A Hilti é considerada, tendo já arrecadado prémios nesse sentido, uma das melhores empresas para se trabalhar em Portugal. Quais são os fatores que tornam a Hilti numa empresa onde as pessoas querem trabalhar?

Sim. É com orgulho que temos recebido essas distinções, algo que considero uma consequência muito clara da forma como vemos e como trabalhamos com as pessoas dentro da empresa. Temos uma comunicação extremamente simples e direta, somos uma equipa pequena, constituída por cerca de 115 trabalhadores, na qual a proximidade entre as pessoas é evidente… E um dos exemplos disso é o “open space” que temos na nossa sede, onde convivem vários departamentos, pois pretendemos que as pessoas comuniquem, independentemente da função que exercem. E isto também se deve a um excelente trabalho dos nossos recursos humanos, que sabem escutar as pessoas dentro da empresa. Nós desenvolvemos anualmente um questionário em que procuramos perceber os níveis de satisfação dos nossos colaboradores relativamente à empresa, ao trabalho, à chefia e aos colegas. Nesse questionário as pessoas são incentivadas a veicularem opiniões, expectativas e sugestões para melhorarmos. E todos os anos temos implementado medidas sugeridas pelos colaboradores. A título de exemplo, uma das mais recentes iniciativas que implementamos, e que está relacionada com uma preocupação crescente dos nossos colaboradores com o equilíbrio trabalho/vida, foi a possibilidade de nos departamentos internos os colaboradores terem a possibilidade de praticarem um horário de entrada e saída flexível, assim como terem flexibilidade no tempo de trabalho.

Esta ideia da centralização nas pessoas já vem do nosso fundador, Martin Hilti, que afirmava que as pessoas estão em primeiro lugar. E nós apenas damos sequência a essa máxima, considerando-as o mais importante recurso que temos dentro da Hilti. Sem pessoas motivadas e contentes com a empresa, certamente não teríamos os resultados que estamos hoje a alcançar e, simultaneamente, teríamos clientes insatisfeitos porque a insatisfação interna reflete-se diretamente na insatisfação externa.

O capital humano tem vindo a ser uma área em que as organizações portuguesas mais apostam nos últimos tempos. Quais têm sido as apostas da Hilti nesta temática?

Sim, de fato é verdade que a preocupação com o capital humano tem aumentado ou pelo menos é um tópico cada vez mais consciente nas organizações. Contudo este não é um problema para a Hilti, já que a base da nossa estratégia são mesmo as Pessoas e o seu desenvolvimento dentro da empresa.

Tem sido feita uma aposta muito clara em responsabilizar, não apenas o líder, mas também o próprio colaborador, pelo seu próprio desenvolvimento. É esta cultura de empreendedorismo que queremos cultivar em todas as nossas pessoas. Temos neste momento quase 30 colaboradores que começaram a sua carreira na Hilti Portugal, e que agora estão em posições de destaque na Hilti Internacional. Penso que o facto de nos últimos anos termos mais de dez pessoas que se desenvolveram internacionalmente, é uma evidência forte que estamos no bom caminho. Adicionalmente temos obviamente colaboradores com um excelente desenvolvimento na nossa organização em Portugal.

Existe um perfil de um trabalhador Hilti? Qual é?

Uma dimensão não negociável são os valores que um colaborador nosso tem obrigatoriamente de ter, sendo que no caso da Hilti são a Integridade, Coragem, Trabalho de Equipa e Compromisso.

Não me pronunciando sobre as demais empresas, e respeitando a diversidade das nossas pessoas (porque obviamente não temos, nem procuramos, o mesmo perfil para todas as posições), diria que genericamente um colaborador Hilti deve ser um verdadeiro entrepreneur. Na Hilti, isto significa que esta pessoa deve ter as seguintes cinco características:

– Trabalha com o que tem

– Procura e cria oportunidades

– Decide, move-se com rapidez, aprende, corrige ou para quando necessário

– Gere como se fosse o seu dinheiro

– É determinado em atingir bons resultados

Este perfil é extremamente valorizado na Hilti, estando mesmo incorporado na essência da nossa Estratégia 2020.

Após o recrutamento temos processos 100% claros de acompanhamento e desenvolvimento, sendo que neste caminho, os Recursos Humanos podem, e devem ter um papel ativo, assegurando que os processos que suportam o desenvolvimento são implementados de forma ativa e consistente.

As soft skills, como a flexibilidade cognitiva ou a inteligência emocional, são tão importantes como uma boa formação técnica? Porquê?

