Embora o Banco BIC possa ser definido como um banco jovem, por ter iniciado a sua atividade em 2005, é considerado um banco de referência no setor bancário, dentro e fora de Angola. Que fatores diferenciadores têm contribuído para esta referência e solidez?

Em primeiro lugar a juventude dos seus quadros. Depois, a ambição de crescer e vencer num mercado bastante competitivo. Em terceiro lugar os resultados.

Apesar da crise económica que Angola atravessa, os nossos rácios de solvabilidade estão sólidos, 5 % acima do que a lei estabelece. Ainda este ano os nossos acionistas reforçaram o capital social do Banco, para 90 milhões de USD, quase três vezes mais do que é exigido pelo Banco Nacional de Angola. Os nossos fundos próprios são equivalentes a 750 milhões de dólares, norte-americanos.

Conjugamos o apoio a projetos às empresas com as suas necessidades de tesouraria, como nas famílias com o crédito da conta salário e vários outros tipos de créditos, desde a aquisição de habitação própria, ao financiamento de compra de viatura. E isto é importante para a confiança que os clientes depositam em nós.

O Banco BIC Angola integra o grupo dos cinco maiores bancos em Angola. Este pode ser considerado um dos maiores desafios para o banco devido à responsabilidade que acarreta esta posição?

A nossa posição competitiva no mercado bancário mantêm-se inalterável. Somos o banco privado de Angola com a maior rede comercial composta por 230 balcões que servem também o BIC Seguros, um conceito criado por nós – Banco/Seguros – que garante um serviço eficiente no ramo dos seguros e da banca, partilhado em comum todas as agências do país.

A nossa aposta é, e será sempre, o compromisso com os nossos clientes conjugado com o crescimento da economia do país. Daí, o nosso lema “Crescemos Juntos”. Participamos, desde o início, no esforço nacional. Somos exigentes (agora mais do que nunca), na avaliação e financiamento dos projetos. A conjuntura económica não é favorável a qualquer tipo de atividade comercial e, por isso, a crise faz-se sentir também na banca.

O crédito baixou e a taxa de juro aumentou, por via da inflação e da desvalorização da moeda nacional. O endividamento das empresas e das famílias é real, mas pode e deve ser corrigido pelo investimento público e privado, apoiado por medidas do governo, algumas delas já estão contempladas no Orçamento Geral do Estado para 2019.

O Banco BIC é cada vez mais uma marca internacional. Esta é, sem dúvida, a estratégia para o futuro e o foco do banco?

Começámos por Portugal em 2008. Crescemos cá dentro e lá fora. Somos um banco de raiz angolana com vocação internacional. Estamos presentes em cinco países de dois continentes: África e Europa. Em Portugal, somos um banco autónomo com uma rede comercial de 180 balcões. Angola é a raiz do nosso embondeiro que se ramificou para a África do Sul, Namíbia, e Cabo Verde e em breve chegará à Ásia. Temos competências e prestígio para reforçar a nossa presença lá fora.

O Banco BIC pretende posicionar-se como um banco inovador na capacidade de satisfazer as necessidades específicas dos seus clientes, contribuindo assim para o desenvolvimento do sistema bancário angolano. Que posição assume, atualmente, o Banco BIC no país?

O BIC quando foi lançado em 2005, apresentou-se como um banco inovador. Por isso, mereceu rapidamente a satisfação dos nossos clientes. Mantemos esse propósito dentro de um clima saudável e de respeito com todos as outras instituições bancárias e no cumprimento das regras do Regulador, o Banco Nacional de Angola, que está a desenvolver um trabalho notável na regulação do setor, restituindo a autonomia aos bancos, sem abdicar do acompanhamento e fiscalização, como lhe compete.

A banca é a alavanca da economia de qualquer país, por muito rico que ele seja.

Nós acreditamos na recuperação da economia de Angola. Poderá levar algum tempo; não mais de dois ou três anos. Por isso, é preciso ACREDITAR.

Fernando Teles afirma que as relações entre os bancos e as empresas “normalmente são de interesse [e] de compromisso” que “tem que ser de ambas as partes”. Que papel o Banco BIC pretende assumir junto do tecido empresarial?

A nossa aposta está no desenvolvimento do País e no financiamento às empresas que geram riqueza e fomentam a produção local.

Angola é um país rico em matérias primas e fértil em terras aráveis, com um clima tropical que propicia colheitas do mesmo produto, três vezes ao ano e, nalguns casos, permanentes ao longo do ano em condições naturais. Tem todas as condições para sermos autossuficientes em matéria alimentar e para exportar.

