Segurança Rodoviária…”Boas viagens!”

Poderá ser considerado um tema pouco agradável, talvez do agrado de uma escassa população, pois muitos de nós pouco ou nada se preocupa sobre estas questões. 75% dos inquiridos, dizem que o problema dos acidentes rodoviários está nos outros, pois a sua condução é deveras segura para que um azar aconteça.

238

Mas infelizmente, não é o que as estatísticas mostram, pois, os números dizem que a sinistralidade rodoviária tem vindo a subir nos últimos anos, após um período de agradável acalmia, devido a uma das maiores crises económicas de sempre.

O movimento de automóveis caiu mais de 30%, há menos de 10 anos, segundo algumas empresas internacionais de Consultoria automóvel. É uma certeza, que tivemos bons períodos, mesmo antes da crise, com um fantástico crescimento da rede de autoestradas, assim como um facilitado acesso ao crédito financeiro para aquisição de veículos mais seguros, há quase 20 anos…

As seguradoras acusam mais de 3000 participações, em todos os dias do ano, e os custos dos acidentes rodoviários, segundo a comissão Europeia, ascendem a cerca de 6.750 milhões de euros, por ano em Portugal! Mas nós portugueses até gostamos bastante, de automóveis, ou, será só do logotipo da marca?

Muitos dos que dizem gostar dos automóveis, têm medo de conduzir, gostam que apresentem um bom estado, limpos e brilhantes, mas muito poucos se preocupam em melhorar as técnicas e procedimentos duma condução automóvel mais económica, mais segura, ou mesmo mais rápida.

O automóvel tem mais de 130 anos, com muitos “players” há mais de 100 anos, sempre a evoluírem em segurança, conforto e eficiência, com uma produção anual quase a chegar aos 100 milhões por ano, de novos veículos automóveis.

Mas, porque é que desconsideramos tanto os acidentes na estrada, nas localidades ou mesmo, nas autoestradas? Será que conhecemos bem as causas mais frequentes dos acidentes rodoviários? Será que sabemos quais os órgãos automóveis mais importantes, em termos de segurança ativa e passiva? Saberemos o que podemos evitar, o que poderemos ganhar, com algum investimento pessoal para percebermos um pouco mais, como acontecem os acidentes rodoviários? Já pensámos alguma vez, em melhorar a observação sobre a nossa envolvente rodoviária, quando conduzimos um automóvel? Será que conseguimos impor uma distância mínima de segurança, ao longo dalgumas dezenas de quilómetros, num troço algo movimentado? Será que um Motorista profissional, num camião carregado de madeira, com um peso bruto de 60 toneladas sabe qual é a distância mínima de segurança, numa descida com um declive de 5%, viajando a uma velocidade de 50km/h? Talvez não…mas devíamos saber, prontamente, pois a sua inércia é brutal, nestas condições. E será que o condutor dum automóvel desportivo saberá que a 120km/h, depois de fazer atuar o sistema de travagem com a força máxima, o seu belo automóvel necessita de duas vezes mais espaço para parar do que precisa a somente 80km/h?

Mas sabemos que não devemos conversar ao telemóvel ou mandar mensagens, apesar de muitos de nós o fazermos, assim como andarmos muitas vezes, acima das velocidades permitidas, mesmo depois dum dia cansativo, debaixo duma chuva aborrecida.

Vale a pena sabermos um pouco mais das limitações impostas pelas leis da física, pela infraestrutura, pelo automóvel (mesmo sendo um topo de gama) e também por nós próprios, pois aos 40 anos, precisamos de quase o dobro do tempo de reação face a um imprevisto na estrada, do que temos aos 18 anos… Boas viagens!

Pedro Montenegro, Consultor & Auditor ISO 39001 Sistemas Gestão Segurança Rodoviária da APM Safe & Efficient Driving