“Sou feminina, não sou feminista!”

Como em todas as histórias, vamos começar pelo princípio e contar-vos a história de Márcia Gigante, criadora da marca «Márcia Gigante – Concierge, Events & Consulting», que disponibiliza um serviço holístico de assessoria executiva, personalizado e à medida de cada cliente.

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Em que momento da sua vida surge «Márcia Gigante – Concierge, Events & Consulting»?

Sempre me considerei um hub, uma plataforma de relações internacional, com contactos, família e amigos nos cinco continentes. A experiência profissional consolidada nas áreas de relações externas, comunicação e gestão de pessoas, em multinacionais europeias, e o desafio de colegas e amigos, serviram de mote para me aventurar a fazer por conta própria o que realmente gosto e me motiva: estimular e estreitar relações, gerir a comunicação empresarial de forma global e integrada e ajudar as pessoas nos seus projetos. Com mais de 20 anos de experiência profissional, pretendo ser o elo de ligação entre investidores nacionais e estrangeiros. Depois de Luanda, Caldas da Rainha e Lisboa, Guimarães é agora a minha nova casa. É aqui que estou a desenvolver a marca «Márcia Gigante – Concierge, Events & Consulting», que disponibiliza um serviço holístico de assessoria executiva, personalizado e à medida de cada cliente.

É mulher, mãe e empreendedora. Que desafios ou que barreiras se enfrentam quando se toma iniciativa de implementar novos negócios?

O mais importante desafio é ser capaz de conciliar os projetos com a vida familiar. Não sendo viciada no trabalho, empenho-me com paixão em cada projeto a que me dedico, o que, por vezes, retira algum tempo à família, admito. Mas procuro sempre o equilíbrio. Tenho a felicidade de ter uma família estruturada, que me ama, me apoia e incentiva! Esse amor é a força que me permite desfrutar de ambos os mundos, o profissional e o familiar e afetivo.

A falta de soluções na legislação laboral que permitam esta conciliação é ainda uma barreira em Portugal. Sai prejudicada a estrutura familiar e, em consequência, assistimos ao adiamento da vida conjugal e à redução da natalidade.

Afirma que os seus maiores sonhos profissionais são a independência e o reconhecimento profissional. Objetivos alcançados?

A independência e autonomia são um caminho e não um fim em si mesmo. Considero ter construído uma reputação de profissionalismo, capacidade e dedicação que me irão permitir agora, num novo contexto, conseguir resultados muito interessantes.

Tem como missão apoiar e desenvolver o Empreendedorismo Feminino no Minho. A verdade é que as mulheres empreendedoras têm vindo crescer e a conquistar o seu espaço. Mas é suficiente? Existem as mesmas oportunidades para mulheres e homens?

No início de 2016 assumi a responsabilidade pela implantação, gestão e desenvolvimento da rede de associadas da “Adoro Ser Mulher” em Braga e Guimarães, dando a conhecer as atividades e partilhando a filosofia deste grupo de Mulheres Empreendedoras. Criamos sinergias, porque juntas somos mais fortes! O Empreendedorismo Feminino tem crescido, e o Minho tem-se revelado uma agradável surpresa. Creio que as mulheres são, em geral, mais criativas e isso permite encontrar uma panóplia mais vasta de ideias, que podem transformar-se em negócios com sucesso. Aborrece-me a “questão da igualdade”. Sou feminina, não sou feminista! É inegável que existem atividades mais adequadas para o homem e outras para a mulher. As oportunidades? Podem não ser as mesmas, em número, mas estão aí. Cabe-nos a nós lutarmos por estas (ou criá-las!), demonstrando capacidade, valor e mérito, em vez de acedermos a estas em função de quotas. Parece-me um mau princípio.

De igual forma, a presença feminina é cada vez maior no mundo dos negócios. É fácil ser-se mulher no mundo dos negócios? Alguma vez sentiu dificuldades ou enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

Nas empresas em que trabalhei a gestão era maioritariamente masculina. No entanto, jamais fui preterida por ser Mulher. Temos que saber conquistar o nosso espaço, trabalhando o melhor que sabemos, de forma inteligente. A mulher é um ser especial. Tem a capacidade de se adaptar rapidamente a qualquer situação. Tem uma maior sensibilidade e maior atenção aos detalhes. A diplomacia é uma qualidade inata.

Hoje faz aquilo que realmente gosta. Que mensagem gostaria de deixar às nossas leitoras, sejam elas empreendedoras, mães, mulheres de negócios ou não?

Se quer algo e tem força de vontade, então deverá procurar e agarrar as oportunidades que vão surgindo. Não esqueça que a cortesia, o respeito, a honestidade e a humildade são virtudes indispensáveis para o estabelecimento de relações profissionais saudáveis e equilibradas. Saber estar é saber fazer. Perante a adversidade, persistir sempre!