Amanhã, dia 24 de janeiro, o Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Francisco Alves, apresenta, na Casa da Lã (em Bucos pelas 11 horas,  o projeto ‘Dá lã um abraço ao Mosteiro’ que, em conjunto com as Mulheres de Bucos, pretende criar uma rede humana de naturais, residentes e visitantes para um abraço ao Mosteiro de S. Miguel de Refojos no dia 3 de junho de 2019. Integrada na programação do Mosteiro de Emoções, a iniciativa deseja envolver toda a comunidade Cabeceirense através da produção manual de cachecóis em tricot.

CABECEIRENSE = 1 CACHECOL

Com esta iniciativa a Câmara destaca o trabalho das Mulheres de Bucos que dão vida à Casa da Lã, um verdadeiro núcleo museológico vivo que integra o Museu das Terras de Basto, onde a arte venceu o tempo e se tornou uma marca idiossincrática das mulheres da aldeia de Bucos. Estas artesãs participam na dinamização da iniciativa através do ensinamento e apoio a todos os que queiram fazer um cachecol e participar, depois, no grande abraço.

O desafio é lançado a todos os Cabeceirenses, às famílias, às instituições. Fazer um cachecol de lã! Um Cabeceirense um cachecol, uma família um cachecol, uma instituição um cachecol.

O cachecol será em lã e resultará da criatividade e imaginação de cada participante. Terá a dimensão adequada (entre 1,40m e 1,60m de comprimento e entre 0,25m e 0,30m de largura), mas não está vedada a possibilidade de, no caso das instituições, ele ter dimensões superiores ou muito superiores às indicadas. Pode ser mesmo um cachecol gigante.

Os participantes poderão adquirir a lã e, eventualmente, as agulhas nos estabelecimentos de venda destes produtos, mas a Câmara Municipal, para facilitar a aquisição da matéria-prima, vai também colocar à venda meadas de lã e agulhas nos seguintes pontos: Casa da Cultura | Casa do Tempo | Casa do Povo do Arco de Baúlhe. Também a Casa da Lã terá lã à venda para todos os interessados. O desafio é produzir o cachecol ao longo dos próximos meses de inverno para que, no dia 3 de junho, às 10h00, possa ser dado um abraço gigante ao Mosteiro.

O Município de Cabeceiras de Basto comemora neste dia, e com este abraço ao Mosteiro, o Dia Mundial da Criança, pelo que conta com a participação de toda a comunidade educativa, desafiando cada criança e jovem estudante a levar o seu cachecol para o abraço ao Mosteiro.

O cachecol poderá ser oferecido pelos participantes ao Mosteiro, comprometendo-se a Câmara Municipal a promover, posteriormente, uma exposição de cachecóis, em novo momento de grande manifestação de carinho pelo património.

MULHERES DE BUCOS DÃO VIDA À CASA DA LÃ

Na orla da Serra da Cabreira, num território que encerra os concelhos de Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto, localiza-se a aldeia de Bucos, que pertence a este último município. As caraterísticas geomorfológicas desta localidade permitiram que os seus habitantes, desde os tempos mais remotos, se dedicassem à criação de vastos rebanhos de ovelhas, numa oferta de alimento e de lã, matéria-prima esta, aliás, imprescindível na proteção e aquecimento do corpo.

As mulheres de Bucos, tal como muitas outras mulheres das aldeias da Serra da Cabreira, no tempo que restava entre o campo e a vida doméstica, dedicaram-se, ao longo de tempos imemoriais, ao trabalho da lã, fiando-a e tecendo-a. Esta arte venceu o tempo e tornou-se uma “marca” idiossincrática das mulheres desta localidade.

Noutros tempos, a lã fiada era vendida com a finalidade das mulheres obterem os rendimentos necessários para a compra de adornos ou outros objetos de valor para os quais não havia outra forma de obter recursos.

Atualmente, o trabalho da lã, não sendo a atividade principal das mulheres de Bucos, representa ainda um complemento importante para muitas famílias. Como tal, um grupo de dez mulheres desta freguesia foi construindo o hábito de se reunir e realizar esta arte, numa tarefa executada ainda totalmente de modo tradicional, que envolve desde o lavar ao tecer da lã à mão. Foi assim que de uma forma informal nasceu o grupo “Mulheres de Bucos”.

De forma totalmente voluntária e espontânea, com a “paixão” pelo trabalho executado à volta da lã, estas mulheres foram mantendo estes encontros, com o verdadeiro objetivo de não deixarem morrer esta habilidade que foi circulando ao longo de várias gerações.

As “Mulheres de Bucos” foram-se encontrando, primeiramente, no edifício da Junta de Freguesia e mais tarde, numa colaboração entre a Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto e a Junta de Freguesia de Bucos, nasceu o projeto da Casa da Lã com a finalidade de salvaguardar e valorizar a tradição, o segredo e o património imenso que diz respeito à conceção das peças de lã.

