Quem é hoje a Conduril? Que presença assume no mercado?

É uma empresa com a sua “missão” em mente, com preocupação em fomentar a nossa cultura e os nossos valores, imprimindo simultaneamente um desenvolvimento técnico, que nos permita concorrer a qualquer obra de Engenharia Civil, sempre em conformidade com a nossa “Visão” para a empresa. Somos uma empresa que nos fomos impondo gradualmente no mercado, obtendo variadíssimas distinções ao longo destes vários anos de existência. A Conduril está presente em vários países. É e quer continuar a ser uma empresa média e flexível, o que nos permite adaptar, de forma célere, às vicissitudes e particularidades de cada um dos mercados, de modo a estarmos mais protegidos dos altos e baixos desses mesmos mercados.

A ideologia da empresa passa pelo investimento no saber fazer bem e na formação. Que outros aspetos fazem parte da índole da Conduril e que contribuem para o sucesso e a solidez da empresa?

Acreditamos que as pessoas são o essencial da empresa, são elas que fazem a empresa e a sua formação adequada e permanente são importantes no desenvolvimento de conhecimentos e competências. Reconhecemos o esforço e empenho de cada colaborador e garantimos que a opinião de todos é valorizada, defendendo e praticando a meritocracia. Potenciamos um bom ambiente de trabalho. Temos exemplos de trabalhadores em que temos três gerações a trabalhar, desde o avô, os filhos, aos netos. Orgulhamo-nos ainda de ter um fundo de pensões que foi constituído em 1989 para os nossos colaboradores e que é totalmente financiado pela empresa, isto é, sem que os trabalhadores contribuam com qualquer desconto. Criamos, ainda, em Angola e Moçambique, a Conduril Academy que funciona com o objetivo de ministrar formação técnica; difundir os nossos valores e princípios e eliminar o analfabetismo entre os nossos colaboradores angolanos e moçambicanos.

Recentemente lançamos em Angola um programa de bolsas de estudo para o ensino superior dirigido aos filhos dos funcionários angolanos da Conduril, com mais de cinco anos de antiguidade, desempenho profissional reconhecido e com situação económica precária, para o ano letivo 2019-2020.

Num contexto específico como o de Angola e Moçambique, a nossa base de trabalho é a promoção do acesso gratuito a um sistema interno de oportunidades de educação e formação, gerando o desenvolvimento humano.

Miguel Andrade

Podemos afirmar que a estratégia da Conduril passa pelo crescimento em termos técnicos e económicos ao mesmo tempo que aposta, de forma contínua, na qualificação dos trabalhadores?

Em termos técnicos queremos sempre ser os melhores e exceder-nos-emos em criar aptidões para o sermos. Em termos económicos valorizamos mais a rentabilidade do que o crescimento. Estas questões apenas são possíveis atuando escrupulosamente dentro da nossa cultura. Este sucesso passa pela valorização do capital humano, porque acreditamos que a educação/formação é o elemento estruturante da evolução social e económica de qualquer sociedade.

Definiram agora um “plano estratégico global” para se constituir como uma âncora para a empresa. Em que se baseia este plano estratégico global?

A nossa estratégia global consiste em construir Obras de Engenharia Civil, de todo o tipo, com os melhores padrões de qualidade e cumprindo sempre todas as especificações do caderno de encargos. Concentramo-nos em segmentos de mercado em que possamos atuar com rentabilidade. O que pretendemos ao definir um “plano estratégico global”, é que ele constitua, para além de uma âncora, uma orientação segura para as decisões que temos de tomar diariamente, assim como para o futuro. O nosso objetivo é que o conjunto de medidas estabelecidas se movam num sentido comum e sejamos capazes de alcançar os objetivos traçados. Alicerçado a isto, queremos garantir a nossa perenidade. Sublinhamos ainda que estamos determinados a preservar e promover os nossos valores, para sempre, ainda que, as mudanças no mercado nos deixe de recompensar por isso e penalize a nossa rentabilidade.

