Já pensou nos serviços que a natureza presta “gratuitamente” à humanidade?

A Biota - Estudos e Divulgação em Ambiente - comemora este ano dez anos de atividade. Em entrevista, Patrícia Rodrigues, CEO da Biota, fala-nos dos projetos da empresa e dos desafios ligados à problemática da conservação da natureza e da biodiversidade.

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Inovação é a palavra de ordem na atividade da Biota, fale-nos um pouco sobre um dos vossos projetos.

É sempre difícil eleger um único projeto quando o portfólio já ultrapassa os 300. O crescimento de uma empresa é algo de multidimensional, multisetorial, daí vários projetos distintos terem sido muito importantes para o crescimento e consolidação da BIOTA. Para mencionar apenas um é incontornável a referência ao projeto de translocação de bivalves de água doce, pioneiro em Portugal, associado ao aproveitamento hidroelétrico do Baixo Sabor.

Que retrospetiva pode ser feita da presença da Biota no mercado e dos desafios enfrentados?

A BIOTA tem uma característica muito própria que é a sua capacidade de estabelecer colaborações e parcerias com entidades e pessoas muito diversas. Isso permite-lhe produzir soluções criativas porque consegue integrar uma diversidade que é crucial para lidar com a complexidade tipicamente associada à problemática da conservação da natureza e da biodiversidade. A crise económica em Portugal foi um dos desafios mais difíceis que foram superados. A internacionalização foi e é outro enorme desafio que temos abraçado, com a sua diversidade económica, cultural, etc. Sem dúvida uma experiência muito enriquecedora, inegavelmente decisiva para o nosso crescimento, a todos os níveis.

A empresa comemora este ano dez anos de atividade. Dez anos de Biota, dez anos de…?

…desafios. Claro, todas as empresas que comemoram uma década têm um portefólio de desafios superados! Como a BIOTA nasceu em tempos de crise económica, esse contexto imprimiu-lhe desde sempre uma elevada resiliência e capacidade de superação para ultrapassar obstáculos à medida que estes foram surgindo. Também se poderia falar em dez anos de colaboração, de sinergias, de uma maneira de estar que permite estabelecer pontes e parcerias. Vamos comemorar uma década de existência no próximo dia 17 de outubro e iremos realizar o Seminário 10 Anos BIOTA, com uma tarde de partilha de conhecimentos e experiências, com momentos de inspiração e networking, onde foram abordados temas como, por exemplo, o Turismo e o Património Natural, o futuro da Avaliação de Impacte Ambiental, o Capital Natural, a Sustentabilidade e a Importância do Networking.

A preservação ambiental é hoje, mais do que nunca, um dos desafios da sociedade. Que importância assume a consultoria ambiental?

A consultoria ambiental assume uma enorme importância para a preservação ambiental, e para a conservação da natureza e biodiversidade, em particular.

São as entidades que prestam consultoria que operam junto dos promotores de projetos, públicos e privados, que potencialmente têm ações mais impactantes no ambiente, contribuindo para tornar os seus projetos mais sustentáveis.

Urge, cada vez mais, consciencializar para a importância da gestão ambiental como uma oportunidade de crescimento económico sustentado?

Sem dúvida. E é nesse contexto que queremos trazer, no âmbito do nosso evento, o tema do Capital Natural, um conceito ainda pouco conhecido em Portugal, que se centra nessa problemática. Este conceito baseia-se na valorização dos serviços de ecossistemas que, de uma forma simplista, são os serviços que a natureza tem prestado “gratuitamente” à humanidade. Um exemplo muito conhecido é a polinização realizada pelas abelhas. Atualmente, nalguns países, já são realizados avultados investimentos em polinização “artificial” em consequência dos desequilíbrios ambientais causados pelo Homem, o que ilustra bem a importância deste serviço. Os serviços de ecossistemas podem ser quantificados e utilizados na tomada de decisão para evitar perdas de biodiversidade e promover o crescimento económico, em simultâneo com a preservação ambiental.

Em questões de preservação ambiental, Portugal é um país maduro?

Podemos dizer que caminha para a maturidade. Tal como o desenvolvimento dos jovens, a maturidade não é unidimensional, há muitas variáveis que influenciam esse percurso. Nalguns aspetos, Portugal apresenta bastante maturidade, noutros ainda tem um caminho importante a percorrer. Por exemplo, no que diz respeito ao enquadramento legislativo somos um dos países que mais se destaca a nível europeu. Mas se pensarmos em questões que se relacionam com a integração das preocupações de conservação da biodiversidade a nível transversal no contexto das atividades económicas, nomeadamente a nível de perceção, desenvolvimento e implementação, o panorama é muito heterogéneo.