Paula Oliveira tem três filhos. Sim, é desta forma que queremos começar a contar a história desta mulher líder e empreendedora. Já vai perceber porquê.

Paula Oliveira é sócia na SDO Consulting e fundadora da Ucall. É mulher, casada, tem três filhos e uma carreira profissional de sucesso que a obriga a viajar regularmente. “Tudo aconteceu de forma natural, não foi nada planeado”, começa por referir a nossa entrevistada.

Nos dias de hoje, numa sociedade onde ainda se colocam limites às mulheres, numa sociedade com estereótipos e onde a desigualdade de género ainda é bastante proeminente, a questão natural seria: “como é que ela consegue conciliar a vida pessoal com a vida profissional?”.

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho, Paula Oliveira fala-nos do seu percurso e do seu cargo aliciante, mas bastante desafiante. A SDO Consulting está integrada num grupo que opera a nível nacional e internacional, um desafio que encara com entusiasmo apesar do esforço que exige pela constante conquista de parceiros, clientes e do mercado no geral. “Esse caminho da conquista é o que realmente me entusiasma, enquanto pessoa, e o que contribui para o crescimento consistente da empresa. Tratam-se de mercados diferentes, com culturas e contextos laborais diferentes que nos obrigam a um treino e adaptação constantes, tornando-nos em pessoas mais versáteis e ágeis na compreensão e execução de projetos”, afirma Paula Oliveira, adiantando que se trata de uma grande alavanca para perceber as pessoas e compreender o que as motiva para darem o seu melhor.

Quanto à questão colocada anteriormente, “é difícil conciliar a vida pessoal com a vida profissional”, Paula Oliveira diz-nos que nunca sabe responder bem a essa pergunta, porque é algo muito natural em si. “Nunca planeei como é que iria ser o meu percurso. Tenho três filhos que exigem bastante de mim, mas com foco e versatilidade conseguimos fazer o nosso caminho. Não sou aquela mãe que leva os filhos todos os dias à escola, mas também não sou aquela mãe que se culpabiliza por isso, não deve ser um remorso porque o que importa é estarmos lá quando eles realmente precisam de nós”, adianta a nossa entrevistada.

Para Paula Oliveira, é tudo uma questão de conseguir fazer a gestão do equilíbrio entre estas duas esferas. “Entre a vida profissional e pessoal existem momentos em que temos de privilegiar o trabalho e outros em que temos de privilegiar a família. Para mim é importante envolver a família no que faço profissionalmente, para que eles percebam o porquê de passar tanto tempo fora de casa, mas também para celebrar as vitórias e as conquistas e partilhar os dias menos bons”, afirma.

MULHERES NA LIDERANÇA

Paula Oliveira conta-nos que teve a “sorte” de não ter sido discriminada pelo facto de ser mulher, no entanto é bastante solidária com a causa da desigualdade de género. “Não desprezo esta causa nem a sua importância. Falando no meu caso pessoal, sempre fui posta à prova em termos de resultados e de entrega, mas os meus colegas homem também eram postos à prova. Não se tratava de uma questão de género, porém, para mostrar os mesmos resultados tinha de me esforçar mais por ter de gerir as várias vertentes da minha vida. Mas isso está relacionado com a minha escolha pessoal”, elucida-nos Paula Oliveira.

Explica, ainda, que existe uma tendência para escolhermos pessoas que se pautam pelos mesmos valores que os nossos para trabalhar connosco. “Quando chegamos a uma posição com o privilégio para escolher a nossa equipa, tendemos a escolher pessoas com quem nos identificamos de alguma forma, sendo o género uma delas. Há estudos que indicam que os homens tendem a escolher mais homens para as suas equipas e as mulheres e a escolher mais mulher”, acrescenta a nossa entrevistada, rematando que no caso dos líderes, maioritariamente homens devido a toda uma história que carregamos, é lógico que a tendência seja um homem líder continuar a escolher um homem, com o qual se identifica melhor. “Existe aqui uma curva muito natural, que não é propriamente discriminatória, que temos de saber inverter”.

“NÃO PODEMOS GENERALIZAR”

Paula Oliveira defende, ainda, que para esta causa da desigualdade de género falta uma maior cumplicidade e espírito de liderança entre as mulheres ao invés da competição. “O movimento deve ser mais coletivo e menos individualista para que consigamos ultrapassar estas questões relacionadas à liderança feminina”, diz-nos a nossa entrevistada, relembrando que é solidária com esta causa e prova disso é a SDO ser constituída, maioritariamente, por mulheres. “É por este caminho que devemos seguir. Temos de dar oportunidades às pessoas e perceber que essas mulheres, eventualmente, irão ter filhos, licenças de parto e reuniões de escola, mas que isso não afetará o comprometimento com a empresa e com o trabalho nem as tornará menos capazes ou focadas. Antes pelo contrário, a garra feminina faz falta nas equipas de liderança das empresas”, acrescenta Paula Oliveira.

