As estratégias atuais para o desenvolvimento de África apontam o reforço do investimento do setor privado como prioritário para o crescimento económico e central na abordagem atual para o desenvolvimento económico, num contexto de crescimento da população mundial e de necessidade de garantir a segurança alimentar a nível global.

Por toda a África, especialmente nas regiões subsaarianas, a criação de valor acrescentado no aproveitamento da produção agrícola é um dos maiores desafios para o crescimento económico no século XXI, tornando o investimento nas várias vertentes dos agro-negócios essencial para o futuro do continente. Ora os países africanos lusófonos não escapam a esta realidade, enfrentando precisamente o desafio do desenvolvimento dos negócios agroindustriais como estruturantes para o aumento da produção local, criação de valor e riqueza para os países e para os seus cidadãos. Neste contexto, a necessidade de certificação alimentar local e disseminação de estruturas de transformação industrial apontam inevitavelmente o caminho para o desenvolvimento económico nos próximos anos.

Assim, será crítico que estes países consigam atrair investidores, internos e externos, que arrisquem criar estruturas produtivas de valor acrescentado, reforçando a integração económica do país, nas suas várias regiões. A disponibilização dos instrumentos financeiros de suporte a este investimento passará muito provavelmente pelas instituições financeiras multilaterais internacionais, como o BAD – Banco Africano de Desenvolvimento, que dispõem de soluções muito atrativas para projetos com escala e estruturantes da economia do país, em consonância com a estratégia de desenvolvimento destes países. Note-se que a existência de fundos de investimentos internacionais virados agora para o investimento em África e as pools de investidores, como as que estamos a trabalhar no quadro das parcerias estratégicas do OLAE e da EEIGCHAM Câmara Económica Europeia, constituem-se como ferramentas de enorme importância para a viabilização das estruturas de capitais devidamente equilibradas e potenciadoras do investimento.

As Instituições Financeiras Internacionais Multilaterais têm um papel particularmente importante no financiamento do desenvolvimento e são uma das melhores ferramentas para o financiamento de projetos com viabilidade económica e financeira e impacto estratégico para alavancar o crescimento económico, em linha com as principais opções e componentes da estratégia do país e da integração económica dos blocos regionais em que se inserem.

Os bancos multilaterais de desenvolvimento são instituições financeiras internacionais que têm por missão apoiar os processos de desenvolvimento dos países beneficiários, por via de financiamento, assistência técnica e transferência de conhecimento. Instituições como os bancos regionais de desenvolvimento têm a vantagem de aportarem um enorme conhecimento das especificidades regionais e compreensão privilegiada sobre os projetos estratégicos para o desenvolvimento dos países e das regiões, beneficiando ao mesmo tempo de meios financeiros de grande alcance que lhes permitem serem uma opção extremamente vantajosa enquanto parceiros financeiros, quer para os governos dos países, em projetos públicos, nacionais ou regionais, de grande impacto estratégico, mas também em projetos do setor privado, que assumam relevância pela sua dimensão, enquadramento estratégico e contributo para o desenvolvimento. Ora, esta dimensão de apoio ao setor privado é muitas vezes desconhecida dos empresários e dos promotores de projetos, que desperdiçam assim as vantagens destes financiadores, quer pelo volume, quer pelas taxas de juros praticadas, normalmente muito vantajosas, quer pela configuração dos instrumentos financeiros disponíveis, que permitem a preparação da melhor operação do ponto de vista do projeto.

O OLAE tem uma equipa altamente especializada na preparação de projetos para financiamento através das Instituições Financeiras Internacionais Multilaterais, tais como o Banco Africano de Desenvolvimento, ou o Grupo Banco Mundial, com vasta experiência na realização destes projetos para governos de países e entidades privadas, com investimentos relevantes. Estes projetos obrigam ao domínio de um know-how muito específico e apenas raras entidades privadas dos países da CPLP são beneficiárias diretas destas fontes de financiamento. No entanto, devido ao tipo de instituições em causa, estas constituem algumas das melhores alternativas para financiar projetos, nomeadamente do setor privado, de interesse nacional, em especial nos países em desenvolvimento.

OPINIÃO DE José Paulo Oliveira, Presidente do OLAE – Observatório Lusófono de Actividades Económicas