Na minha opinião, as soft skills são ainda mais importantes. Inclusivamente uma boa formação técnica já não tem a diferenciação que tinha no passado num mundo pautado por mutações tão aceleradas. Os fatores de diferenciação encontram-se exatamente nas soft-skills, nomeadamente na flexibilidade cognitiva e inteligência emocional que refere.

Devido a esta valorização de emoções ter-se-á tornado o recrutamento mais exigente?

Sim, especialmente para o entrevistador, que numa breve conversa necessita de ter a capacidade para observar estas competências. Com a minha experiência fui apurando esta sensibilidade.

Três competências de que quem quer trabalhar na Hilti tem de ter.

Pessoas das áreas de Engenharia Civil, Marketing, Economia e Gestão, que para além das competências técnicas, possuam fortes competências interpessoais e de comunicação, gostem de desafios, trabalhem em equipa de forma inclusiva, tenham sede de aprender e de se superar constantemente e ambição por uma carreira internacional.

Por outro lado, que características fazem alguém ser excluído?

Falta de valores, dos quais destacamos compromisso, trabalho em equipa, coragem e integridade.

Líder há mais de três décadas da empresa, que análise faz acerca do panorama que se vive a nível organizacional nas empresas portuguesas no que diz respeito à atenção dadas aos seus colaboradores?

Foram 36 anos que trabalhei em diversos países e em diversas posições, e noto uma evolução positiva a esse nível, nas empresas portuguesas. É um facto que hoje em dia, os gestores começam a dar cada vez mais atenção aos seus recursos humanos, sabendo que a felicidade e motivação no trabalho traz no final, uma maior produtividade.

Em anos passados, e quando se vive longos períodos de crise, há uma tendência para se olhar apenas para os resultados, mas aos poucos, e muitas empresas já dão cartas, o capital humano ganha prioridade.

A Hilti Portugal utiliza mão-de-obra exclusivamente portuguesa e esta é uma característica do grupo nos vários locais a nível global onde opera…

Não, e apesar de neste momento não termos estrangeiros na Hilti Portugal, no passado este não foi o caso e tenho a certeza que no futuro também não será. É verdade que temos promovido na Hilti Portugal bastante o desenvolvimento de talentos portugueses que se desenvolvem posteriormente para outros países em que a Hilti está presente, e somos muito reconhecidos por isso.

Num cenário de crise económica, de que forma se motivam as pessoas?

Devemos ser consistentes com a nossa estratégia. A prioridade que damos às pessoas não deve nem pode ser afetada pelos ciclos económicos ou de contexto. Diria que é ainda mais importante darmos a importância que as pessoas merecem em alturas de crise, com uma comunicação próxima de forma a tranquilizar a organização. Isto não significa que não se tenham tomado decisões bem difíceis durante os anos de crise que afetaram toda a economia e a construção com especial incidência, mas estas decisões devem ser tomadas e comunicadas com todo o respeito que os colaboradores merecem.

O facto de que este equilíbrio é possível, é o facto de o nosso inquérito interno de satisfação anual ter tido melhorias de ano para ano durante o período de crise, período durante o qual nos vimos forçados a reduzir a estrutura de colaboradores. Os reconhecimentos externos, com prémios como Empresa Feliz ou Melhor Empresa para Trabalhar também reforçam esta mesma mensagem.

Afinal, de que precisam os colaboradores no contexto organizacional?

Reconhecimento, segurança, oportunidades de desenvolvimento, formação e flexibilidade.

Qual é o grande projeto de negócios da Hilti em Portugal?

Esperamos um futuro desafiante, assente no crescimento sustentado e numa estratégia na área de serviços e soluções de gestão digitais. É importante que as empresas do setor recorram a novas soluções e tecnologias para se tornarem mais rentáveis e ganharem competitividade. O mercado exige cada vez mais soluções que permitam construir mais rápido, em maior segurança e com elevados padrões de qualidade. Aqui a Hilti distingue-se como um parceiro de confiança e disponível para apoiar os seus clientes em qualquer projeto de engenharia e construção.

 

 “Continuem a dignificar o nome da Hilti Portugal”

 

A história de uma carreira profissional perpetua-se de altos e baixos, sendo que é nos momentos menos positivos que se conhece verdadeiramente a natureza de um líder nato com capacidade de inspirar pessoas. E quem melhor do que Antonio Raab para nos falar sobre a «arte» da liderança e da importância das pessoas no seio de uma organização? Tudo começou a 3 de Agosto de 1982…

O que tem esta data de tão importante? Foi a primeira vez que o nosso entrevistado «vestiu a camisola» da Hilti. “Foi o meu primeiro dia na Hilti e lembro-me que tive uma panóplia de sentimentos e sensações. Inseguro e nervoso por um lado, mas ao mesmo tempo com uma certeza muito grande de ter entrado numa empresa de dimensão e prestígio, e não me enganei”, salienta o nosso entrevistado.