Sob a coordenação de Isabel Fernandes, quadro superior do Ministério da Cultura e colaboradora do Município, responsável pelo Museu das Terras de Basto, a Casa da Lã transforma-se num Núcleo Museológico daquele Museu. Sediada na antiga escola primária de Bucos foi inaugurada no dia sete de setembro de dois mil e doze, pelo Presidente da República.

Constitui-se, assim, o principal cerne de interpretação do trabalho da lã, no qual é possível acompanhar a execução dos diversos processos desenvolvidos por estas mulheres, o que lhe confere o caráter de “Museu Vivo”. Os visitantes podem, por isso, disfrutar de todo o dinamismo e dedicação empregues durante o trabalho levado a cabo pelas “Mulheres de Bucos”. Esta arte tem suscitado muita curiosidade, não apenas dos meios de comunicação, como dos vários entendidos, o que tem proporcionado apoios imprescindíveis, especialmente de promoção e divulgação, para que este projeto vigore e se torne um marco, não apenas circunscrito à freguesia, como alargado a todo o concelho e região.

A Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, ciente da importância deste projeto, assegura, desde 2010, o apoio da estilista Helena Cardoso, que regularmente se junta às “Mulheres de Bucos” numa simbiose perfeita entre o saber fazer tradicional e a criatividade moderna.

Para além das peças mais antigas, como meias e cobertas, na Casa da Lã os visitantes podem obter também peças mais modernas, como echarpes, casacos, camisolas, cachecóis ou almofadas. Produtos totalmente confecionados pelas “Mulheres de Bucos”, com um registo tradicional e português.

A Casa da Lã pode ser visitada de segunda a sexta-feira, sendo que todas as quintas-feiras é possível encontrar o grupo de mulheres em plena atividade.

‘MOSTEIRO DE EMOÇÕES’

O programa ‘Mosteiro de Emoções’ tem como elemento central o Mosteiro de S. Miguel de Refojos, magnífico monumento beneditino em Cabeceiras de Basto. Dirigido a um público diversificado, o programa desenvolve-se em três eixos temáticos Cultura/Artes Performativas, Gastronomia/Sabores e Saúde e Bem-Estar que aliam a itinerância, a combinação e a diversidade. Este vasto programa cultural estende-se até julho deste ano e assenta em parcerias alargadas que vão desde as instituições locais a diversas entidades regionais e nacionais.

Pretendendo ser um importante motor de dinamização cultural, contempla iniciativas culturais e artísticas diversas, das artes plásticas às artes performativas, da literatura às atividades holísticas e ao artesanato, privilegiando, ainda, manifestações de divulgação histórica, patrimonial e gastronómica. Todas estas atividades decorrem sob diversos formatos: exposições, concertos, concursos, mostras, festivais, provas e degustações, workshops, tertúlias, master-classes e visitas, dirigidas a públicos distintos e potenciais visitantes, turistas e parceiros. As atividades têm decorrido preferencialmente em locais simbólicos do Município, especialmente no Mosteiro de S. Miguel de Refojos, mas também em espaços culturais, escolas e universidades, associações e clubes culturais de Cabeceiras de Basto ou de municípios estratégicos e vizinhos.

Trata-se de um programa cultural que resulta de uma candidatura a fundos comunitários designada ‘Mosteiro de S. Miguel de Refojos, Património Cultural Ímpar’, através do NORTE 2020, e que integra, para além de um conjunto de ações materiais, obras de reabilitação de coberturas e fachadas do Mosteiro e requalificação da antiga livraria beneditina, um programa cultural que se materializa em múltiplas manifestações artísticas, de exaltação do património, tradição e história.

O programa cultural ‘Mosteiro de Emoções’ desenvolver-se-á até julho de 2019 e integra 23 atividades. Especial destaque para o envolvimento de inúmeros parceiros de Cabeceiras de Basto, desde a comunidade educativa, empreendedores locais, passando pelo movimento associativo e outras instituições do concelho, mas também parceiros externos como universidades, escolas profissionais, orquestras, cooperativas, empresas de dinamização cultural, entre outros.

O Mosteiro de S. Miguel de Refojos continuará a atrair e a seduzir cada vez mais visitantes e turistas, levando o nome de Cabeceiras de Basto bem longe e, dessa forma, contribuirá também para o aumento do prestígio e da imagem de Cabeceiras de Basto.

Dos três eixos temáticos – Cultura/Artes Performativas, Gastronomia/Sabores e Saúde e Bem-Estar – que continuará a contar com o envolvimento de muitos parceiros, ao longo dos próximos meses, destaque para as iniciativas: ‘Sebenta do Património’; a ‘Noite das mil e uma histórias’; o Seminário Internacional ‘Ora et Labora”; Festival Ibérico de Canto Gregoriano; a ‘Mesa de Cabeceiras’; Dá lã um abraço ao Mosteiro”; o ‘Encontro Holístico’, entre muitos outros.