Desta feita, o ex-presidente Bruno de Carvalho e o líder da claque Juventude Leonina, Nuno Mendes (mais conhecido por Mustafá) foram detidos pela GNR no âmbito do inquérito que diz respeito às agressões aos jogadores e equipa técnica do Sporting em Alcochete.

E tudo aconteceu pouco tempo antes do início da partida em Alvalade, o que, aliás, motivou também a intervenção da Polícia de Segurança Pública que teve de criar um perímetro de segurança em torno de ‘A Casinha’, como é conhecida a sede da Juventude Leonina localizada no Estádio de Alvalade.

Notícias ao MinutoPSP criou perímetro de segurança na rua enquanto GNR levava a cabo buscas na sede da JuveLeo© Global Imagens

Cerca de três horas após o início das diligências n’A Casinha, os militares da Guarda abandonaram o local na companhia de Mustafá, que seguiu com eles para novas buscas, desta feita à sua casa. Na rua, vários elementos da claque apoiavam o seu líder. No estádio, nem sinal da Juventude Leonina.

Sensivelmente ao mesmo tempo, os militares da GNR dirigiam-se à casa de Bruno de Carvalho na Quinta do Lambert, no Lumiar, perto do estádio.

Das buscas realizadas na habitação do ex-presidente do Sporting resultou a apreensão de um computador (da filha), de um tablet e telemóveis, pertencentes a Bruno de Carvalho que seguiu com os militares para o posto de Alcochete.

Tanto Mustafá como Bruno de Carvalho passaram a noite detidos à espera de serem presentes a um juiz de instrução criminal do Tribunal do Barreiro para lhes serem aplicadas as medidas de coação tidas por adequadas.

As detenções foram confirmadas já no decorrer da noite pela própria Procuradoria-Geral da República: “Ao abrigo do disposto no art.º 86.º, n.º 13, al. b), do Código de Processo Penal, confirma-se que foram efetuadas duas detenções no âmbito do inquérito relacionado com as agressões na Academia do SCP em Alcochete”.

Feitas as contas, o inquérito que investiga o que aconteceu na Academia de Alcochete conta com 40 arguidos, estando todos a aguardar julgamento em prisão preventiva – resta esperar pela decisão de hoje do juiz de instrução criminal quanto a Bruno de Carvalho e Mustafá.

Um “tratamento degradante” ao ex-presidente do Sporting, diz advogado

Bruno de Carvalho foi sujeito a um “tratamento degradante”. Foi desta forma que José Preto, advogado do ex-presidente do Sporting, descreveu a atuação das autoridades no decorrer do dia de ontem, desde a decisão de deter o seu cliente até à forma como foram levadas a cabo as diligências.

“A lei, permite, portanto, estes abusos extraordinários de pretensas diligências que são, objetivamente, atuações infamantes, aviltantes e vexatórias”, afirmou o advogado, lembrando que ainda há duas semanas esteve, juntamente com Bruno de Carvalho, no DIAP, “dizendo precisamente: ‘aqui estou eu, se precisarem de mim, estou à disposição’”.

Do cenário desportivo também foram vários os nomes ligados ao clube que comentaram o sucedido.

Em declarações ao Desporto ao Minuto, o antigo presidente da SAD do Sporting, Sousa Cintra, lembrou que “não é a primeira vez que isto acontece em Portugal”, reportando-se a outros casos que ocorreram no futebol português [casos de Vale e Azevedo e Pinto da Costa]. Parco em palavras e, mais ainda em críticas, Sousa Cintra limitou-se a dizer que acredita na justiça, confessando-se incapaz de dizer se Bruno de Carvalho é culpado ou inocente.

Também em declarações ao Desporto ao Minuto, Dias Ferreira disse não ter ficado surpreendido com os acontecimentos de ontem e sublinhou que, pese embora, do “ponto de vista criminal” Bruno de Carvalho esteja inocente, a verdade é que “não está alheio ao que aconteceu”. “Está ligado direta ou indiretamente aos acontecimentos de Alcochete”, vaticinou o presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting na era Bruno de Carvalho e candidato derrotado nas últimas eleições.

Já Soares Franco, presidente do Sporting entre 2006 e 2009, foi claro quanto à necessidade de ‘separar as águas’. “Se essas atitudes e os comportamentos realizados por Bruno de Carvalho foram ilícitos então ele tem de ser punido por isso, não o Sporting. O Sporting não tem de pagar pelas repercussões que outros semearam”, frisou em declarações ao Desporto ao Minuto.

Quem também reagiu às detenções de Bruno de Carvalho e de Mustafá foi o grupo responsável pela candidatura do agora ex-presidente do clube, Leais ao Sporting. Numa nota emitida na sua página de Facebook, o grupo estranhou o “timing” das detenções, mas garantiu que “quem conhece Bruno de Carvalho acredita na sua inocência”.

15 de maio: O dia da aparição negra em Alcochete

Quando, daqui a muitos anos, se falar na história do Sporting Clube de Portugal não haverá como não referir os acontecimentos de 15 de maio de 2018.

O plantel e a equipa técnica encontravam-se na Academia do clube, em Alcochete, quando um grupo constituído por cerca de 40 pessoas encapuzadas entrou nas instalações leoninas e agrediu jogadores, treinadores e staff. Recorde-se que nem Bas Dost nem Jorge Jesus escaparam à fúria dos meliantes que invadiram a Academia.

No dia dos acontecimentos, a GNR deteve 23 pessoas. Em diligências posteriores deteve outros 15 suspeitos, aumentando a soma para 38 – estão todos em prisão preventiva. Recorde-se que o antigo líder da claque, Fernando Mendes, encontra-se entre o lote de detidos.

Todos os arguidos são suspeitos da prática de vários crimes, designadamente de terrorismo, ofensa à integridade física qualificada, ameaça agravada, sequestro e dano com violência.

Quanto a Bruno de Carvalho, recorde-se, era o presidente do clube aquando do ataque em Alcochete, episódio que levou à sua destituição em sede de Assembleia-Geral do Sporting. Impedido de se recandidatar à liderança do clube, Bruno de Carvalho ficou em casa a ver os resultados do sufrágio que culminou na eleição de Frederico Varandas para a presidência dos leões.