A Procare Health aposta no desenvolvimento de produtos não hormonais e de origem natural tendo em vista a promoção da saúde e bem-estar da mulher. Que lacunas vieram preencher?

Há alguns anos, começaram a ser identificadas questões de segurança relacionadas com as terapêuticas hormonais de substituição – fármacos essenciais para situações específicas – contudo, com um perfil de segurança que afeta a qualidade de vida das doentes.

O posicionamento da Procare Health em relação a produtos não hormonais define um dos fundamentos da sua fundação enquanto empresa farmacêutica. A Procare Health resulta de um spin off da Procter & Gamble Pharmaceuticals, uma empresa de investigação ligada a terapêuticas relacionadas com a saúde da mulher. A experiência e conhecimento dos profissionais, os melhores neste segmento, que deram vida a este projeto serviram para criar um conceito de empresa, que tem no seu ADN a inovação e a busca de soluções terapêuticas não-hormonais e de base natural.

A ideia de base é desenvolver soluções eficazes para doenças específicas na área da saúde da mulher minimizando ou mesmo ultrapassando todos os problemas de segurança e tolerabilidade das terapêuticas convencionais. Esta aposta marcou o início da construção do nosso portefólio.

Na sua opinião, existe algum estigma associado aos produtos naturais e que por isso ainda seja necessário explicar que estes produtos são igualmente testados e controlados tanto quanto os químicos?

O meu passado esteve sempre ligado à indústria química farmacêutica e, por isso, negar a sua necessidade seria um pouco negar a minha própria história, bem como a excelente investigação de novas armas de combate à doença. No entanto, este novo conceito trouxe-me uma nova visão: infelizmente, existe pouca documentação desenvolvida sobre substâncias naturais, daí serem por vezes menos consideradas. Uma das principais missões da Procare Health é exatamente inverter esta situação, logo a forte aposta na investigação clínica dos nossos produtos e dos que serão lançados no futuro.

Quando é desenvolvido um produto natural é muito importante perceber em que medida a sua eficácia está garantida, assim como a sua segurança. Quando iniciámos a Procare Health dedicámos cerca de cinco anos a desenvolver o nosso portefólio, até entrarmos no mercado, em finais de 2015.  Testámos e avaliámos exaustivamente todo o processo clínico que sustenta os nossos produtos, desde a fase pré-clínica, a estudos in vitro, ex vivo, em animais… Todo o processo de investigação clínica que falta ao mercado de produtos não químicos, estivemos a desenvolvê-la durante anos para garantirmos sustentação, uma das grandes necessidades que os profissionais de saúde nos revelam. No caso da saúde da mulher, em particular, esta questão é relevante porque existe uma vasta panóplia de produtos à disposição, para os quais não existe grande documentação científica. Graças a esta forma de estar, a Procare Health Portugal, apesar da sua jovialidade, com início em Março de 2018, já está posicionada no mercado nacional enquanto empresa de investigação em biotecnologia, com estudos desenvolvidos e um vasto programa de estudos clínicos que teremos à disposição já a partir de 2019, também em Portugal.

A evidência clínica, mais do que uma necessidade, é uma exigência e uma garantia que os profissionais de saúde têm para melhor tratar as suas doentes.

O Papilocare foi criado pela Procare Health e é o primeiro produto para a prevenção e tratamento de lesões causadas pelo HPV. Fale-nos sobre a sua ação e indicação terapêutica.

É o primeiro e, até agora, o único produto com indicação na prevenção e tratamento de lesões causadas pelo HPV, papilomavírus humano. Mais de 90% das mulheres, em idade de vida sexual ativa, terão contacto com este vírus e existe uma ligação entre o HPV e o cancro do colo do útero.

Até há pouco, para além da essencial vacinação, não existia forma de lidar com a presença do HPV. Então, sempre que uma mulher tem um resultado positivo no rastreio do HPV, a abordagem clínica é somente esperar.

Na maioria dos casos o organismo consegue eliminar o vírus de forma natural, no entanto, existe uma outra percentagem em que tal não se verifica. E não sabemos quem são essas mulheres.

O HPV tem dezenas de variações e algumas delas podem demorar anos a serem eliminadas, ou podem evoluir e causar lesões… Nessa altura, o procedimento é a remoção do tecido afetado, através de processos evasivos e que podem alterar a anatomia do útero.

