Drones para que vos quero

Os drones, termo mais comum para identificar as aeronaves civis não tripuladas, são dispositivos com um enorme potencial de utilização e ainda com muito para explorar. Cem anos depois do pioneirismo da aviação estamos a viver uma nova fase. Os drones já estão a revolucionar o sector e, em alguns casos, a substituir aeronaves e a tornar o seu uso muito competitivo. Grandes empresas distribuidoras já entenderam isso e preparam-se para o que aí vem.

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Os drones civis e é sobre estes que nos debruçamos, porque quanto ao seu uso militar são outros segredos, estes surgem no mercado a preços relativamente acessíveis, o que significa que estão disponíveis a qualquer cidadão. Os apelos constantes ao seu uso consciente e se somarmos a recente publicação do Decreto-Lei 58/2018 este, pioneiro no seu âmbito, o Legislador finalmente despertou para a necessidade de regrar o uso destes dispositivos. Mas ainda há muito que pensar e discutir sobre estas matérias antes de legislar, mas essa abordagem deixamo-la para uma outra oportunidade.

O recente “ataque dos drones” ao aeroporto de Gatwick veio evidenciar mais uma vez o perigo e os riscos que decorrem do seu uso malicioso, mas também um “murro no estomago” dos fabricantes pela imagem negativa que este triste episódio causou ao sector. As consequências, relembro, obrigaram a uma paralisação dos voos perto de 36 horas e pergunta-se, quanto custou esta “brincadeira”? Estes casos repetem-se quase diariamente por todo o mundo em diferentes escalas, mas Gatwick tornou-se o mais mediático pelas suas repercussões inéditas, pelo menos até ao momento. Então como podem as entidades gestoras aeroportuárias (e não só!) proteger-se?

Existem hoje tecnologias capazes de criar verdadeiros escudos defensivos, detectando e/ou anulando os voos de drones. Este tipo de tecnologia é usada em contexto militar mas que, devido ao crescente fabrico e o uso exponencial de drones comerciais, a sua utilização em contexto não militar tornou-se já uma necessidade premente. Gatwick é só um dos exemplos. Mas crescem os casos do seu uso malicioso por todo o mundo, casos em que drones são usados para transportar droga e armas para o interior de prisões, usados para fazer espionagem, escutar, filmar e gravar conversas de uma reunião importante e sigilosa num 20.º andar, vigiar e participar em assaltos, voyeurismo, violação de privacidade, detectar redes wifi e introduzir software malicioso e os mais graves, usados para transporte de material explosivo para ataques terroristas. Não se trata de ficção, isto é uma realidade já muito presente e há que criar medidas de protecção.

 

Os modelos de segurança desenhados e implementados actualmente em muitas infra-estruturas não detectaram uma vulnerabilidade? O que pode chegar vindo do céu. E os drones, se usados de modo malicioso, exploram essa vulnerabilidade. Os nossos vizinhos espanhóis há muito que pensaram nisso e implementaram medidas de protecção ao criarem no seio das forças de segurança unidades especiais antidrone (ver imagem). Mas em Espanha já são muitas as operações de segurança em que se usa tecnologia antidrone (ver imagem). Em Barcelona, para se ter dados objectivos e pensar como implementar medidas de protecção, procedeu-se a uma análise de voos de drones na cidade e no espaço de uma semana foram detectados mais de duzentos voos (ver imagem).

O futuro é hoje! E nos que diz respeito ao uso indevido de drones, as diferentes organizações portuguesas, sejam elas públicas ou privadas devem pensar em rever os seus modelos de segurança implementado tecnologia que proteja 24/7, considerando que há males que vêm do céu e aconselha-se a serem pró-activas qb antes que este lhes caia em cima.