Na intervenção inicial, o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, sublinhou que este orçamento “resulta da vontade da maioria”, e elogiou os contributos da CDU e do PAN que viram algumas das suas propostas serem acolhidas.

“Merece destaque o espírito construtivo e a forma realista e sistemática com que a CDU e o PAN encaram este direito de oposição, apresentando presencialmente, mas também sistematizando por escrito, propostas que não violentaram os princípios políticos de uma governação onde não estão representados”, afirmou.

Na resposta, o deputado do PSD Francisco Carrapatoso disse que “se havia alguma dúvida quanto ao sentido de voto do PSD, ela foi dissipada e esclarecida pelo teor das grandes opções do plano, e sobretudo pela critica dada ao PSD, ao elogiar apenas o sentido responsabilidade e o espírito democrático da CDU e do PAN”.

Para o social-democrata, há muito que separa este executivo do PSD, nomeadamente este orçamento que, sublinhou, padece de quatro vícios: o aumento brutal das despesas correntes, o financiamento destas despesas que se traduz num aumento da carga fiscal, a manutenção de excedentes orçamentais e a taxa de execução.

Críticas que Rui Moreira apelidou de “ciúmes”, acusando o PSD de ter ciúmes da oposição, mas sobretudo da sua governação enquanto presidente da autarquia.

“Em vez de fazer investimentos, os senhores andaram a pagar indemnizações muitas vezes por maus atos de gestão e, repare, eu compreendo o seu problema com as obras, é que os senhores iam fazer o Palácio de Cristal com uma parceria público-privada e quando nós lá chegamos não havia nada. Do [mercada do] Bolhão prefiro nem falar. O terminal intermodal assinaram um acordo com o governo, quando lá chegamos não havia um prego (…) mas fizeram obra, deitaram abaixo três bairros. Ai isso deitaram”, afirmou.

Também o deputado do PS Serafim Gomes teceu duras críticas ao orçamento, anunciando um “novo fracasso” em 2019 como ano dos “investimentos em atraso”.

“Em média, naqueles quatro anos, os investimentos ficaram-se em menos 44% do que o prometido, sendo que a situação só não foi pior porque a Domus Social, conduzida por Manuel Pizarro, respondeu nesse período por 41% de investimento realizado. Não vale a pena tapar o sol com a peneira. O investimento municipal destes últimos anos quedou-se muito aquém do prometido e do que a cidade precisava”, defendeu.

A deputada Susana Constante Pereira, do Grupo municipal do Bloco de Esquerda, sublinhou que este orçamento “parece o orçamento das grandes empreitadas, onde não cabem as pessoas” e onde não são garantidos os direitos sociais, nomeadamente o direito à habitação, “que neste momento é uma emergência na cidade”.

“Para resolver esse problema quem não vou contratar é o vereador Robles”, respondeu Rui Moreira.

Também o deputado do movimento de Rui Moreira, “Porto, o Nosso Partido’, Raúl Almeida mostrou-se “espantado” com o “breviário nacional” do Bloco de Esquerda, lembrando o Bloco que não pode lavar a sua responsabilidade, imputando à Câmara do Porto aquilo que é da responsabilidade do governo.

Já o PAN e a CDU consideraram que este orçamento contém medidas positivas, ainda que no caso dos comunistas se mantenham algumas divergências “profundas”, nomeadamente quanto à estratégia para o estacionamento na cidade ou sobre o modelo do fundo do Bairro do Aleixo.