Life Building surge no âmbito da complexidade dos nichos existentes no ramo  do desenvolvimento pessoal na área de coaching. Dálida Costa, entendendo que muitos de nós estamos direcionadas para a ação em detrimento do sentir, decidiu atualizar por si o paradigma existente do coaching e começar a direcionar esta ferramenta para as emoções das pessoas, de dentro para fora, ao invés da ação e da concretização do objetivo propriamente dito.

“Estamos habituados a concretizar de fora para dentro, de ir à procura de algo exterior a nós, mas o que eu procuro é ajudar as pessoas a sentirem-se bem aqui e agora e a escolher uma ação que sublinhe o que sentem”, começa por explicar Dálida Costa.

Privilegiando as emoções à mente, explica que a mente mente, e que trabalhando a partir do interior, leva as pessoas a descobrirem a sua verticalidade de modo a agirem com maior assertividade e firmeza nas suas vidas.

O Life Building surge na sua vida quando, através de uma sessão de coaching, tem um insight e percebe que uma das ferramentas utilizadas em coaching leva as pessoas a sentirem-se satisfeitas apenas mediante a concretização dos objetivos estabelecidos. “Mas então e o caminho até chegarem à sua meta? Eu procuro que as pessoas se sintam satisfeitas aqui e agora enquanto percorrem o caminho para alcançarem os seus objetivos. Quero que vivam satisfeitas durante o processo de coaching para se sentirem bem com elas próprias, não procurando no objetivo o motivo da sua satisfação. Sendo o coaching uma ferramenta direcionada para a ação com foco no presente-futuro, não podia chamar ao que faço de coaching, e mudei a nomenclatura para Life Building”, elucida-nos a nossa entrevistada.

Neste processo, Dálida Costa defende que existe uma clara diferença entre os conceitos de transformação e mudança. A mudança requer que façamos algo externo. Consegue trabalhar com as pessoas levando-as a mudar qualquer aspeto da sua vida através de ações concretas. Por sua vez, a transformação é algo mais complexo e que surge de dentro para fora. “Ajudo as pessoas a aceitarem-se como são no momento em que me procuram, ajudando-as a exteriorizar o que têm dentro de si, a resolver os conflitos interiores e a lidar com os seus receios. A transformação vem de dentro para se conseguir criar uma estrutura sólida”.

“ESTE É O TRABALHO NO QUAL ACREDITO”

“Dedico-me a viver em conformidade com o que sinto através das minhas práticas espirituais e com os pés assentes na terra. Gosto de trabalhar com as pessoas e de as ver crescer através dos processos de Life Building. Essa é a parte mais gratificante do meu trabalho”, afirma Dálida Costa enquanto explica que o coaching surge num momento frágil da sua vida. Atravessando uma má fase e de conflito interior, deparou-se, mais do que uma vez, com o conceito de coaching.

“Nunca tinha ouvido falar em coaching e quando resolvo descobrir o que era, contactando uma pessoa e tendo uma sessão introdutória, apercebo-me que era isto que eu precisava para a minha vida. Decido fazer um processo de coaching e após os resultados surpreendentes, resolvo tirar a certificação, começando a trabalhar como coach paralelamente ao trabalho que já tinha”, esclarece.

Ao longo da vida são várias as razões que podem levar uma mulher a sair da sua zona de conforto e a tornar-se numa empreendedora de sucesso. No caso de Dálida Costa, o universo conspirou a seu favor e hoje dedica-se a 100% ao coaching. “Este é o trabalho no qual acredito”, afirma.

E qual é o papel e os desafios das mulheres no empreendedorismo? Portugal é o 6º país do mundo com melhores oportunidades e condições de apoio para as mulheres prosperarem enquanto empreendedoras. No entanto, para Dálida Costa, as mulheres passam sempre por algum tipo de dificuldade. “No meu caso em particular sempre senti que, pelo facto de ser mulher, tinha de me esforçar mais para dar provas das minhas capacidades e competências relativamente ao sexo masculino, bem como em questões salariais”.

Entende que a sociedade ainda impõe limites às mulheres e, no tecido empresarial, a mulher ainda é alvo de alguma forma de injustiça quando se trata de conciliar a vida profissional com a vida pessoal. Vistas como a pessoa que tem de ficar em casa a cuidar dos filhos, esse peso ainda é sentido pela grande maioria das mulheres no mercado laboral.

A própria Dálida Costa sentiu essa pressão pelo facto de ser mãe e de ter os horários condicionados para cuidar do seu filho. “Apesar de estarmos num bom caminho ainda existe um logo caminho por desbravar”, conclui.