O Estado deve, em nosso entender, ser mais ativo no apoio às empresas que contribuem para o crescimento da produção nacional concedendo incentivos e benefícios fiscais aos investidores que criam riqueza para os angolanos, como por exemplo; no setor Agropecuário, onde o BIC já financiou 70 projetos agrícolas com mais de 30 mil milhões de kwanzas em créditos, cerca de 200 milhões de euros. Assim se fomenta a independência alimentar, se reduzem as importações que tantas divisas consomem ao País.

Afirma, ainda que, a trabalhar na banca há 52 anos, habituou-se a que a banca funciona com base na credibilidade. Como é visto, atualmente, o setor bancário em Angola?

Está muito dependente do crescimento da economia que não depende só de Angola, por ser um país de mercado livre e aberto que precisa de investimento e know-how estrangeiro.

O setor bancário está numa de fase de redimensionamento para responder aos novos desafios a que não será alheia a intervenção do Fundo Monetário Internacional, como instituição exigente que é nas reformas económicas e nos programas de assistência financeira em que participa.  Mas é preciso ter em conta as características da economia angolana pelas suas especificidades, quer sejam sociais, políticas ou até culturais para que o cinto não aperte demais.

A evolução da Banca está associada à inovação digital que não para de nos surpreender, como agora assistimos na Web Summit em Lisboa, um dos maiores eventos de tecnologia e inovação do Mundo, ao perspetivar o futuro da banca, perante a concorrência dos novos ”players”, a palavra de ordem foi… Inovar, Inovar, Inovar.

A banca tem de acompanhar a inovação que as novas tecnologias digitais oferecem e alterar o seu modelo de negócio para sobreviver. Aqui em Angola, à escala do nosso mercado, procuramos fazer o melhor caminho, calculando as distâncias e contornando as barreiras que temos pela frente.

O BIC Angola já confirmou o interesse de abrir uma sucursal na China, através da aproximação de Macau. Que desafios advirão deste passo? Porquê a China?

O investimento que os acionistas do Banco BIC pretendem realizar em Macau insere-se na lógica de internacionalização que se iniciou em 2008 com a abertura do Eurobic e que teve o seu mais recente exemplo na abertura em 2016 do Bank BIC Namíbia.

Por outro lado, para além do reforço do Banco BIC, permite ao sistema financeiro Angolano e aos clientes, empresas e particulares, disporem de um parceiro bancário numa zona do mundo que tem registado os maiores índices de crescimento e que se vem revelando, cada vez mais, como um parceiro comercial e fonte de investimento direto estrangeiro em Angola.

Efetivamente, na sequência da criação do Fórum Macau em 2003 por parte da República Popular da China, assistiu-se a um aumento sem precedentes nas trocas comerciais, entre a China e os Países de Língua Portuguesa, bem como, a um crescimento significativo no investimento direto chinês nos países do espaço da CPLP.

Angola é hoje, o segundo país de expressão portuguesa, logo a seguir ao Brasil, com o maior volume de trocas comerciais com a China. Assim, esperamos que o futuro Banco BIC Macau, tão logo mereça a aprovação por parte da Autoridade Monetária e Cambial de Macau, venha a aproximar os fluxos financeiros desta realidade, incluindo a abertura de correspondência bancária aos demais bancos Angolanos que realizem operações com entidades públicas e privadas da China.

A secretária-executiva da CPLP defende que é necessário “um quadro económico e jurídico que facilite que o comércio e os investimentos possam fluir entre os países para criar emprego e promover o desenvolvimento”. No seu entender, o que é necessário para uma cooperação cada vez mais sólida entre os Estados-Membros da CPLP? Mas que desafios advêm das exigências da cooperação?

O fortalecimento da organização e a mobilidade de circulação de pessoas e bens, entre esses países, é indispensável e desejável. Nenhum dos países do espaço da CPLP tem fronteiras terrestres comuns. Todos estão separados por mar, mas unidos pela mesma língua o que facilita as relações afetivas, culturais e comerciais entre os povos desta Comunidade Regional.

Por isso, é importante criar condições de união e de proximidade para se atingir um desenvolvimento mais igualitário e mais sustentável, como aquele que foi definido na agenda de 2030 das Nações Unidas, e que foi adotada, por unanimidade, há dois anos, em Brasília, por todos os chefes de Estado dos países da CPLP.