SACS é o primeiro Cabo Submarino, no Hemisfério Sul, a ligar África à América do Sul

Angola Cables construiu o SACS, South Atlantic Cable System, o primeiro cabo submarino no Hemisfério Sul a ligar diretamente África à América do Sul. António Nunes, CEO da empresa, conta tudo.

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Desde 2009 que a Angola Cables tem vindo a investir e a aumentar as suas infraestruturas. Que balanço é possível fazer da presença da empresa no mercado?

Podemos dizer que o balanço é bastante positivo.

Somos já hoje o maior provedor de IP transito (acesso a Internet) ao mercado angolano. O uso da Internet em Angola aumentou entre 2015 e 2017, de 2.3G para 10.9G. O Angonap Luanda (datacenter da Angola Cables) é o ponto de maior conectividade nacional e internacional, no país. A redução dos custos das ligações internacionais tem sido um fator de ganho do mercado, desde a entrada ao serviço da Angola Cables o custo de 1x STM1 entre Luanda e Londres baixou de cerca de 300.000 USD para 22.000 USD por mês.

A Angola Cables construiu o SACS, South Atlantic Cable System, o primeiro cabo submarino no Hemisfério Sul a ligar diretamente o Brasil à Africa. Este é, de facto, um feito histórico para o continente africano?

Sem dúvida. O SACS é o sistema submarino que irá mudar a história das comunicações mundiais. De agora em diante as redes de dados irão poder interligar-se diretamente através do Atlântico Sul. Os datacenters instalados na LATAM poderão trocar informação com os datacenters ativos em África de uma forma muito eficiente. Este sistema liga Sangano (Angola) a Fortaleza (Brasil) em 63 milésimos de segundo.

As velocidades de transferência de dados serão consideravelmente melhoradas (cinco vezes mais rápido do que as rotas de cabos existentes até agora), reduzindo a latência do Brasil para Angola de 350 para 63 milésimos de segundo.

O SACS oferece alta qualidade de serviço e melhor latência de até 60% em relação às opções atuais de roteamento. O cabo também contribuirá para reduções nos custos de tráfego de dados entre a América do Sul e a África, oferecendo economias para as operadoras que, por sua vez, poderiam ser repassadas aos utilizadores finais e clientes.

Esta nova rota mudará a dinâmica do tráfego da Internet no Hemisfério Sul e, combinado com o Monet e o WACS, alterará drasticamente as opções globais de roteamento de tráfego digital, sobretudo, porque o SACS é uma nova via para dados entre redes, grandes provedores de conteúdo e alguns dos mercados que mais crescem para o consumo de dados.

A entrada em funcionamento do cabo SACS é um salto gigantesco na conectividade transatlântica e terá um impacto profundo na conectividade digital global, ao mesmo tempo em que se espera acelerar a atividade comercial nos setores de TIC e estimular as economias emergentes em África e na América Latina.

O cabo permitirá aos provedores de serviços de Internet e utilizadores africanos um caminho mais direto e seguro para as Américas – sem ter que passar pela Europa. Os provedores de serviços de conteúdo na América Latina também poderão beneficiar-se com a opção de usar a rota SACS para alcançar mercados em África e na Europa, sem utilizar os tradicionais e de alto volume, rotas de tráfego.

Para além deste cabo, a empresa construiu o cabo Monet que liga Brasil aos EUA, estando em curso a construção do Data Center Angonap Fortaleza. Que importância assume mais este passo para a empresa e para o setor das telecomunicações?

O Angonap Fortaleza, trará outra dimensão à rede da Angola Cables. Este datacenter será simultaneamente a landing station dos cabos SACS e Monet para a Angola Cables e para além da grande oportunidade de conexão internacional, terá a possibilidade de ser uma infraestrutura capaz de agregar os conteúdos produzidos no Nordeste brasileiro servindo como ponto de agregação. Neste momento o datacenter já hospeda o ponto académico de troca de trafego da LATAM e poderá igualmente vir a agregar um IXP local.