Mas a aventura não haveria de cessar por aqui e Portugal cruzou-se no caminho de Antonio Raab. Depois de sete anos como diretor geral da Hilti Brasil, o nosso entrevistado teve uma proposta que se baseava em três opções: Singapura, Holanda e Portugal. “Não pensei duas vezes e decidi apostar em Portugal. Já conhecia o país, pois tinha visitado em 1992 e, portanto, foi uma decisão fácil de tomar para assumir a posição de Diretor Geral da Hilti Portugal no dia 1 de outubro de 2002”, salienta o nosso entrevistado, revelando que este dia fica também marcado pelo nascimento do seu filho Rafael. “É curioso de facto. No dia em que começava na Hilti Portugal o meu filho nasceu”, salienta satisfeito o nosso interlocutor.

Mas, 16 anos depois da sua entrada para a Hilti Portugal, o que mudou na marca com a gestão do Homem e Líder, Antonio Raab? Pragmático e humilde, o nosso entrevistado cresceu muito como pessoa “pelas pessoas que sempre me rodearam e que foram fundamentais para o meu sucesso e da marca. Um líder tem de ficar do lado das pessoas, tem de as respeitar e ouvir e quero acreditar que alcancei isso ao longo destes anos”, assume.

Quando Antonio Raab entrou na Hilti Portugal, em 2002, o setor da construção civil passou por uma pequena crise, cenário que criou maiores dificuldades na gestão do nosso entrevistado, mas que este, em conjunto com a equipa que o rodeava, soube ultrapassar. “Recuperámos dois anos depois, em 2004 e desde este ano, até 2008, obtivemos um recorde de vendas e em que crescemos também ao nível dos recursos humanos, pois passamos de cerca de cem colaboradores, para 190”, esclarece.

Mas o verdadeiro «teste de fogo» haveria de surgir em 2008, ano em que o país começou a sua crise económica e que levou as empresas a promover um reajustamento e adaptação, mesmo ao nível de pessoas. Antonio Raab não tem pejo em revelar que este foi um dos momentos mais difíceis destes 16 anos. “Tivemos que reduzir pessoas e foi muito complicado porque gosto de contratar pessoas e não de dispensar”, assume, lembrando que nesse momento também se viu a grandeza e a forma de estar da Hilti Portugal no mercado. “Decidimos atuar de uma forma diferente e colocámos muitas pessoas em outros países, dando-lhes a oportunidade de fazer carreira internacional. Entre outras coisas que fomos obrigados a fazer, essa foi uma medida muito positiva e hoje, fruto dessa decisão, temos pessoas portuguesas em cargos superiores no seio do universo Hilti. Crescemos muito com essa crise e conseguimos ultrapassar essas dificuldades juntos. Só assim foi possível, unidos e a olhar para o futuro tendo sempre como «farol» a filosofia da Hilti e isso teve frutos em 2014, ano de enorme crescimento, e nos anos seguintes, e hoje podemos dizer que temos tido resultados extremamente positivos”.

Defensor acérrimo da marca Hilti, Antonio Raab acredita que o seu sucesso se deve às pessoas e à forma como ele e a marca Hilti valorizam o capital humano. “O sucesso da empresa deve-se às pessoas, porque são elas o elemento mais forte no seio de uma empresa e que podem trazer lucro pu prejuízo. Mas se tivermos pessoas felizes elas vão ser mais competentes e vão dignificar a marca perante o cliente e o mercado e foi isso que fomos construindo e conseguindo ao longo dos anos”.

Uma das coisas que ensinaram ao nosso entrevistado, é que um líder deve estar sempre próximo das pessoas, “porque se assim não for então estamos longe da realidade. Eu uso essa proximidade no seio da Hilti Portugal e tenho sempre a minha porta aberta para toda a gente porque gosto de uma comunicação aberta e próxima com as pessoas”.

As vitórias, os sucessos e os êxitos foram evidentes ao longo dos anos, mas terá Antonio Raab algum arrependimento? Algum dissabor? “Seria incorreto da minha parte se não assumisse algumas derrotas. Fazem parte da viagem e são naturais num percurso tao longo como o meu. Mas servem para nos ensinar. O facto de investirmos em pessoas e estas não conseguirem entender a nossa estratégia, comunicação e pensamento é uma deceção e uma frustração”, afirma o nosso interlocutor que faz mea culpa e assume um defeito na liderança da empresa Hilti. “Se calhar podia ter imposto outra velocidade na implementação de novos projetos que tivemos”, reconhece Antonio Raab.

