ROM Boats e Neptune revitalizam o setor náutico em portugal com um toque de luxo e conceitos revolucionários

Rita Soares Vieira é a responsável de Marketing e Comunicação da ROM Boats e da Neptune Devotion, duas empresas com apenas um ano de atividade, ligadas entre si mas com especificidades bem diferentes. A ROM Boats constrói barcos de luxo personalizáveis, com design próprio e acabamentos finais fora do habitual, e a Neptune dedica-se ao refit de embarcações a motor até 55 pés. Deixe-nos revelar-lhe tudo.

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Após a sua formação académica numa área bastante distinta do que faz hoje, teve a sua primeira oportunidade de trabalho numa empresa de marketing o que a levou rapidamente a perceber ser esse o caminho profissional que gostaria de percorrer, acabando por se especializar nas áreas de marketing e de comunicação. Com experiências profissionais quer do lado da agência quer do cliente, foi consolidando conhecimentos e construindo a bagagem que hoje traz para um setor pelo qual se apaixonou completamente.

“Entrar logo de início para uma empresa criada de raiz é um enorme privilégio e altamente motivante. É poder contribuir diretamente para o sucesso de uma marca desde que ela é pensada”, afirma-nos.

Ainda que atualmente seja a menos dinâmica nesse campo, por questões de estratégia da marca, a ROM Boats foi a primeira empresa a ser apresentada ao mercado. De uma forma bastante original, a ROM deu-se a conhecer na ARCO Lisboa com a criação de uma peça de arte especificamente para o evento, peça essa que pretendia dar a conhecer o conceito da marca e a sua premissa em fazer edições limitadas de embarcações quase completamente personalizáveis pelo cliente e acabamentos de luxo. Tal originalidade, descreve a responsável de marketing, “está patente em todo o projeto e todos os membros da equipa estão já formatados para pensar “fora da caixa”, o que é extremamente motivador”. A peça foi a mais fotografada do evento, a que teve mais aparições nas redes sociais, tendo valido à ROM um certificado e um louvor por parte da entidade organizadora do evento.

“Apesar da pouca promoção e comunicação, é bastante gratificante ver o alcance e o posicionamento que a marca ROM está a ter dentro e fora do país, tendo atraído o interesse de investidores bem como de players internacionais ligados ao setor, que nos têm visitado para conhecer os nossos estaleiros e conhecer melhor o projeto, reconhecendo-nos qualidade e diferenciação”, revela-nos Rita.

À espera da chegada dos primeiros cascos do modelo ROM 28, a única parte dos barcos a ser produzida fora de Portugal, com recurso a tecnologia CNC de vanguarda, preparam-se já os restantes equipamentos e componentes para assemblagem no estaleiro da empresa em Aveiro. Todos os componentes visíveis têm carimbo português e são desenhados e pensados ao detalhe para os barcos ROM, produzidos por micro e pequenas empresas nacionais, na sua maioria desconhecidas do público, que a ROM tenta também ajudar a sair do anonimato e dar-lhes o reconhecimento que merecem. Todos os componentes visíveis e invisíveis são instalados recorrendo a métodos tradicionais e ancestrais, com enorme dedicação e atenção ao detalhe por parte de toda a equipa de produção. “É o aliar de tecnologia de vanguarda com o know-how artesanal e ancestral que em tempos colocou Portugal no topo do mundo no setor da construção naval”, declara a responsável de marketing e comunicação das empresas.

A localização dos estaleiros na cidade de Aveiro resultou da conjugação de alguns fatores importantes: a facilidade de encontrar instalações portuárias que pudessem servir os interesses das empresas, o facto da própria cidade sempre ter tido uma ligação grande ao mar (mesmo que apesar de hoje em dia demonstrar algum afastamento relativamente a atividades náuticas de recreio) e, não menos importante, a ainda existência de muitos profissionais que apesar de afastados da arte da construção náutica, possuem o conhecimento técnico necessário e vontade de ensinar as gerações mais novas. “Temos uma enorme preocupação social e procurámos recrutar pessoas desempregadas ou a trabalhar em áreas que não estavam diretamente ligadas quer à construção náutica, embora no passado tenha sido o esse o seu ofício, ou à sua formação, no caso dos nossos colaboradores mais novos, que nunca tiveram a oportunidade de trabalhar nas suas áreas de estudo”, apesar de nenhuma das empresas receber qualquer apoio estatal.

