“O recrutamento já não é só encontrar/procurar candidatos, mas sim atraí-los”

The Virtual Forge fornece aos seus clientes um serviço completo de desenvolvimento de software, oferecendo suporte durante todo o ciclo de vida do projeto. Ciente do impacto da tecnologia e do digital na forma como trabalhamos, Inês Lopes, HR Manager da The Virtual Forge, responde-nos a algumas questões sobre o novo paradigma de recrutamento em Portugal.

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O que está a mudar no Recrutamento em Portugal?

Durante muito tempo a definição de recrutamento foi “um conjunto de processos por parte da entidade empregadora com objectivo de encontrar potenciais candidatos aptos, qualificados e com o perfil adequado para determinada posição dentro de uma organização”. Em Portugal, onde a procura é maior que a oferta, o recrutamento acabou até por ser tornar banal e ser considerado uma tarefa, mais do que uma função a full-time, e as boas práticas de recrutamento eram reservadas para as multinacionais ou grandes infraestruturas e não para as PME’s, que representam a maioria do tecido empresarial do país.

Atualmente, com o acesso cada vez mais fácil a informação, a melhoria do estado económico do país e das empresas, a entrada de investimento estrangeiro e, até, com a própria geração “Millennial”, a interação dos candidatos com as empresas deu uma volta de 180º graus e, automaticamente, mudou o significado de Recrutar em Portugal – o Recrutamento já não é só encontrar/procurar candidatos, mas sim atraí-los.
Os departamentos de Recursos Humanos & Recrutamento são actualmente um dos pilares estratégicos das empresas em Portugal –  não só nas grandes infraestruturas e multinacionais. Subtilmente, as empresas vêem-se  na obrigação de criar uma cultura organizacional, employer-branding, políticas de benefícios e compensações, apostar na formação e no desenvolvimento de pessoas, gestão de carreiras, assim como alinhar os Recursos Humanos aos objetivos de negócio da empresa, de modo a que os candidatos também tenham interesse na organização. Consequentemente, hoje em dia uma entrevista não têm só o objetivo de conhecer o candidato, mas sim de, o candidato interessar-se pela empresa e questionar, de forma saudável, as suas práticas de RH.  O processo de “conquista” tornou-se bidirecional.

Por fim,  esta nova maneira das empresas se inovarem também leva ao aumento de custos internos, o que faz com que os processos de recrutamento hoje em dia se tornem mais exigentes e longos. A importância está cada vez mais em encontrar a pessoa certa, não só pelas suas core skills, mas também pelas suas soft skills, e em ter a certeza que se mantém os níveis de turnover baixos.

A tecnologia e o digital terão um impacto significativo na forma como trabalhamos, estaremos preparados para esta revolução? As empresas estão a adaptar-se para recrutar a geração “millennial”?

Como todas as revoluções, existem pontos positivos e negativos, e nenhuma revolução aconteceu do dia para a noite. Na minha perspetiva, a Era Digital / Revolução Tecnológica já está acontecer desde dos anos 90, em que os acessos aos telefones e Internet foi ficando acessível a toda a população; os computadores começaram a fazer o material de trabalho de todos os colaboradores; cada vez que os negócios tornam-se mais mecanizados e todas as áreas de negócio estão a ficar cada vez mais dependentes das novas tecnologias, como consequência, também nós estamos.

Vamos adequando-nos e preparando-nos para o que vem a seguir, mantendo o foco no lado positivo de cada novidade tecnológica que vai entrando nas nossas empresas e adaptando os cargos que deixaram de existir, para novos vão surgindo.
A tendência do mercado português e, das novas gerações – quer a Millennial quer a Y  – são de serem atraídas pelo que lhes é novo, do que é um desafio e do inatingível, levando a luta constante para se destacarem e para se sentirem realizados. A segurança e estabilidade no local de trabalho já não é que o que cativa esta geração, os jovens estão há procura de um propósito maior que cabe às organizações fornecer.

Cada vez mais conseguimos ver grandes empresas nacionais a apostarem forte na diferenciação e em tentarem atrair quem se consegue destacar num mercado cada vez mais competitivo. Isto é um reflexo de toda esta digitalização e o facto de cada vez mais vivermos numa aldeia global.

Desde empreendedores, líderes, team-players, multifunções, inovadores,  cada jovem vai-se adaptando às suas próprias capacidades e vai oferendo à empresa a sua própria visão de trabalho. As novas empresas já são conhecidas por apostar nestes profissionais e, as estrangeiras que se têm vindo a instalar em Portugal agradecem este positivismo, personalidade e produtividade que os millenial trazem à dinâmica das suas organizações. Quanto às empresas mais antigas em Portugal, estão a começar a apostar em Programas de Trainee, adaptando as políticas de RH e apostando em novas reestruturação da organização e da sua cultura.

O talento é base fundamental para os desafios de um candidato a um cargo na respetiva selecção no âmbito nacional? 

Falando da minha experiência na The Virtual Forge, o talento é efetivamente importante mas não mais relevante do que as soft skills. Sem esforço, dedicação, compreensão, partilha e foco, o talento não traz necessariamente resultados. Baseia-se, no fundo, numa questão de dar e receber. Uma dança entre as oportunidades que a empresa providencia a um colaborador talentoso e a resposta do mesmo perante essas oportunidades. Por esse motivo, nem sempre o talento é a escolha certa versus dedicação. Adicionalmente, o talento nem sempre está à vista num processo de recrutamento, o que o torna uma base menos segura de decisão quando procuramos o candidato ideal. Dedicação, por outro lado, assegura que o candidato vai estar presente na empresa e provavelmente estará disposto a aprender quaisquer skills necessários.