Sabendo que existe uma lacuna de informação entre aquilo que se faz ao nível de ensino superior e investigação com a sociedade e tecido empresarial, Carla Silva entende que é importante promover a comunicação e a dinâmica entre estas instituições e a comunidade, sendo mesmo uma das missões do investigador.

A Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia abraçou o projeto Instituto Superior de Ciências de Inteligência Artificial e Comportamental (ISCIAC) na sua incubadora, permitindo o avanço de outros projetos entre os quais a Data Science School, criando uma importante dialética entre a formação e a investigação.

A Professora e Investigadora explicou que estes projetos surgem num contexto de comunicação constante entre colegas de investigação que há muito trabalham nesta área. A sua premissa é ambiciosa: o ensino de ciências de dados e programação a crianças e adolescentes num ambiente inovador, dinâmico e corporativo, estimulando competências como raciocínio, criatividade, pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação e colaboração, pelo ensino de metodologias baseadas em disciplinas de forma a enfrentar os desafios da era digital.

“Nós, investigadores, sabemos que sozinhos não conseguimos. Precisamos de parcerias de investigação e de formação e são estas parcerias que nos dão ferramentas para trabalhar e para levar a cabo os projetos”, começa por referir Carla Silva que tem sentido um enorme apoio por parte da Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia, bem como por parte da Câmara Municipal de Oeiras com quem já tem uma ligação efetivada, seja pelas visitas escolares agendadas ao laboratório da Data Science School na Universidade seja pelas visitas agendadas dos cientistas às escolas. “Trata-se de um projeto que foi pensado e trabalhado durante muito tempo, começando a ganhar perceção através destas parcerias”, realça. E não só, muitas empresas apoiam este projeto, como sejam o Caderno Mágico, outras das parcerias que abraça a Data Science School como modelo de ensino e instrumentos digitais nos seus espaços e na formação de centros educativos em colaboração com o ISCIAC e o SAS com quem trabalham na implementação da formação e design de software.

De realçar que a Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia surge há 22 anos como um projeto inovador e com o objetivo concreto de fazer um ensino superior privado de elevada qualidade e excelência. Na altura, procuraram, lá fora, ideias para um ensino diferente, metodologicamente mais avançado e com outro dinamismo, permitindo-lhes praticar um ensino inovador. Estes fatores, a inovação e o ensino de excelência, marcaram o percurso da Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia.

Há quatro anos atrás, quando o grupo multinacional Carbures – que fornece a Airbus e a Boeing – passou a ser o maior acionista da Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia, o core business da Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia passa a ser engenharia aeronáutica, engenharia de materiais e todas as novas tecnologias associadas a esta indústria, criando-se, assim uma universidade-empresa que ajudou o país a firmar a sua posição enquanto cluster global na área das engenharias. “Damos resposta às necessidades das empresas e do mercado de trabalho”, diz-nos Natália do Espírito Santo, Administradora da Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia.

É nesta linha da inovação que a Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia tem feito várias parcerias, pelo que não poderiam deixar de abraçar este projecto – ISCIAC na sua incubadora, dando-lhe o desenvolvimento necessário.

“A área de Data Science não é nova para nós. Temos vindo a trabalhar no sentido de expandir a formação, quer em termos de licenciatura, mestrado e doutoramento, quer em termos de pós-graduação. É cada vez mais importante a promoção de áreas novas e de inovação, numa altura em que a economia está a crescer, tornando o mercado cada vez mais dinâmico, levando as empresas a sentirem a necessidade de contratar profissionais especializados em áreas emergentes”, explica Natália do Espírito Santo. Neste sentido surge a nova Pós Graduação em Data Science and Advanced Analytics cujos objetivos encontram-se alinhados com a Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030.