Quanto aos estilos de liderança entre homens e mulheres, Paula Oliveira defende que as mesmas não são opostas. “Depende das pessoas, não podemos generalizar nem gosto de generalizar”, afirma.

De acordo com a sua experiência profissional, em termos de contacto com equipas de gestão, Paula Oliveira entende que mulheres e homens têm características comuns, independentemente do género, às pessoas que chegam a cargos de liderança. “São pessoas focadas, competitivas e inteligentes. Estas são características que identifico tanto em homens como em mulheres, pelo que a genialidade não está relacionada com o género”, diz-nos.

O que tem acontecido é que as mulheres não têm tido oportunidade de mostrar estas características e é por aqui que temos de abrir um caminho. “Não defendo a teoria de que as mulheres são mais inteligentes ou capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, apesar de a nossa natureza ser essa. Mas entendo que estas características não estão no género, mas sim na personalidade das pessoas”, adianta Paula Oliveira, referindo que concorda que faz falta um olhar feminino na equipas de gestão pela diversidade que é necessária para tomarmos uma decisão. “Quanto mais diversidade existir, quer seja de género, quer seja de cultura, de raça ou de idades, mais diferenças existem para debater, acrescentando valor às tomadas de decisão. É importante sim a inclusão de mulheres nestas equipas pelo lado da diversidade”.

COMO POTENCIAR O CAPITAL HUMANO NAS EMPRESAS?

A abordagem da SDO Consulting passa pela promoção do desenvolvimento organizacional e gestão dos seus recursos humanos. Podemos afirmar que hoje um dos maiores desafios das empresas é a retenção e gestão de talentos?

Paula Oliveira responde que sim. Gerir as pessoas é o grande desafio atual e dos próximos anos. “Toda a evolução e revolução que está a acontecer a nível tecnológico, económico e social imprime um ritmo incomum às empresas. A tecnologia traz esse ritmo acelerado para chegar a melhores resultado e mais ambiciosos”, explica-nos.

Realça que a competitividade já não é local, mas sim global e que as práticas são partilhadas pelo mundo através de uma comunicação mais abrangente e transparente, o que faz com que a diferença resida cada vez mais nas pessoas. “É nas pessoas que está a capacidade de fazer diferente. E é aqui que está o grande desafio: atrair pessoas com capacidades de resiliência e de adaptação a esta constante evolução tecnológica, e com ideias visionárias”, afirma Paula Oliveira.

“É com este espírito irreverente que a SDO se apresenta atualmente aos seus clientes: apoiar a mudança a que chamamos Evolução com uma abordagem que integra a diversidade de género, idades, e competências, de forma a responder à rapidez que o mercado e o mundo exigem. Conciliar 28 anos de história com visão de futuro, aliar sabedoria à criatividade e a tecnologia ao know-how, é o nosso dia a dia.”

QUEM É PAULA OLIVEIRA

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos e Psicologia do Trabalho, começou o seu percurso profissional como técnica de Recursos Humanos.

Fez todo um percurso natural, ascendendo a Consultora Júnior e posteriormente a Consultora, Consultora Sénior, Gestora de Projeto e Líder dessa mesma empresa de Recursos Humanos.

Quando era sócia de uma empresa de Consultoria, Paula Oliveira foi convidada para ingressar na multinacional Coca-Cola como Diretora de Recursos Humanos Corporate Affairs, durante cinco anos. Aqui é convidada para fazer parte da equipa do Conselho de Administração do Grupo Espírito Santo, assumindo os dois pelouros de Relações Institucionais e Recursos Humanos. Chegou ao topo da carreira com muito foco e trabalho, independentemente do seu género.

É aqui que é lançado o desafio a Paula Oliveira de criar o seu próprio negócio.

Enquanto pessoa com ideias sempre diferentes e inovadoras, e com o espírito empreendedor, Paula Oliveira faz nascer a UCall, um Call Center de domínio no metier angolano, onde as pessoas “são a sua maior fonte de orgulho”. A UCall é um espaço único de desenvolvimento e crescimento, pessoal e profissional, onde formam e apostam na sua equipa, como o coração das suas operações.

“Fazia todo o sentido para mim enveredar numa carreira onde pudesse decidir o futuro e o percurso da empresa, bem como pôr em prática as minhas ideias”.

Entretanto, surge a SDO Consulting em Portugal e Paula Oliveira decide voltar a Portugal, com outro prisma, e mergulhar nesta aventura enquanto sócia.