A SIMAB foi criada em 1993 com o objetivo de instalar em Portugal uma rede nacional de mercados abastecedores assumida como um conjunto estratégico de modernos Centros de Logística e de Distribuição Alimentar, polos económicos fundamentais no apoio à produção nacional e à organização e modernização do comércio.

A empresa pública que presta serviços de gestão, conceção, instalação, dimensionamento, revitalização e modernização de mercados abastecedores e municipais é acionista maioritária do Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), do Mercado Abastecedor da Região de Braga (MARB), do Mercado Abastecedor da Região de Évora (MARE) e do Mercado Abastecedor de Faro (MARF).

Mudanças e transformações económicas 

Os últimos anos marcados pela crise económica levou empresas públicas e privadas a ter que dar a volta perante um cenário de incrível retrocesso económico. Rui Paulo Figueiredo, destaca que tal mudança do ponto de vista financeiro do país resultou numa das maiores mudanças das empresas pertencentes ao grupo SIMAB. “Tanto empresas públicas do grupo SIMAB como as empresas privadas que são nossos clientes (cerca de 1500 empresas que vão desde os pequenos produtores a pequenos, médios e grandes grossistas e empresas que produzem, importam e exportam e até empresas que são filiais de multinacionais do agronegócio) sofreram todas com a crise que afetou a Europa. Tudo isto implicou um decréscimo na atividade económica, um reposicionamento da atividade do grupo com grandes cortes naquilo que eram a sua despesa operacional e uma queda dos rendimentos que tem vindo a ser ultrapassada nos últimos anos, não só com a reposição da atividade do grupo mas também com a melhoria da atividade económica do país”, começa por explicar.

No entanto, o presidente considera que a capacidade de se adaptarem às mudanças, fruto das suas características de resiliência, trouxeram uma total revitalização ao setor, que se modernizou e que culminou com a procura de novos mercados para explorar.

“Do nosso ponto de vista, focámo-nos na qualidade da prestação de serviços e esta é a nossa grande mudança. Tivemos os dois melhores resultados líquidos de sempre nos últimos dois anos da história dos 25 anos do grupo”.

Disciplina financeira e reposicionamento da atividade foram dois aspetos importantes na recuperação. Segundo Rui Paulo Figueiredo, o mercado pedia que fossem mais agressivos do ponto de vista comercial, de forma a criar condições e, assim, aproveitar a resiliência do setor e melhoria da atividade económica do país para “manter os nossos níveis e objetivos de racius económicos de diminuição da dívida progressiva do grupo”. Com isso, neste momento, os mercados de investimento privado da SIMAB já arrecadaram cerca de 13 milhões de euros.

“Demos boas condições para quem pode investir, seja de construção, modernização. Ao mesmo tempo, investimos e abatemos cerca de cinco milhões de euros do grupo nos últimos dois anos e meio, investimos imenso”. A revitalização das empresas pertencentes à rede de mercados abastecedores deve-se, na análise de Rui Paulo Figueiredo, à diminuição da dívida, aumento do volume de negócios, criação de condições para o investimento privado e devido a uma maior proximidade no setor da logística e transportes no contexto da distribuição.

Passaram a estar mais presentes na comunicação social especializada nos vários segmentos do setor, dinamizaram a atividade internacional e diversificaram a atuação do grupo a nível internacional.

A reabilitação dos mercados municipais foi também um marco significativo e que contribuiu de forma positiva para o aumento da receita, apesar do investimento inicial.

E por falar em investimento, o grupo foi eleito pela Bosch como plataforma para construir uma infraestrutura avaliada em quatro milhões de euros na Região Norte, na cidade de Braga.

Mais modernização precisa-se!

Apesar do setor estar em pleno crescimento e constante revitalização, Rui Paulo Figueiredo, alerta que há ainda um longo caminho a ser percorrido a começar pelos espaços físicos. Com isso, a SIMAB elaborou um plano estratégico de modernização e contempla várias áreas.

“Elaborámos um plano de modernização de três anos e que começa por aquilo que é invisível para uma melhoria da qualidade do serviço e da sustentabilidade: renovação de todo o sistema de CCTV, monitorização por telemetria dos consumos, substituição de todas as lâmpadas por led’s, relativamente à melhoria daquilo que é a prestação de serviço, passa muito pela diversificação de receita e de criação de negócio. Temos investido muito na recuperação e modernização do espaço público, vamos ao mesmo tempo mudar tudo o que tem a ver com a imagem. Tudo irá sofrer uma reformulação”.

“Estamos numa fase de oferecer às nossas empresas novas rotas e novos mercados para poderem progredirem”

“Assinámos acordos com o Brasil, índia, Uruguai, Argentina, estabelecemos um entendimento com os mercados abastecedores da China para abrirmos um pavilhão europeu e um pavilhão de produtos da América Latina, estamos perto de fechar com o México e ainda com Angola e Cabo Verde”, afirma o presidente, que explica que o intuito é de criar canais de importação e exportação para as nossas empresas.

Ao que tudo indica, os próximos passos da SIMAB vão ao encontro de conseguirem expandir o que é local para mercados globais e numa lógica de comércio internacional. “Independentemente das crises toda a gente tem de comer, é sempre uma necessidade independentemente da conjuntura económica e as empresas adaptaram-se bem a isso, foram resilientes e por isso devem acrescentar novos mercados à sua atividade.

Portugal pode ter um papel interessante na União Europeia, e as nossas empresas também, de crescerem ao nível do comércio internacional, penso que este é o salto que falta dar”, conclui.