Marionetas de Alcobaça estreiam ópera e levam bonecos a sete países

As marionetas de Alcobaça subiram em palco em sete países do mundo, ao longo de 2018, ano em que a companhia estreou uma ópera barroca e realizou mais de uma centena de espetáculos.

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© Facebook / SA Marionetas

“Um ano de grandes viagens e aventuras” é como a S.A. Marionetas – Teatro & Bonecos define 2018, ao longo do qual a companhia de Alcobaça realizou “uma estreia e 103 apresentações”, em “sete países e 35 localidades”.

Do balanço do ano, revelado hoje, o diretor artístico, José Gil, destaca “a estreia de ‘As guerras do Arlequim e Manjerona'”, uma ópera barroca que a companhia foi convidada a realizar, pelo Festival Cistermúsica e pela Artemrede.

A obra, da autoria de António José Da Silva, “que só escrevia para marionetas”, e do compositor António Teixeira, composta para o setecentista Teatro do Bairro Alto, foi, para José Gil, “a grande produção de 2018”, com a S.A. Marionetas a “ensinar os atores e cantores a manipular” os seus ‘bonecos’.

Completamente realizada por portugueses a ópera (a segunda da mesma dupla de autores, encenada pela companhia, depois de ‘As variedades de Proteu’) foi a maior produção da companhia que, em 2018, “a par desta aventura”, participou em vários festivais pelo mundo apresentado as suas produções na Polónia, Rússia, Suécia, Turquia, Tailândia e Espanha.

Em Portugal, os bonecos de Alcobaça subiram ao palco em “35 localidades de norte a sul”, divulgou a companhia, salientando as participações “no festival Eixos, em Santa Maria da Feira, nas comemorações do 25 de Abril, na Residência Oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, na Feira Afonsina, em Guimarães, e em Ponta Delgada, nos Açores, no Prenda, entre outros”.

À Lusa, José Gil destacou igualmente a apresentação do espetáculo ‘Lúmen uma história de amor’, em Faro, no festival FOME organizado pela ACTA – A Companhia de Teatro do Algarve.

O espetáculo contou “com a participação da população local que foi incansável na colaboração e preparação desta grande produção”, que envolveu “entre 60 a 70 pessoas da localidade” e que, no final, foi visto por “mais de sete mil espetadores que assistiram a esta história de amor”, afirmou o diretor artístico.

O ano da companhia ficou ainda marcado pela organização do 21.º festival ‘Marionetas na Cidade’ que, durante quatro dias, reuniu em Alcobaça 11 companhias de cinco países.

Em 2019, a companhia tem por objetivo “reforçar a internacionalização” (cujo recorde foi batido em 2015 com representações em dez países), com a presença em mais festivais e países do mundo, e prevê apresentar em março a primeira de duas estreias preparadas para subir aos palcos no próximo ano.

A companhia, fundada em 1997, conta no palmarés com prémios como ‘Melhor produção nacional de videoclips’ (2001), Troféu Afonso Lopes Vieira – (2006), Louvor da Câmara de Alcobaça pela exposição ’12 anos a trabalhar para o boneco’ (2009), ‘Preservação e continuidade do teatro de marionetas europeu’ (Praga, 2010), o prémio do 21.º UNIMA – Congresso e Festival de Marionetas (China, 2012), ‘Alcoa d’Ouro’ (2013), ‘Melhor espetáculo tradicional de marionetas de rua’, no Wayang World Puppet Carnival (Indonésia, 2013), e ‘Best Traditional Show’ no Harmony World Puppet Carnival (Tailândia, 2014).

Em 2016, a companhia foi distinguida na China com o prémio ‘Artistic Innovation Award’ – 5th Golden Magnolia Shanghai International Puppet Festival – e, em 2017, recebeu dois prémios no Cazaquistão (melhor diretor e melhor manipulação) e um prémio na Ucrânia pela preservação da tradição do teatro de marionetas.

LUSA