Tendo como ponto alto os discursos do Presidente da República de Angola, João Lourenço, e do Primeiro-ministro de Portugal, António Costa, o Fórum Económico Portugal – Angola teve como objetivo analisar as relações económicas e empresariais bilaterais e ser um ponto de encontro entre empresários portugueses e angolanos, contribuindo para o desenvolvimento conjunto das economias de Portugal e de Angola.

 

 

Com a intervenção do Ministro dos Estrangeiros da República portuguesa, Augusto Santos Silva, e o Ministro da Economia e Planeamento da República de Angola, Pedro Luís da Fonseca, debateu-se o presente e o futuro das relações bilaterais, com referência ao contexto macroeconómico e as reformas em curso para o aumento da competitividade da economia angolana.

Por sua vez, os Presidentes da AICEP e AIPEX intervieram no Fórum falando das oportunidades de investimento e estabelecimento de parcerias.

“Nós empresários temos de saber que a relação entre dois irmãos tem momentos bons e maus”, afirma Paulo Gaspar, Presidente da AAPCIL, referindo-se à parceria estratégica entre Portugal e Angola e à confiança no futuro.

Por sua vez, Luís Castro Henriques, Presidente da AICEP, reforça que para a AICEP, no que diz respeito ao reforço da cooperação económica, “estamos e estaremos juntos”.

O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal realçou, ainda, que o presidente de Angola, João Lourenço, reconhece que a sua presença em Portugal é importante para fomentar as relações bilaterais, sendo este um bom momento para os dois países.

No fórum estiveram presentes mais de 800 empresários, “o que demonstra que está manifestamente nas prioridades das empresas e da AICEP reforçar a cooperação económica entre Portugal e Angola”.

“Nós, enquanto AICEP, pretendemos continuar a fomentar os negócios tendo em conta a importância da diversificação como uma oportunidade para as empresas”, afirma Luís Castro Henriques.

Numa segunda parte, com dois painéis altamente enriquecidos, foi a vez do Diretor do Projeto Agrícola COOPLACA, Rui Cruz, do Presidente da AAPCIL, Paulo Gaspar, e de Diogo Rebelo da Teixeira Duarte, abordarem questões relacionadas com a agricultura, pescas e indústria, bem como infraestruturas e logística.

O Fórum Económico teve ainda como convidados António Mota da Mota-Engil, Paulo Nóbrega da PROGEST e Paulo Nunes de Almeida, Presidente da Associação Empresarial de Portugal e Vice Presidente da Confederação Empresarial de Portugal.

Por fim, e antes de uma visita da comitiva empresarial de Angola à Feira EMAF a decorrer na EXPONOR, foi a vez do Primeiro-Ministro português, António Costa, e do Presidente de Angola, João Lourenço, agraciarem o público com um discurso onde enalteceram a importância da cooperação entre Portugal e Angola e os feitos que já estão a decorrer nesse sentido.

“JOÃO LOURENÇO, GRANDE AMIGO E PARCEIRO DE PORTUGAL”

Transmitindo uma mensagem de confiança, António Costa realçou que hoje as relações políticas e de negócios entre os dois países encontram-se ao seu melhor nível como bem demonstra esta visita do Presidente de Angola, João Lourenço, e como demonstra também a visita do Presidente da República Portuguesa a Angola no próximo ano. Confiança foi a palavra de ordem neste fórum, onde António Costa reforçou o notável o trabalho que tem vindo a ser feito por ambas as partes que assumiram as consequências das dificuldades das graves crises económicas.

A verdade é que Angola assumiu já 90 milhões em dívida certificada a empresas portuguesas. O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, avançou com esta estimativa na abertura do Fórum Empresarial Angola-Portugal, adiantando que tenciona fechar a parte maioritária do processo de certificação de dívidas a empresas portuguesas.

“Podemos e devemos confiar nas autoridades angola relativamente ao cumprimento das obrigações assim como, naturalmente, as autoridades angolanas devem confiar nas empresas portuguesas para o cumprimento das obrigações que têm com o estado angolano”, disse o primeiro-ministro português.

Com as relações diplomáticas entre Portugal e Angola a regressarem ao normal, o reforço de 50% da linha de financiamento da Convenção Portugal-Angola, para um total de 500 milhões de euros, é considerado um dos instrumentos criados para restabelecer a confiança dos empresários portugueses no mercado angolano.

Uma segunda mensagem deixada pelo primeiro-ministro direcionou-se para a razão da escolha do norte do país e da cidade do Porto para a realização deste fórum. Tendo por base o quadro da grande aposta que Angola está a desenvolver, tendo em vista a diversificação da sua base económica, “o apelo de hoje é dirigido aos pequenos e médios empresários que são absolutamente imprescindíveis para poderem ser parceiros dessa diversificação da economia angolana”, realça António Costa.

“Quando falamos de Angola falamos também de uma enorme oportunidade para novos tipos de empresas, novos setores que devem acompanhar o esforço do governo angolano e do presidente João Lourenço para participarmos no grupo de trabalho de investigação da economia angolana”.

António Costa referiu, ainda, que não podia existir um melhor sinal daquilo que é a relação única que Portugal em Angola mantêm do que a presença neste seminário da presença de mais 800 empresas. “É muito claro que quando se trata de Angola é fácil mobilizar o interesse e o entusiasmo dos empresários portugueses”.

“SEJAM, POIS, BEM-VINDOS A ANGOLA”

No quadro da visita de estado que o presidente angolano realizou a Portugal, reputou de grande importância este encontro com os empresários e homens de negócios portugueses que podem ajudar no importante papel de reforço das relações de cooperação económica entre os dois países. “Pelas imensas riquezas por explorar e pelas vastas oportunidades de negócios que Angola oferece, pelo conhecimento que muitos empresários portugueses têm da realidade angolana, pela complementaridade das respetivas economias, reiteramos o nosso convite permanente para o investimento privado direto de empresas portuguesas no nosso país”, avançou João Lourenço.

Angola tem hoje uma nova visão sobre o papel e a importância do setor empresarial privado e do investimento estrangeiro na nossa economia. “Que o nosso relacionamento não se restrinja apenas ao comércio, mas que se traduza em investimentos de médio e longo prazo em setores-chaves da economia, de modo a gerar mais empregos, superar as enormes carências ainda existentes e dinamizar o progresso social e desenvolvimento no interesse dos dois países”, disse o presidente angolano.

Muitos empresários portugueses que operam em Angola são bem-sucedidos, apesar das dificuldades atuais que o país enfrenta. O sucesso advém do seu empenho e do seu engenho. “Apreciamos bastante as características dos homens de negócios portugueses por serem capazes de realizar com êxito objetivos importantes que para muitos outros se revelariam inalcançáveis”, acrescentou.

E deixa uma mensagem: “reforço o meu convite para que se interessem pelo mercado angolano e invistam sem hesitação. Tenho a certeza que no final seremos todos ganhadores. Sejam, pois, bem-vindos a Angola. Esperemos que se juntem aos cerca de 150 mil cidadãos portugueses que já vivem e trabalham em Angola, ajudando no desenvolvimento e crescimento do nosso país”.