Fortaleza passará a ser um HUB de interligação internacional de grande referência na LATAM. Para além disso este ponto de atratividade do ecossistema digital, transformará o Ceará numa plataforma importante no desenvolvimento da 4ª revolução industrial no Brasil.

Em Fortaleza, o investimento realizado pela empresa é considerado estratégico pelas autoridades locais, e da maior importância para o desenvolvimento digital e económico da região.

Esperamos assim dotar a região de infraestruturas necessárias para ajudar desenvolver um setor produtivo no Ceará, com base na tecnologia e data, na vanguarda da nova evolução industrial. A construção desta ponte digital Brasil-Angola trará para as duas regiões, a oportunidade de desenvolverem negócios, nas diferentes áreas dos sectores produtivos, como os da agricultura, educação e saúde.

A operadora de telecomunicações de cabos de telecomunicação de fibra ótica tem atualmente dois cabos em construção. Fale-nos um pouco sobre estes empreendimentos.

Qualquer um dos cabos que estavam em construção estão finalizados e a operar tráfego, neste momento.

O Monet liga o Brasil aos Estados Unidos e a Angola Cables (AC) e tem dois pares de fibra neste sistema. Neste sistema a Angola Cables liga ponto a ponto os datacenters MI3 em Baca Raton e MI1 em Miami ao Angonap Fortaleza e ao SP3 de São Paulo. O sistema ficou ativo em Janeiro de 2018 e a AC está já a comercializar neste sistema. Com o SACS e o WACS a AC oferece conectividade direta entre África e os EUA.

O SACS

O sistema tem quatro pares de fibra e uma capacidade teórica atual de 40Tb/s. Este liga o data center Angonap Fortaleza, no Ceará, ao Angonap Luanda, em Angola.

A sua distância é de mais de 6000 km e tem uma latência de 63 milissegundos, ou seja, mais rápido que um piscar de olhos. O seu início de operação foi assinalado na passada quinta feira, dia 27, numa cerimónia em Luanda

A rede da AC operacional, Luanda está conectada a Londres e a Miami com  aproximadamente a mesma latência, cerca de 128 milésimos de segundos. Ao ligarmos estes dois principais hubs de conteúdos, com São Paulo e Joanesburgo, posicionamos Angola como um ponto estratégico para servir a região transatlântica com baixa latência e conexões resilientes.

A Angola Cables é também operadora de data centres, estando em fase de expansão a área de cobertura. Fale-nos também sobre este serviço e dos passos que estão a ser dados.

A AC já opera um datacenter em Luanda. Este está praticamente na sua capacidade máxima de uso e encontra-se neste momento na fase de expansão.

Quanto ao datacenter de Fortaleza este está em fase de conclusão e terá uma certificação de tier3, de forma a poder concorrer no mercado internacional de acordo com as boas normas. Está previsto o seu crescimento e por isso foi concebido a crescer de acordo com a demanda do mercado.

Com o propósito de contribuir para o desenvolvimento tecnológico e para a melhoria do acesso de todos à informação digital, quais diria serem os principais desafios que enfrentam?

O maior desafio que enfrentamos é sempre a capacidade de venda. Para que possamos ser sustentáveis, temos de ser credíveis perante os nossos clientes. Para isso a empresa tem de entregar o que se compromete. Não podemos oferecer o que não temos ou o que não podemos entregar ao mercado. Temos tido sempre o maior cuidado em cresceremos de forma sustentável.  Para nós, a formação dos nossos quadros e acumular de conhecimento com os erros que cometemos tem sido sempre uma das nossas grandes preocupações e desafios. Não é simples estarmos a competir com os grandes operadores mundiais na mesma área de atividade. Contudo a empresa tem crescido e ganho a sua reputação regional. Isto significa que temos feito um bom trabalho.

E quais são as oportunidades que a Angola Cables está a edificar para o continente africano e, em concreto, para Angola?

Cumprir com o nosso objetivo e tornar Angola num HUB de telecomunicações em África.