Greve: CP alerta para “fortes perturbações na circulação” na quarta-feira

A CP-Comboios de Portugal alertou para "fortes perturbações na circulação" na próxima quarta-feira, devido à greve convocada por sindicados da IP-Infraestruturas de Portugal, empresa gestora da infraestrutura ferroviária.

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© Reuters

Segundo o aviso colocado na página da internet da CP, na quarta-feira “preveem-se supressões de comboios a nível nacional em todos os serviços” e “não serão disponibilizados transportes alternativos“.

A CP informou que os passageiros que tenham comprado bilhetes para comboios dos serviços alfa pendular, intercidades, interRegional, regional e celta podem ser reembolsados pelo valor gasto ou podem revalidar, sem custos.

Entretanto, fonte oficial da IP referiu à agência Lusa que o “processo negocial ainda decorre” e que a expectativa da empresa é que “seja atingido um acordo” que permitida desconvocar a paralisação.

Segundo decisão do tribunal arbitral sobre o protesto marcado por 14 organizações sindicais, ficam garantidos os serviços mínimos definidos legalmente.

Depois de apresentados os argumentos da empresa e dos sindicatos, o tribunal decidiu estarem abrangidos, nos serviços mínimos, os encaminhamentos para o destino de comboios a circular ao início da greve, os comboios socorro e aqueles que transportem matérias perigosas, ‘jet fuel’, carvão e bens perecíveis.

Na reunião para determinar os serviços mínimos, que decorreu na sexta-feira, a IP apresentou a ata de reunião da Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho, na qual dois sindicatos (ASCEF e SINFA) tinham concordado com a proposta apresentada pela empresa de 25% de serviços mínimos.

Já 12 sindicatos referiram dever estar abrangidos apenas, nos serviços mínimos, os comboios em marcha à hora da greve, os comboios de socorro e os trabalhadores que asseguram serviços para a segurança e manutenção de equipamentos e instalações.

O aviso prévio de greve foi também subscrito pela FECTRANS – Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, FENTCOP – Sindicato Nacional dos Transportes Comunicações e Obras Públicas, FNSTPS – Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, SINAFE – Sindicato Nacional dos Ferroviários do Movimento e Afins, SINDEFER – Sindicato Nacional Democrático da Ferrovia, SINFB – Sindicato Independente Nacional dos Ferroviários, SINFESE – Sindicato Nacional dos Ferroviários Administrativos Técnicos e de Serviços, SINTAP – Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública, SIOFA – Sindicato Independente dos Operacionais Ferroviários, SNAQ — Sindicato Nacional de Quadros Técnicos, SNTSF – Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário e STF — Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários.

Na quinta-feira, as organizações de trabalhadores da IP voltaram a exigir que a administração da empresa e o Governo concretizem o acordo coletivo de trabalho e cheguem a acordo sobre um regulamento de carreiras.

Num cordão humano realizado em Lisboa, entre o Ministério do Planeamento e Infraestruturas e a Presidência do Conselho de Ministros, foram entregues, respetivamente, dois documentos a exigir a concretização do acordo em curso.

Em 10 de outubro, a FECTRANS anunciava que a greve na IP marcada para dois dias depois decorreria em 31 de outubro, nos “mesmos moldes”.

O tribunal arbitral tinha decidido que a greve de 12 de outubro também não iria ter serviços mínimos, além dos obrigatórios por lei. Já nessa altura, a CP tinha alertado para as “fortes perturbações” na circulação de comboios devido ao protesto dos trabalhadores.

Os sindicatos que convocaram a greve exigem “respostas às propostas sindicais tanto da parte da empresa como do Governo” em relação à negociação do acordo coletivo, disse o coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Setor Ferroviário (SNTSF), José Manuel Oliveira, à Lusa.

“A empresa e o Governo pretendem fazer uma negociação sem a valorização salarial e profissional dos trabalhadores”, defendeu o dirigente sindical, acrescentando que, nesta altura, “há uma grande distância” entre as posições dos sindicatos e da IP para que seja possível um acordo.

LUSA