A tecnologia é o grande fator de mudança em vários contextos e no mundo do trabalho não é exceção. “A tecnologia e o trabalho em rede vieram revolucionar, a forma como pensamos, trabalhamos e nos relacionamos. Esta foi sem dúvida a mudança mais significativa dos últimos tempos”, começa por explicar Miguel Toscano.

A adaptação das empresas a esta nova realidade nem sempre é tarefa fácil e acessível. Em Portugal esta acessibilidade tem sido um desafio permanente entre as Pme’s e as microempresas que denotam mais dificuldades na adaptação a esta nova realidade e que requerem um maior desenvolvimento dos seus recursos humanos, especialmente aquelas que competem na economia global.

“Enquanto empresa especializada em recursos humanos tivemos de nos adaptar rapidamente. Esta adaptação foi difícil porque essencialmente trabalhamos em rede, de forma a integrarmos os ecossistemas e criar soluções em função das necessidades dos nossos clientes. Nesse âmbito, a forma de como toda a economia se encontra integrada, torna-se extremamente complexo decompormos essas relações e ajudarmos os clientes a desenvolver o seu capital humano”, elucida o country manager.

Na sociedade do conhecimento as pessoas passaram a ser o principal recurso e a informação a principal matéria-prima, portanto quem tiver as suas pessoas melhor preparadas e capacitadas para transformar informação em conhecimento e conhecimento em valor sustentável passará a ter claramente a vantagem competitiva”, defende o especialista.

As dificuldades maiores prendem-se em três áreas: Atração, Fidelização e Retenção de talento. “Estas três áreas são áreas para as quais as empresas portuguesas começam a despertar. Claro que empresas cotadas em bolsa ou com grandes departamentos de recursos humanos já possuem algumas soluções, mas Portugal vive numa economia de Pme’s e de microempresas onde efetivamente não existem ainda gestores orientados para uma efetiva gestão do talento”.

Para acompanhar as tendências globais, Miguel Toscano, acredita que as empresas têm de continuar a apostar na formação contínua, no desenvolvimento da mobilidade profissional, mas também em programas de gestão de talento estruturados desde a entrada até á saída de uma pessoa numa organização e que estes devem integrar 4 eixos: Atração, Fidelização, Retenção e a Gestão da Saída.

VÁRIAS GERAÇÕES VS O MESMO CONTEXTO LABORAL

As organizações têm hoje um fenómeno geracional para gerir. Existe uma multiplicidade de gerações dentro das organizações e o gestor de talento terá que ter a capacidade em potenciar todas as suas competências de uma forma alinhada ao serviço da empresa, desde dos tradicionais e baby boomers até aos millennials. “Existe uma riqueza brutal de know-how com metodologias de trabalho, sistemas de auto-aprendizagem e níveis de maturidade e performance tecnológica diferenciados assim como uma visão diferenciada de ver o mundo que nem sempre são utilizados e potenciados da melhor forma dentro das organizações. Ora, tudo isto é também um foco de conflito dentro das organizações. Alinhar todas estas competências e visões numa cultura organizacional é um dos principais desafios do gestor de talento”, defende o nosso interlocutor.

O primeiro passo para desenvolver um processo de atração de talento eficaz é, segundo Miguel Toscano, “conhecer muito bem a cultura organizacional de cada cliente, os valores representativos da sua marca e o mapa de competências críticas para o seu negócio. Qual o perfil desejado da pessoa a contratar e o que se espera dela no processo de criação de valor no curto, medio e longo prazo e claro como a empresa espera retribuir esse compromisso orientado para os resultados em termos de retribuição, valorização e reconhecimento”.

Numa entrevista de recrutamento há três coisas a que o recrutador toma especial atenção e que são indicadores de sucesso: a postura, o que motiva o candidato, quais as suas expectativas e que garantias de realização (pessoal e profissional) existem na vaga em questão. Por outro lado, a falta de conhecimento sobre a empresa (História, estrutura, volume de negócios) e foco exclusivo no salário são à partida motivos para não se criarem duvidas à sua contratação.

 

DE FORA PARA DENTRO

No actual baixo nível de desemprego existente em Portugal há uma carência de preenchimento de vagas para áreas mais técnicas e altamente especializadas, sobretudo em regiões fora dos grandes centros urbanos. Neste domínio Miguel Toscano entende que “ou as empresas começam por desenvolver as suas próprias unidades de formação seja individualmente ou em rede – através de modelos de joint-venture com empresas especializadas em gestão de talento ou então teremos de ir ao estrangeiro buscar talento. Por isso o Grupo Norte já está a trabalhar em outras geografias para atrair talento estrangeiro, principalmente onde o Grupo Norte está posicionado. Portugal é um país que recebe bem a todos os níveis e nas empresas isso também se verifica, onde o processo de aculturação não é difícil de se atingir. O mais difícil será encontrar a solução de atração mais ajustada para cada sector, indústria ou empresa de acordo com a realidade social e económica do ecossistema empreendedor local, e neste âmbito quer as autarquias quer a academia ou associações empresariais serão parceiros cruciais para o futuro desta estratégia”.

Apesar do contexto de extrema dificuldade da última crise o certo é que os Portugueses conseguiram dar a volta por cima e ganhar novamente a confiança dos seus parceiros europeus. Reinventamo-nos neste cantinho à beira mar plantado. Conseguimos controlar as contas publicas. Somos o pais da web summit e dos trofeus do Turismo de excelência. Somos mais inovadores, mais competitivos e conseguimos gerar mais emprego. É porque de facto temos capacidade para gerar talento. Não temos é capacidade para o fidelizar ou reter. Agora temos é de continuar a desenhar as nossas estratégias e implementar programas integrados de gestão do talento mesmo com o apoio de empresas especializadas como o Grupo Norte, ou seja, não agir neste domínio só por impulso ou em caso necessidade.

 O Grupo Norte é um grupo empresarial de capitais espanhóis com mais de quatro décadas de experiência em ofertas globais e integradas de gestão estratégica e operacional de recursos humanos e chegou a Portugal em 2017.

O Grupo Norte presta serviços de Consultoria, Formação, R&S, trabalho Temporario e é especialista em Externalização, facturando mais de 220 milhões de euros em serviços. Neste momento tem cerca de 12 mil colaboradores a operar no Chile, Peru, Espanha e Portugal, onde as economias e culturas são distintas e, por isso com níveis de desenvolvimento dispares, onde, contudo o denominador comum é o recurso humano. Esse é idêntico em todo o lado.