Resumidamente, o conceito terapêutico que existe é a vacina e depois da vacina apenas uma “esperoterapia” que consiste na espera até que o vírus desapareça e, caso contrário, tratar as lesões. É nesta “espera terapêutica” que se posiciona o Papilocare. Este produto vem colmatar o “não” tratamento que existe como conceito terapêutico. O tempo que a mulher espera até saber se está ou não tratada, as dúvidas, a ansiedade e o stress afetam a sua qualidade de vida.

Este produto demonstra uma redução significativa no tempo de eliminação do vírus e/ou na reparação da lesão que já existe. Estamos a mudar o paradigma do tratamento e prevenção das lesões provocadas pelo HPV, que como disse, afetam a maioria das mulheres. É importante recordar que em Portugal, mais de 300 mulheres morrem anualmente com cancro do colo do útero.

Quais foram as mudanças mais impactantes que ocorreram no universo feminino, a nível de saúde, nos últimos anos?

A investigação de novas terapêuticas está pujante, e por isso, também as mulheres têm acesso a tratamentos mais eficazes. Mas eu direi que a grande mudança que se observa no caso concreto da saúde da mulher é a quebra de tabus e a procura de uma melhor literacia do seu corpo.

Existe uma percentagem considerável de mulheres que não sabe lidar com a sua saúde vaginal. Existem muitos estigmas associados: muitas vezes as mulheres têm problemas “na sua intimidade” e, assumem que isso pode ser entendido como falta de cuidado, falta de higiene ou até poder pensar-se que foi contagiada por alguém, questionando a sua fidelidade. Então, remetem-se ao silêncio e procuram soluções sozinhas. Também o fácil acesso a informação – muitas vezes pouco útil – pode resultar num mau uso de produtos oferecidos como curas milagrosas.

Ora, isto está a mudar e a quebra de tabus é sem dúvida uma melhoria significativa que impede que pequenos problemas se estendam a níveis mais complicados.

A saúde vaginal hoje é encarada de outra forma pelas mulheres, mas ainda há um caminho a percorrer. Como exemplo posso referir a disfunção sexual feminina, um problema real e que afeta muitas mulheres e que deve, por isso, começar a ser mais falado, até porque a oferta de soluções terapêuticas é limitada e muito pouco sólida em termos científicos. Nesse sentido, desenvolvemos o Libicare – um tratamento para a disfunção sexual da mulher, que demonstrou em estudos clínicos aumentar todos os parâmetros de avaliação da função sexual na mulher. É um produto que confere uma enorme dignidade terapêutica, num simples comprimido, numa embalagem atrativa e que traz à mulher a aceitação de que não está a tratar uma doença mas sim um problema que afeta o casal.

O nosso posicionamento é este: falar com os profissionais de saúde, dar a entender à mulher que os problemas que a assolam têm motivos e soluções e não há mal nenhum nisso.

Quando, para o mesmo tratamento, existe uma solução química e outra natural, qual deles é primeiramente eleito pela mulher?

Estamos a viver uma tendência social em que as pessoas procuram as soluções mais naturais. O que a natureza dá, a natureza transforma. Na área farmacêutica, quem oferece soluções terapêuticas naturais tem a responsabilidade de demonstrar que produtos são estes e, através do desenvolvimento de estudos clínicos e observação da Evidência Clínica, confirmar a sua eficácia. Quanto mais evidência, maior recetividade terá o médico para as receitar. Há um espaço para os químicos, tem de haver, mas existem outras opções, como no caso da Procare Health, com estudos publicados e presença nos grandes eventos científicos mundiais.

Em pleno século XXI, que cuidados ainda são descurados pelas mulheres relativamente ao seu corpo?

A mulher ainda tende a solucionar problemas sem pedir ajuda e isto é um erro. Devem sempre procurar ajuda junto dos profissionais. Não há que ter vergonha dos problemas íntimos. O sistema genital da mulher é apenas mais uma parte do seu corpo. Existe espaço para educar a mulher como tratar do seu corpo.

Também nós, enquanto elementos interventivos em todo o processo, temos uma função social a desempenhar. Na Procare Health começámos já a assumir esse papel.

A vossa estratégia assenta sobretudo na “mulher de hoje”. Como é e o que procura a “mulher de hoje”?

A mulher de hoje encara de forma mais natural o seu género. Diria que as mulheres têm cada vez menos preocupações em assumir posições que as obrigavam até há pouco tempo a pôr em causa a sua feminilidade. Cada vez mais veem como natural o facto de serem mulheres e não precisam de vestir de cinzento escuro para assegurar a sua autoridade. Sabem que têm um papel na sociedade, na família, nas organizações, que conquistaram com a sua forma de estar na vida e que não deve ser questionado pelo seu género. A mulher de hoje é cada vez mais naturalmente mulher.