Prevenção e segurança são as prioridades da Associação Portuguesa de Riscos

No dia 25 de outubro, no Fórum Picoas, em Lisboa, irá realizar-se o XI Encontro Nacional de Riscos, este ano com o tema: “Incêndios em estruturas. Aprender com o passado”. Em entrevista, Luciano Lourenço, Presidente da Comissão Organizadora e Professor Catedrático da Universidade de Coimbra, explica os objetivos deste encontro.

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A RISCOS – Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança, é uma associação privada, sem fins lucrativos, criada com o objetivo de prevenir os riscos a que todos os dias estamos expostos, de minimizar as consequências das suas manifestações e contribuir para a segurança das pessoas e dos seus bens.

Há 14 anos que estes encontros nacionais têm palco e vão dando voz a questões que envolvem toda a sociedade portuguesa. Este ano, o evento tem como ponto de partida os 30 anos que decorreram desde o incêndio do Chiado e, como foco, a premissa de “aprender com o passado”. A 25 de agosto de 1988 as chamas destruíram por completo os armazéns Grandella e Chiado, da baixa lisboeta. O fogo que deflagrou por volta das cinco horas da manhã, destruiu 18 edifícios e uma área que equivale a quase oito estádios de futebol.

“Nos últimos anos, os encontros têm sido organizados no sentido de serem comemorativos, utilizando uma efeméride histórica. A ideia é sempre aprender com o passado”.

O objetivo deste encontro, assim como dos anteriores e dos futuros, é o de aprender com os acontecimentos do passado. Este tem a ver com problemas ligados aos chamados incêndios urbanos, designadamente em termos de combate aos incêndios nas grandes estruturas.

A falta de informação é ainda um problema no combate aos incêndios urbanos, o que torna a ação humana amplamente responsável por ocorrências deste tipo.

Numa lógica de descentralizar a questão dos riscos, os encontros já se realizaram em vários pontos do país. “Os riscos que dizem respeito às chamadas catástrofes naturais não estão relacionados diretamente com a natureza, mas sim com as atividades humanas, isto é, podem ser prevenidos. O fenómeno em si é natural e o que o torna perigoso é a presença humana. Se lá não estivermos ou os nossos bens, o fenómeno não afeta as pessoas ou os seus bens, logo não causa dano, trata-se dum processo natural. Na maior parte das vezes somos nós os responsáveis e por isso é que estes encontros têm como carimbo, também, a prevenção”, explica o nosso interlocutor.

Na opinião de Luciano Lourenço, em algumas áreas, Portugal tem aprendido com o passado, nomeadamente com os sismos, mas ainda há um longo caminho a percorrer. Em termos de ordenamento e construção, tudo o que decorreu do grande terramoto de Lisboa de 1755 foi uma grande lição, marcou e mudou o pensamento de então sobre as causas dos sismos, deu início à construção antissísmica, tornou o conhecimento mais científico.

No entanto, o melhoramento tem de ser uma constante, quer  a nível de equipamentos, quer de profissionais bem formados.

O público mais interessado, à partida e numa vertente técnica, são os bombeiros e demais agentes de proteção civil, no entanto, o cidadão comum tem o máximo interesse em saber como se pode prevenir e deve reagir perante os riscos.

Com um painel composto por profissionais de várias áreas, desde as engenharias, ciências, história, geografia, jornalismo, a mensagem tende a ser clara: “o risco é transversal a muitas áreas da sociedade”, afirma o professor.

A associação promove, ainda, sequencialmente e de três em três anos, simpósios ibero-afro-americanos e congressos internacionais de riscos.

O tema para o Encontro do próximo ano já está pensado e será sobre risco  sismíco em Portugal.