Quanto ao ensino e à formação dos professores, Natália do Espírito Santo refere que os professores não podem continuar a ser apenas transmissores de conhecimento. “Tem de existir uma maior interatividade. Será o aluno a preparar o seu caminho e o seu percurso académico com estes instrumentos das novas tecnologias e com professores para os orientar e facilitar a aprendizagem e não tanto como transmissores de conhecimento”, acrescenta.

DATA SCIENCE SCHOOL

O ISCIAC nasceu de projetos em comum entre investigadores. “Tivemos várias parcerias no nível de projetos europeus e fomo-nos conhecendo e surgiu a ideia de criar algo com impacto na metodologia do ensino”, diz-nos a pós doutorada Carla Silva. Assim, nasce a Data Science School. Trata-se de um dos projetos que trabalha com a Inteligência Artificial e que a usa como uma ferramenta no ensino. Dentro da Data Science surge a elaboração de uma sala de aula do futuro. Afirma que a sala de aula do futuro já existe como conceito pelo que o fator inovação não se prende com a sua criação, mas sim com a metodologia de ensino científica ligada à aprendizagem. Aqui, a Inteligência Artificial e o Data Science School têm que servir como uma metodologia de aprendizagem para os alunos e como uma ferramenta de trabalho interativa para a aprendizagem. Aqui é que está a inovação. O software em machine learning utilizado na Data Science School e com as parcerias, liga a Inteligência Artificial com a metodologia de aprendizagem para o aluno, baseado em algoritmos de machine learning. Estes algoritmos possibilitam que o aluno, enquanto trabalha numa mesa interativa, seja promotor da sua própria aprendizagem e o professor assume um papel de facilitador de aprendizagem. “É necessário envolver os professores neste projeto, trazendo-os à Escola Universitária de Ciências Empresariais, Saúde, Tecnologias e Engenharia e envolvendo-os numa formação contínua, nesta aprendizagem”, explica Carla Silva.

Estando já a colaborar com a secção do plano educacional da Câmara de Oeiras e com os intervinientes responsáveis pelo plano de ensino do município, o ISCIAC e a Atlântica pretendem envolver professores, diretores e decisores políticos, de forma a criar uma envolvência na investigação. Pois a “investigação serve o propósito de utilidade para a sociedade, de outra forma não faria sentido”, refere a Professora e Investigadora.

 “A inteligência artificial não é o futuro, já é o presente. Se há riscos? Se o professor será substituído? Não. Vai exigir é que as pessoas tenham formação e que estejam numa aprendizagem contínua. As pessoas não serão substituídas nas funções sociais que cada setor de atividade exige”, adianta Carla Silva, alertando que o maior desafio ao nível do plano educacional será a formação de profissionais nesta área da Inteligência Artificial e a formação do professor. “Temos alunos muito informados, o que exige um nível maior de conhecimento por parte do professor, não só no nível de conteúdos, mas também em tudo o que envolve o sistema de aprendizagem. Formar professores como era há 50 anos não pode continuar a ser possível. Um professor que vai hoje para uma escola tem de estar bem ciente de que estas novas ferramentas de aprendizagem são uma realidade e são bastante exigentes”, alerta a nossa entrevistada.

Carla Silva explica que o professor vai deixar de existir como é percebido agora e que tem de existir uma consciencialização do profissional e da sua formação daqui para a frente. “Tenho consciência que daqui a uns anos estas ferramentas de aprendizagem estarão cada vez mais presentes nos sistemas de ensino e nas nossas salas de aulas. A utilização dos algoritmos como um método de aprendizagem já é uma realidade noutros setores. Ainda não o é no setor do ensino, mas estamos num processo de mudança de paradigma que deve ser feita e precisamos de mais universidades e de empresas nestes projetos”, refere.

“Tem de existir uma dialética constante naquilo que se faz na investigação nas universidades e no que é projetado lá fora. Daí esta necessidade tão grande de levarmos este projeto primeiramente às Câmaras e às escolas e abrir as portas da Universidade à comunidade. A ciência deve servir a sociedade”, conclui.