O último dia

31 de dezembro de 2018 será o último dia de Antonio Raab como Diretor Geral da Hilti Portugal, data que já cria uma simbiose de sentimentos no nosso entrevistado. “Vou estar triste, naturalmente, pelas pessoas e pelo trabalho que foi sendo feito com resultados muito positivos, mas ao mesmo tempo feliz porque acredito que chegou o momento de dar um novo rosto, uma nova pessoa, no fundo uma pessoa mais jovem e que pode trazer mais dinamismos e novas ideias. Sou um homem feliz e concretizado porque acredito que fiz um trabalho executivo muito positivo e deixo um legado importante”, esclarece.

Depois da Hilti Portugal, segue.se a Ursula Zindel-Hilti-Foundation no percurso de Antonio Raab, uma instituição de causas sociais e que tanto dizem ao nosso entrevistado. “Será mais um desafio na minha carreira. Tive este convite há dois anos por parte do dono da empresa, Michael Hilti, para trabalhar nesta instituição da irmã dele, que infelizmente faleceu em 2016 e será uma oportunidade excelente para desenvolver projetos na América Latina, direcionados para a área da saúde e para a responsabilidade social de retirar crianças com dificuldades económicas das ruas para as colocar em escolas sustentadas pela fundação. Sou um homem grato pela confiança depositada em mim e porque vou fazer um trabalho que muito me honra e satisfaz”.

Novo rosto, mesma filosofia

O próximo diretor geral da Hilti Portugal é Francesco Bandini, atualmente diretor de Vendas na Hilti Itália e Antonio Raab não tem dúvidas que o seu sucessor irá encontrar “uma marca forte e uma equipa fantástica. Gostava de ter encontrado a Hilti em 2002 como ele vai encontrar agora. A empresa está montada da forma correta, com as pessoas certas e motivadas e por isso tem tudo para dar certo. Nestes 16 anos fui eu, mas agora será a vez do Francesco Bandini, um talento da nossa empresa a quem desejo muita sorte e sucesso e tenho a certeza que as pessoas vão aceitar este novo líder que tem uma mentalidade como a minha, ou seja, trabalhar com as pessoas e para as pessoas”.

“Obrigado a todos”

 “Não é um adeus, é um até breve”, afirma Antonio Raab, aproveitando para deixar uma mensagem a todo o universo da Hilti Portugal. “Continuem a dignificar o nome da Hilti Portugal pela continuidade da filosofia que foi o modelo destes 16 anos e continuem a acreditar na empresa como uma oportunidade. Desejo toda a sorte às pessoas e à Hilti Portugal, porque é uma empresa que nunca vou esquecer e que me vai deixar recordações fantásticas e se me quiser dar um presente, que seja no futuro aquilo que é hoje. Obrigado a todos que me ajudaram, apoiaram e aconselharam ao longo destes 16 anos”, conclui Antonio Raab. ▪

O que eles dizem…

Ricardo Santos, Head of Finance and Costumer Service

“Refletir sobre o que escrever sobre o António Raab é fácil, já que é uma pessoa totalmente transparente e as palavras surgem naturalmente. A forma direta com que comunica, mas ao mesmo tempo com uma sensibilidade para as pessoas bem acima da média são características que o tornam a pessoa especial que é.”

Rita Vieira, Market Reach Manager

“A Antonio Raab deixo um grande obrigada! Obrigada por todas as oportunidades e desafios que me permitiram crescer como profissional e pessoa. Obrigada pela sua atenção redobrada nas pessoas, no seu equilíbrio e bem-estar. Desejo-lhe os maiores sucessos no seu novo projeto na Ursula Zindel-Hilti Fundation, na certeza de que vai deixar uma marca extremamente positiva na vida de tantas pessoas e crianças pelo mundo.”

Bruno Duarte, Trade Manager ME&IF

“À pessoa que ao recrutar novos colaboradores valoriza sempre saber “O que é importante para si na sua vida?”, desejo uma nova missão cheia de significado.  A etapa é nova e terá a ligação às pessoas como fio condutor da carreira do António. “

Susana Guimarães , Credit & Collection Clerk

“Obrigada pela dedicação, empenho e compromisso que sempre teve pela empresa e pelas pessoas. Desejo as maiores felicidades para o novo desafio.”