre me aceitaram e cumpriram escrupulosamente os seus deveres. Nas reuniões de direção era a única mulher presente e nunca me senti inferiorizada nem marginalizada, aliás sempre fui valorizada pela capacidade de liderança e de resolução dos problemas e conflitos no mundo empresarial. Mas também fui uma felizarda por ter encontrado uma excelente equipa e colegas de trabalho”.

As mulheres empreendedoras têm vindo a alcançar cada vez mais lugares de topo no mundo dos negócios, o que, para Rosa Maria Aranha, demonstra que “a mulher está mais libertadora e é mais respeitada pelo mundo dos homens, pela capacidade que possuem de liderança e de fazerem uma multiplicidade de atos em simultâneo, nomeadamente serem mães, empresárias e gestoras de multinacionais, em que o trabalho das mulheres é reconhecido e valorizado mundialmente”.

Rosa Maria Aranha acrescenta ainda que, quer pela cultura que as mulheres possuem quer pela sua capacidade de conhecimento a nível empresarial, face às formações que as mesmas obtêm, os indicadores demonstram que as empresas são melhores geridas pelas mulheres, revelando-se que o mundo empresarial, ultimamente, é grande parte composto por mulheres.

Quando questionada sobre liderança e as diferenças entre a liderança feminina e masculina, a nossa entrevistada não tem dúvidas que a mulher tem certas características que lhe permite ser melhor líder em certos aspetos.

Considera, ainda, que um líder já nasce com as características e a sensibilidade para ser um bom líder. Características estas que passam pela empatia, pelo exemplo e pelo tratamento igual entre todos. A forma de Rosa Maria Aranha ver as suas equipas refletem, em muito, a sua forma de ser e estar: comunicativa e altruísta, a nossa entrevistada mantém uma relação de proximidade onde a comunicação e empatia prevalecem. “É muito importante saber ouvir”, afirma. “Em dado momento da minha vida dei por mim a ouvir, a dar força e coragem e a prestar apoio moral e social bem como aconselhamento jurídico a amigas que viviam situações verdadeiramente dramáticas de violência doméstica. Deparei-me com mulheres, de diferentes estratos sociais, em situações de limite. Foi aí que o destino se encarregou de me mostrar que a minha missão e o caminho a seguir seria outro bem diferente, o de ajudar, promover e prestar apoio social e dar aconselhamento jurídico às mulheres vítimas de violência, daí a criação do projeto Stop Violência Contra Mulheres”, explica-nos Rosa Maria Aranha.

Desde a criação do projeto que Rosa Maria Aranha tenho vindo a ser confrontada com mulheres “desprovidas de qualidade de mulher, decorrente de violência exercida nelas e sobre elas”. No entanto realça que, apesar de ser pouco a pouco, as mulheres começam a ter coragem e a colmatar os medos e a vergonha, lutando sem receios pela sua dignidade de mulher, razão pela qual solicitam cada vez mais o apoio e aconselhamento na defesa dos seus direitos, em casos em que são vítimas de violência doméstica, que se apresenta de diversos modos.

Sendo a igualdade do género uma questão de direitos humanos, para Rosa Maria Aranha torna-se importante, nos dias de hoje, promover a igualdade de oportunidades e educar-se para os valores de pluralismo e da igualdade entre homens e mulheres. “A mulher não deve ser vista como ser diferente do homem, pois embora diferentes biologicamente, ambos são seres pensantes, em que nenhum deles é superior ou diferente do outro. Ambos têm os mesmos instrumentos e capacidade para, na sociedade, serem respeitados, quer a nível pessoal quer profissional”, remata Rosa Maria Aranha que deixa, ainda, um alerta: “urge, indubitavelmente, colmatar as questões sociais que diferem os homens das mulheres negativamente e que têm vindo, pouco a pouco, a ser revogadas por ambos os sexos. No entanto, deve desenvolver-se um esforço para a eliminação da discriminação do género, coadjuvantes das relações de intimidade focadas pela desigualdade e pela violência”.