“O principal desafio é aprender a lidar com o medo do desconhecido”

“Acreditamos que podemos e devemos trabalhar para criar um futuro melhor para a sociedade”, diz-nos Leihla Pinho, Founder e Design Director da Major, criada para pensar e desenhar produtos digitais que poupem tempo ao utilizador permitindo maior conectividade na vida real, offline.

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Leihla Pinho é Founder e Design Director da Major. Em que momento da sua vida surge este projeto?

A Major foi fundada em 2016. Na altura eu era Design Director numa startup da área financeira e sentia falta de um novo desafio. A ideia de abrir o meu próprio estúdio tinha surgido alguns anos antes. Em 2016 consegui um projeto relativamente grande, em regime de freelancing, que me proporcionou a estabilidade necessária para dar o salto. E assim foi, despedi-me e comecei a trabalhar por conta própria, sem fazer grandes planos para o futuro.

Fixada em Lisboa, a Major é um estúdio de design que pretende colmatar a lacuna entre os produtos digitais e as pessoas que os usam. De que forma?

Adoro a internet e o seu potencial de conectividade, aprendizagem e comunidade. Após a licenciatura, comecei a trabalhar na área digital. Se na altura senti que tudo ia estar online um dia, hoje sinto que vivemos cada vez mais numa sociedade que está sempre conectada sendo quase impossível desconectar. Os produtos digitais que usamos não são na sua generalidade pensados para melhorar a vida das pessoas. Quer pelo tempo que nos tomam, quer pela constante luta pela nossa atenção, desconectam-nos do mundo real e das pessoas à nossa volta. A Major pretende pensar e desenhar produtos digitais que poupem tempo ao utilizador permitindo maior conetividade na vida real, offline.

Qual é a filosofia e a estratégia do estúdio? Que papel já assume no mercado?

Apesar de sermos uma equipa pequena, estamos muito focados em desenhar produtos que facilitem a vida das pessoas, e que lhes devolvam tempo para viver a vida. Acreditamos que podemos e devemos trabalhar para criar um futuro melhor para a humanidade. São objetivos ambiciosos e ainda estamos longe de os atingir, mas gostamos de pensar que estamos no bom caminho. Quanto ao nosso papel no mercado, é difícil de definir. Existem cada vez mais empresas de design digital, mas gostamos de acreditar que o forte sentido ético, a atenção ao detalhe e a qualidade da execução é um fator diferenciador.

Quem é Leihla Pinho? O que a inspira diariamente na sua vida e no seu trabalho?

A Leihla é uma mulher de 32 anos, que acredita que podemos viver num mundo melhor. A minha família e amigos são a minha maior fonte de inspiração. Tanto pelo trabalho que executam no dia a dia, mas principalmente pela forma como encaram a vida e os seus desafios e dificuldades.

A música tem também um papel fundamental na minha vida, quer como instrumentista (toco violoncelo), como pela capacidade que tem de nos transportar para um plano mais elevado do ser. Finalmente acredito que viajar e conhecer diferentes culturas, formas diferentes de estar na vida e viver em sociedade é algo que procuro como forma de abrir horizontes e ter mais empatia pelo próximo.

Cada vez mais existem exemplos de sucesso de mulheres que arriscaram sair da sua zona de conforto e se tornaram empreendedoras. No entanto, que desafios ainda enfrentam as mulheres no mundo dos negócios?

Tanto para mulheres como para homens, penso que o principal desafio é aprender a lidar com o medo do desconhecido. Muitas pessoas têm vontade de empreender, mas têm medo de avançar, de deixar um emprego seguro, de investir o seu dinheiro, e obviamente medo de falhar. E ficam paralisados. Quanto às mulheres em específico, há um problema claro de representatividade e igualdade. Não existem tantos exemplos de liderança e quando uma mulher chega a uma posição de liderança, muitas vezes não tem o mesmo título, regalias e remuneração que os seus colegas homens.

 

A própria Leihla Pinho enfrentou obstáculos durante o seu percurso pelo facto de ser mulher?

Na realidade nunca senti obstáculos por ser mulher, sempre tive imensas oportunidades. O maior desafio que senti numa fase inicial da minha carreira foi não existirem mulheres a fazer o mesmo que eu, a trabalhar em tecnologia, ou em posições de liderança a quem pudesse recorrer para me aconselhar. Em várias empresas fui a única mulher. Para mim, essa é uma questão importante, ter exemplos de alguém semelhante a nós a mostrar que é possível fazermos o que quisermos e chegarmos a posições de liderança. E felizmente há cada vez mais exemplos de mulheres a criar os seus próprios projetos, a fazerem mais promoção do seu trabalho e a partilharem o seu conhecimento com a comunidade.

No mundo do empreendedorismo a inovação é um ponto fulcral. Que outros fatores foram cruciais para o estúdio e para si enquanto empreendedora?

Estar rodeada das pessoas certas, com uma mentalidade aberta e que querem ter um impacto positivo no mundo à sua volta. Quer na equipa da Major, como na procura de amigos e mentores, sempre procurei estar próxima de pessoas que acho verdadeiramente inspiradoras. Num nível mais pessoal, acredito que aquilo que damos ao mundo nos é devolvido. Tento sempre partilhar o meu conhecimento com outras pessoas, quer dando aulas, falando em conferências ou a fazer mentoria a pessoas que estão agora a entrar no mercado de trabalho.