Greve: Pais de alunos de Viseu tiveram de pôr em prática o ‘plano B’

Alunos do Centro Escolar Aquilino Ribeiro, de Viseu, aguardaram hoje pelas 09:00 para saber se tinham aulas, mas a greve dos professores obrigou-os a entrarem novamente no carro para que os pais metessem em prática o "plano B".

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© Reuters

“Já sabia da greve através dos meios de comunicação. Vai ficar em casa da avó, que é sempre o plano B”, disse à agência Lusa Elsa Pinto, mãe de um menino de sete anos.

Também João Andrade, pai de uma menina de nove anos, já estava preparado para o terceiro dia de greve dos professores, que abrange toda a região centro.

“Ela tem ATL (Atividades de Tempos Livres), portanto, a situação é fácil de resolver. Noutras situações seriam os avós. Temos sempre solução”, frisou.

Marisa Coelho, mãe de dois meninos, um de quatro e outro de seis anos, foi uma das primeiras a chegar ao Centro Escolar Aquilino Ribeiro, onde dirigentes do Sindicato dos Professores da Região Centro estiveram a distribuir um documento aos pais e encarregados de educação.

“No caso do Tomás, a educadora já avisou ontem (terça-feira) que não vinha. Agora, vou ficar à espera até às 09:00 para saber do Francisco, que anda no primeiro ciclo”, afirmou.

O encerramento deste centro escolar da cidade de Viseu confirmou-se, mas não causou grande transtorno a Marisa Coelho, que trabalha por turnos no hospital e hoje está de folga, aproveitando assim para passar o dia com os filhos.

O Centro Escolar Aquilino Ribeiro tem 188 crianças no primeiro ciclo e cerca de 70 no pré-escolar. Nele trabalham oito professores titulares e três educadoras, sendo que apenas uma destas não fez greve.

O dirigente sindical Francisco Almeida disse à Lusa que o encerramento deste centro escolar já era esperado.

“Só se o Ministério de Educação tivesse contado o tempo de serviço é que este centro escolar hoje abria”, afirmou.

Francisco Almeida disse haver já indicação de “mais centros escolares grandes encerrados” no distrito de Viseu, como os de Espadanedo e Tarouquela, no concelho de Cinfães, e o de Jugueiros, na cidade de Viseu.

“Estamos, de certeza, perante uma grande greve”, frisou.

Os docentes exigem que nove anos, quatro meses e dois dias de trabalho sejam contabilizados na progressão de carreira, após um período de congelamento, e que sejam solucionadas questões relativas à aposentação, aos horários e à precariedade que atinge a profissão.

LUSA