Angola permanece como o principal mercado da Conduril, que realiza em África 80% da sua receita. O ambiente adverso que se faz sentir no continente africano teve repercussões nos negócios da empresa?

Estamos sempre dependentes do ambiente externo. A situação económica, o ambiente político, a moeda local, a própria cultura, são algumas das variáveis com que temos de lidar. Temos tido um foco na gestão do ambiente externo, identificando ameaças e oportunidades. Não podemos controlar esse ambiente político-económico, mas temos de nos saber adaptar, mitigando o risco. Por exemplo, aproveitamos a experiência desenvolvida em Angola para outros países de África. Hoje, gerimos todas as nossas atividades em África (Angola, Moçambique, Botswana, Zâmbia e Gabão) de uma forma centralizada, com o polo aglutinador situado em Luanda. Desta forma conseguimos ter mais flexibilidade, movendo meios humanos e equipamentos rapidamente e em função das nossas necessidades e condições que cada um destes mercados nos apresenta.

A Linha de Crédito Angola-Portugal, cujo financiamento para Angola será reforçado em 500 milhões, e o fim da dupla tributação com Angola são suficientes para continuar a fomentar as relações entre Portugal e Angola?

As relações entre Portugal e Angola são historicamente boas, baseadas em muito mais entendimentos e cooperações para além destes temas. São logicamente importantes para ambos os países, mas entendemos que as mesmas têm espaço para serem mais elevadas. Angola continua a ser um país propício ao investimento português. No caso da Conduril com uma presença de mais de 25 anos, temos constantemente investido, e o mais recente exemplo disso, é a construção da nossa nova sede na baixa de Luanda, um edifício de 12 andares, que marca a arquitetura da cidade – foi inclusivamente nomeado para finalista do World Architecture Festival de 2018 que decorreu na Holanda – e que é um exemplo, da nossa aposta, numa altura em que o mercado está mais contraído. No fundo mostra a nossa intenção de ficar em Angola para sempre, ou dito de outra forma, mostra o quão acreditamos no futuro do país.

NOVA SEDE DA CONDURIL EM ANGOLA

Apesar de permanecer focada no continente africano, sendo a África do Sul a nova aposta da empresa, a Conduril já escrutinou novos mercados na América Latina e Central. Este projeto de expansão é agora a prioridade da empresa?

Escrutinar e estar atento a novos mercados faz parte da nossa atividade, porque não queremos ficar estagnados e o objetivo é sempre diversificar o risco. Agora, entendemos que não é uma prioridade. A nossa prioridade é sermos uma empresa média, flexível e com rentabilidade. Isso é para nós o mais importante.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) assume hoje uma maior perspetiva de abertura de espaço económico, financeiro e social, sendo um dos maiores desafios da CPLP, futuramente, aprofundar a cooperação económica. No seu entender, o que seria necessário mudar ou por onde se deveria começar?

A comunidade de países de língua portuguesa tem aproximadamente 300 milhões de pessoas. Entendemos que a CPLP é um organismo que pode trazer imensos benefícios aos países que dela fazem parte. Coordenando as relações entre esses mesmos países contribuirá para o desenvolvimento económico e social de cada um deles. Acreditamos que todas as medidas tomadas com o objetivo de fomentar a livre circulação de pessoas e bens, são vantajosas para todas as partes. Também a criação de mecanismos de financiamentos comuns e partilhados seria vantajosa para todos, inclusive para as empresas, que poderiam alavancar as suas atividades em cada um dos países onde estão instaladas e com isso fomentar a atividade económica dos próprios países. O importante é que exista vontade política de cada um dos membros pertencentes à organização, para que a atividade privada, sinta que pode investir e ter os seus retornos, independentemente do país da CPLP onde estiver a trabalhar. Isto é, trabalhar de uma forma global, o que se adapta aos tempos que vivemos.