A Cotur está no mercado desde 1994 e, hoje, é a maior agência de viagens em Moçambique. Enquanto CEO da marca, que características considera que foram essenciais para terem chegado ao patamar onde se encontram hoje?

Não acreditando em fórmulas mágicas para o sucesso, muito menos quando falamos de uma liderança consecutiva com quase duas décadas, como é o caso na Cotur, julgo ainda assim que de fato certas características foram e são a base daquilo que tem sido o nosso percurso, e que definem bastante daquilo que somos enquanto empresa: trabalho árduo, espírito de sacrifício e vontade de inovar.

No entanto se tivesse de escolher uma, aquela que considero decisiva, diria a capacidade de adaptação à mudança ou por outras palavras a resposta à adversidade e ao inesperado. Penso que essa capacidade e essa visão fizeram e fazem a diferença.

A própria história da empresa e da sua fundação são um testamento a essa capacidade. O meu pai, Vali Momade, soube responder rapidamente à mudança de realidade económico-social do país, e teve a visão clara para onde deveria ir, fundando a Cotur. Desde então, temos usado várias vezes essa capacidade, adaptar e continuar tendo ao longo do tempo aberto portas e encontrado soluções que permitiram não só à Cotur mas às restantes agências de viagens em Moçambique continuar a evoluir e crescer. A Cotur é uma referência, não pelos prémios ou distinções, isso são reflexos deste trabalho. Mas é uma referência por ser precursor e por estar numa posição em que a maioria espera para ver o que vamos fazer para depois continuar.

Enquanto agente económico do setor do turismo, como descreveria o contributo da empresa e a sua importância no universo CPLP?

A Cotur tem procurado contribuir positivamente, tanto no contexto da discussão da sua área de expertise como no setor do turismo no geral. A Cotur é membro da Confederação Empresarial da CPLP (CE-CPLP) e ainda recentemente, o nosso CEO, Muhammad Abdullah, foi nomeado Presidente da Comissão Especializada da CE-CPLP para o Turismo.

Efetivamente, existe um enorme potencial neste universo, e sem dúvida que procuramos estar envolvidos na busca de soluções para os problemas e na criação de oportunidades, para que este se desenvolva e atinja potencial que todos lhe reconhecemos.

A verdade é que existem diversos problemas que ainda têm de ser ultrapassados, que têm sido entraves ao desenvolvimento que todos ambicionamos. No entanto, temos tido sinais positivos, que indiciam vontade de todos os intervenientes em evoluir e por isso julgo que só podemos estar otimistas. Ao nível do Turismo, acredito que a implementação da isenção de vistos entre membros da CPLP seria um passo fundamental para o desenvolvimento do setor.

Na sua opinião, quais são as maiores vantagens que não estão a ser aproveitadas no seu expoente máximo em termos de turismo entre os países lusófonos?

Na verdade, penso que a própria natureza da Lusofonia será a grande vantagem que não tem sido aproveitada, a base a partir da qual as maiores oportunidades para o setor do Turismo têm origem.

A real dimensão do potencial turístico entre os países lusófonos está nesta partilha de identidade cultural e histórica, enriquecida obviamente pela partilha também da língua.

O fluxo de pessoas nos países lusófonos, entre o país de residência e o país de onde são oriundos ou onde têm família, já é uma realidade incontornável. Dando os passos necessários para facilitar mais todo este processo, e esse fluxo aumentará significativamente, beneficiando não apenas quem visita por razões afetivas e familiares, mas também quem o faz por razões puramente turísticas.

Por exemplo, a inexistência de pacotes turísticos que combinem dois ou mais países é algo que ilustra bem todo potencial que existe e que infelizmente não está a ser aproveitado.

Os investimentos que têm sido dedicados ao turismo em Moçambique são suficientes?

Penso que o investimento no turismo em Moçambique tem sido feito de uma forma pouco eficaz. Há algum desfasamento entre a perceção de oportunidade de negócio e a realidade. Por isso, a maior parte dos empreendimentos turísticos têm grande dificuldade em serem viáveis.

Esta dificuldade não resulta da falta de potencial turístico, muito pelo contrário, já que esse potencial é enorme. O problema está antes ao nível da execução, com muito do investimento a ser feito na criação de empreendimentos concorrentes, em vez de em melhorias da capacidade já existente, aumentando por exemplo a qualidade de serviço. Julgo que a aposta deve ser feita mais em parcerias inteligentes e sustentáveis, que acrescentem de fato valor e aumentem a qualidade da oferta e do serviço prestado.

Historicamente, Moçambique é considerado um dos destinos turísticos de primeira classe em África, principalmente devido à sua fauna, praias e centros urbanos. Como descreveria o país a quem ainda não o conhece?

Moçambique é sem dúvida um país maravilhoso. A nossa Pérola do Índico tem tudo aquilo que a maioria dos turistas procura para as chamadas férias de sonho. No entanto, julgo que a essa grande diversidade e riqueza natural e paisagística, há a juntar uma característica única que faz Moçambique ser tão especial: os moçambicanos. As nossas gentes são de fato um dos grandes patrimónios e uma das grandes riquezas do nosso país, e quem visita Moçambique fica invariavelmente marcado pela gentileza, simpatia e calor dos moçambicanos.

Temos algum caminho a percorrer em termos de melhorias estruturais, para que o turismo moçambicano possa estar desenvolvido como outros grandes destinos internacionais, mas têm sido dados passos fundamentais para que isso aconteça. Evoluímos cada vez mais com o maior fluxo de turistas e só podemos esperar que continue a aumentar e que venham desfrutar da riqueza natural à cultural e histórica sem esquecer a gastronómica e acima de tudo a social e humana do nosso Moçambique.

Quem é Noor Momade 

Noor Momade foi distinguido como ‘Empresário empreendedor do ano durante a VI Conferência Nacional do Empreendedorismo, organizada em Maputo, pela ANJE.

Durante a III Gala do Empreendedor, inserida na VI Conferência Nacional de Empreendedorismo, foram distinguidas as personalidades e instituições que mais se destacaram no país enquanto empreendedoras ou promotoras do empreendedorismo nacional.

Numa das categorias mais aguardadas, Noor Momade, PCA da Cotur, foi distinguido como empresário empreendedor do ano, reforçando ainda mais o seu estatuto de referência no mundo empresarial Moçambicano no geral e no Turismo em particular, onde tem colecionado juntamente com a Cotur, vários prémios e distinções nacionais e internacionais.

Noor Momade garante que essa distinção tem de ser encarada com grande otimismo por todos os empresários moçambicanos, principalmente os mais jovens. “Há um potencial enorme nos nossos jovens, e o nosso país vai proporcionando cada vez mais um crescimento sustentado de novos negócios e ideias, pelo que só podemos estar otimistas. Moçambique merece este momento.”