“Onde o histórico e o moderno são igualmente valorizados”

A Bonhams, uma das maiores leiloeiras do mundo, abriu escritório em Portugal em 2015. Filipa Rebelo de Andrade, representante da Bonhams em Portugal, fala-nos mais sobre a casa de leilões londrina, dedicada à venda de obras de arte e objetos antigos.

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A Bonhams, uma empresa inglesa e uma das maiores leiloeiras do mundo, trabalha com o mercado português há várias décadas. Em 2015, na sequência do crescimento exponencial do negócio com Portugal, a Bonhams abriu escritório em Lisboa para estabelecer uma maior proximidade e atendimento personalizado aos  seus clientes, uma vez que, como Filipa Rebelo de Andrade refere, “cada cliente é um cliente e impõe-se, portanto, um contacto sensível e permanente”.

“Portugal é um país com leiloeiras nacionais, peças e colecionadores ímpares, no entanto, este não é um setor enraizado na cultura como acontece na Inglaterra”, começa por referir  Filipa Rebelo de Andrade, realçando a necessidade de salientar que leiloar arte não se trata apenas de vender ou comprar. “É um processo complexo e exigente, onde atuam vários profissionais altamente especializados, que fazem a ponte entre a peritagem da obra, a sua inserção histórica e a vertente comercial”. Com 60 departamentos de colecionáveis diferentes, desde relógios, passando pelos carros, até à arte contemporânea, a Bonhams é a leiloeira com mais áreas especializadas.

Diamante Rosa Vendido por € 2,504,973 incluindo prémio 26 de Setembro de 2018, New Bond Street, Londres

 

QUEM É FILIPA REBELO DE ANDRADE

Formada em História da Arte,  Filipa Rebelo de Andrade  “sente-se uma privilegiada por ter trabalhado sempre na sua área”. Após a licenciatura foi para Inglaterra onde, na Universidade de Londres, fez vários estudos de pós-graduação na Faculdade de Estudos Orientais e Asiáticos (SOAS), bem como na Universidade de Manchester, trabalhando ainda numa das principais leiloeiras inglesas. Esse era o seu foco: a arte chinesa, mas com intuito comercial.

Mais tarde,  Filipa Rebelo de Andrade  abraçou a oportunidade de trabalhar na constituição de coleções, fazendo a ponte com o mundo comercial enquanto curadora de arte na Fundação Oriente, em Lisboa. Aqui levou a cabo a gestão da relação entre a Fundação e o mundo da arte comercial.

Em 2010 é convidada para representante da Bonhams em Portugal. E que desafios se enfrentam num cargo desta dimensão? Questionámos a nossa entrevistada. “O maior desafio passou por lançar uma casa fundada no século XVIII num país onde o grande público tinha pouco conhecimento sobre a sua presença. Por outro lado, estar à altura da confiança que a Bonhams depositou em mim para levar a cabo esta tarefa, bem como da confiança que cada cliente deposita em nós, para transacionar as suas obras”, afirma  Filipa Rebelo de Andrade.

PORTUGAL E REINO UNIDO: UMA LONGA ALIANÇA HISTÓRICA

Devido ao ‘Brexit’ muito se tem falado na necessidade de garantir a estabilidade da relação histórica entre Portugal e o Reino Unido. No entanto, o efeito “Brexit” não se faz sentir na Bonhams. “Não houve nenhum indício negativo. Nos últimos dois anos, após o referendo, a Bonhams continuou a ser «business as usual»”. Londres continua a assumir-se como o grande centro do comércio da arte a nível mundial. Há sempre um reverso da moeda e comprar arte em Londres tornou-se mais apelativo, por exemplo, para clientes dos EUA. Acima de tudo, é importante referir que a Bonhams, sendo uma empresa inglesa, é uma miltinacional habituada a transacionar nos vários pontos do mundo, como Nova Iorque ou Hong Kong, para além do Reino Unido. “Somos uma opção muito importante para colocar uma peça na plataforma internacional.  somos uma porta de entrada para a plataforma global da arte. O nosso trabalho passa por criar oportunidades para os clientes, sejam eles compradores ou vendedores, de terem acesso a esta plataforma global da arte. é também importante no nosso trabalho a ligação entre o mundo museológico, o académico e o comercial. Esta ligação é fundamental”, diz-nos  Filipa Rebelo de Andrade.  

BONHAMS

A Bonhams tem o privilégio de apresentar para venda uma seleção do conteúdo particular da família Churchill, entre os quais se encontram a magnífica tiara Art Deco, da autoria de Hennell e o Coronation Robe e Coronet, estes especialmente desenhados para a cerimónia de coroação do rei Jorge VI, pelo costureiro da casa real Norman Hartnell (1901- 1979), que remetem para a importante parte da História de Inglaterra.

 

Bonhams bate vários recordes no 51º leilão da empresa no Goodwood Festival of Speed.

No passado dia 8 de Setembro, os clássicos foram top performers no quinquagésimo primeiro leilão que a Bonhams organizou no Goodwood Festival of Speed, destacando-se o Shelby Cobra 289ci Roadster de 1964, que foi ferozmente disputado com lances do público, do telefone e online, tendo sido vendido por € 1,520,134 (incluindo prémio).

Shelby Cobra 289ci Roadster de 1964

Anote esta data:

Avaliações de Espingardas (sujeitas a marcação prévia) – dia 15 de Novembro em Lisboa

15 de Novembro, em Lisboa, a Bonhams estará a realizar avaliações gratuitas de Espingardas de Desporto, sujeitas a marcação prévia.

Boss & Co., No. 4181 Vendida por € 30,942 (inc. prémio)

 

Arte Contemporânea da Bonhams, em New Bond Street, no dia 27 de Junho.

Oferecido em leilão pela primeira vez, esta obra tinha uma estimativa de £800.000 -1.200.000.

Figure on a Bed II, uma obra-prima da fase inicial da carreira de Frank Auerbach, datada de 1967, foi vendida por € 1,620,525 (incluindo prémio) no leilão de Arte.