Quando questionada quanto ao que diferencia a ROM das outras marcas construtoras de embarcações de recreio, Rita faz questão de salientar que o próprio modelo de negócio é diferente, com a inexistência de intermediários entre a empresa e o cliente final, porque quer no momento da venda em que há um processo de personalização totalmente partilhado com o cliente final, quer depois da venda, em que todo o suporte e assistência técnica são prestados ao cliente diretamente pela ROM. “Com exceção do casco e do motor, as únicas peças não personalizáveis, todos os restantes equipamentos e componentes decorativos e funcionais são concebidos sempre em conjunto com o cliente, com comunicação constante com a nossa equipa de designers e a área de produção, conseguindo desta forma oferecer ao cliente um barco (quase) completamente personalizado. É por isso que um barco ROM é uma peça única!”  Outro aspeto importante é a garantia que a empresa dá contra qualquer problema técnico ou de fabrico, deslocando-se a qualquer parte do mundo para assegurar a reparação do mesmo. “Isto não acontece com outras marcas, porque cabe ao distribuidor esse papel. Ora, a ROM decidiu transferir essa margem que tipicamente é dada ao distribuidor num serviço ao cliente de forma direta e de excelência”.

Apesar de não terem ainda nenhum barco concluído, a ROM Boats tem já várias encomendas e pedidos especiais. Por esse motivo, a marca está já a pensar na conceção de um segundo modelo, entre os 42 e os 45 pés.

Cada modelo ROM é uma série limitada a 20 unidades, sendo que nenhum será igual ao outro pois o cliente escolhe os acabamentos na totalidade. “O cliente é soberano e por isso tentamos sempre corresponder às suas expectativas. Se um barco é um bem de luxo, porque não terá o cliente a possibilidade de ter uma peça exclusiva?”

Já a Neptune tem comunicado com o mercado de forma mais ativa, tendo uma presença mais assídua nas redes sociais. Atualmente a fazer o refit de várias embarcações, há um projeto muito especial para a empresa e que acabou por servir de mote ao início da comunicação da marca. Trata-se da total remodelação de um Excalibur by Chris-Craft, um dos únicos 15 barcos que foram construídos e dos quais se estima existirem apenas 8 no mundo inteiro. “Poder restituir o glamour de um barco icónico como este, que marcou gerações e que foi o percursor do primeiro modelo da gama Stinger daquela conceituada marca americana, é para nós uma honra e um motivo de orgulho. Até porque o resultado final vai ser surpreendente, rasgando completamente com o convencional”, confidencia-nos a nossa entrevistada.

Sem recurso a promoções pagas, o alcance orgânico que a comunicação deste projeto de refit está a ter nas redes sociais é extraordinário: “o impacto que as nossas publicações tiveram no Facebook, Instagram e LinkedIn, com cerca de 15.000 visualizações em menos  de cinco dias e sem nenhum tipo de investimento da nossa parte, não deixa de ser notável”, diz-nos. O making of deste projeto pode também ser acompanhado no website da empresa em neptune.org.pt.

Mas afinal o que é isto de refit, perguntámos. “O refit de uma embarcação não é mais do que prolongar a sua vida útil, com todas as reparações e remodelações que forem necessárias a nível mecânico e técnico, não descurando o aspeto estético, modernizando os seus interiores e se necessário redesenhando alguns componentes para que o barco ganhe uma nova vida, com um look mais atual”. Uma espécie de “querido mudei o barco”, diz-nos Rita Soares Vieira com um sorriso.

Não querendo abrir muito o jogo, Rita Soares Vieira diz-nos que um dos grandes objetivos de marketing para 2019 é a presença nas principais feiras europeias ligadas ao mundo náutico para apresentação do ROM 28 Limited Edition, o primeiro barco com a insígnia ROM. Talvez até revelar um pouco do que vai ser o segundo modelo ROM, também este de edição limitada.